3 | Postado por: André Rocha Seção: Análise de ações

Petrobras - atratividade das ações reside no longo prazo

Imagine que você marque uma viagem para o segundo semestre de 2014. Contudo, a cada três meses, entra em um site de previsão meteorológica para verificar como está o tempo na região do passeio — se está frio, chovendo, ensolarado, nublado —, de forma a selecionar a roupa mais apropriada para a viagem. Desnecessário dizer que essa tarefa é inútil. O mesmo tem ocorrido com a análise dos resultados trimestrais da Petrobras.

Desde a capitalização realizada em 2010, sabe-se que o retorno sobre o patrimônio líquido será ruim enquanto não entrar em operação a exploração da região do pré-sal. O aumento do capital ocorreu sem uma contrapartida imediata de receita, derrubando seu retorno. E as ações, é claro, não ficaram indiferentes. Já são negociadas com amplo desconto para seus concorrentes. Assim trimestre a trimestre, as discussões transitam sobre os mesmos pontos: interferência do governo, atraso na produção, perda derivada da diferença de preços entre a gasolina importada e a vendida no mercado interno e efeitos cambiais sobre o endividamento.

Nada muito diferente aconteceu no trimestre passado. O leitor pode alegar: mas o prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2012 não foi o primeiro após 13 anos? Sim. Mas grande parte desse resultado deriva da baixa contábil de poços secos de R$ 2,7 bilhões que tem efeito sobre o lucro, mas não sobre o caixa da companhia. E a empresa alegou durante a conferência que provisão em montante semelhante não deve ser vista nos próximos trimestres de 2012 e nem em 2013. Sob nova administração, a companhia tem tido uma postura mais aberta e parece estar “limpando o balanço”. Posição positiva.

Para entender melhor o resultado da Petrobras, indico a leitura de duas reportagens do Valor: “Poços secos levam Petrobras ao vermelho” e “Companhia surpreende analista mais pessimista”, ambas de 06/08/2012.

Alguém poderia alegar que, com um lucro líquido anual menor, os dividendos devem ser prejudicados. Contudo, o atrativo da Petrobras não reside em um alto retorno de dividendos como acontece hoje com a Vale, por exemplo.

Assim, como sabido desde 2010, a atratividade das ações de Petrobras — PETR3 (ordinárias) e PETR4 (preferenciais) — reside no longo prazo. Não adianta buscar catalisadores para as ações nos resultados trimestrais. Quem possui os papéis em carteira deve esquecê-los por enquanto ou, se estiver sem paciência, vendê-los. O que não se pode é adotar a postura do impaciente viajante.

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