6 | Postado por: André Rocha Seção: Análise de ações

Não tem nada seguro

O setor elétrico é tido pelos investidores como um dos mais conservadores da bolsa devido ao reajuste das tarifas pela inflação, a geração de caixa consistente e a política de dividendos estável. A revisão tarifária empreendida pelo agente regulador mostra que não é bem assim.

No post “Revise sempre sua carteira de dividendos”, de 05/07/2012, mencionei a revisão tarifária da Eletropaulo. Além dos reajustes anuais, periodicamente ocorre a revisão tarifária quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) revê as condições do contrato – a taxa de retorno, os ativos regulatórios etc. Com a revisão, a Eletropaulo teve uma redução da tarifa de 5,7%.

Um leitor me questionou o porquê de as estimativas da Eletropaulo terem sofrido forte revisão pelos analistas enquanto as projeções de Coelce, distribuidora do Ceará, não terem sofrido grandes alterações, apesar de também ter tido a sua tarifa reduzida na revisão.

Primeiro é preciso entender que a revisão tarifária é composta por duas parcelas: a parcela A e a parcela B. A primeira apenas repõe custos não administrados pela companhia – energia comprada, encargos, custos de transmissão. Assim, por exemplo, quando ocorre uma queda desses insumos, a tarifa é reduzida de forma a evitar um ganho extraordinário pela distribuidora. Em consequência, a “geração de caixa recorrente” e esperada pelos analistas não é afetada. Boa parte da revisão tarifária de Coelce ocorreu na parcela A. Assim, embora o efeito médio a ser percebido pelos consumidores da empresa em razão da revisão tarifária seja de -10,89%, essa redução não afetou o EBITDA normalizado esperado para a companhia.

Já a parcela B refere-se a custos administráveis pela concessionária – salários, remuneração sobre ativo regulatório. No caso da Eletropaulo, a maior parte da revisão foi baseada sobre a parcela B. O ativo regulatório utilizado pela Aneel foi inferior ao adotado pelo mercado. Com isso, houve revisão para baixo das estimativas de geração de caixa futura e, como consequência, sobre os dividendos. Por isso, Eletropaulo (ELPL4) sofreu mais após a revisão do que Coelce (COCE5).

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