Quanto vale uma empresa na bolsa?
Embora a pergunta pareça trivial, a resposta pode ser controversa, pois pode se chegar a mais de um valor. Entenda por quê. Qual é o cálculo mais adequado? Qual o mais popular? Qual o impacto dessa controvérsia sobre os múltiplos? Como isso pode contribuir para meus investimentos?
O valor de mercado de uma companhia é calculado multiplicando-se a base acionária pelo preço da ação. Mas quando a empresa possui duas classes de ações - ordinárias (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, não votante) -, o cálculo é um pouco mais complexo.
Há na verdade três cálculos possíveis: (i) multiplicando-se o total de ações pela cotação PN, (ii) multiplicando-se o total de ações pela cotação ON e (iii) fazendo-se o cálculo ponderado, levando-se em conta as cotações ON e PN.
A Gerdau possui duas classes de ações: as ordinárias (GGBR3) e as preferenciais (GGBR4). Assim, podemos calcular três diferentes valores de mercado.
A metodologia mais adequada é a que utiliza as ações ON e PN e suas respectivas cotações. Distribui o valor de mercado total da companhia entre a parcela das PN e das ON. De acordo com esse cálculo, o valor de mercado da Gerdau atinge R$ 32,7 bilhões.
Contudo o valor mais utilizado pelo mercado é o que utiliza a classe mais líquida, a PN. Por quê? Quanto maior a liquidez, melhor é a formação de preço das ações. Enquanto GGBR4 apresenta uma liquidez diária em torno de R$ 150 milhões, a GGBR3 negocia cerca de R$ 2 milhões. Por essa metodologia, o valor de mercado alcança R$ 35,0 bilhões, 7,4% superior ao cálculo ponderado.
E a última forma utiliza a cotação ON. Nesse caso, o valor de mercado é de R$ 27,9 bilhões. 20,6% menor do que a calculada com base nas ações preferenciais!
Desse modo, os múltiplos que utilizam o valor de mercado em sua composição – P/L (preço por lucro), FV/EBITDA e P/VPA (preço por valor patrimonial por ação) – também apresentam três possíveis valores. No caso da Gerdau, o P/L varia de 12,9 vezes (com base na ON) a 16,2 vezes (com base no preço da PN).
O que aprender com essa situação? Caso o investidor não possua restrição de liquidez, por que não aplicar na classe menos líquida? Paga-se um múltiplo menor e, em alguns casos, até mesmo o possível dividendo maior pago aos detentores de PN é compensado pela cotação ON mais depreciada (Veja post “A vantagem das PNs: o dividendo fixo e mínimo”, de 30/09/11).
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