| Postado por: André Rocha Seção: Análise de ações

Ações não aceitam mágoas: de patinho feio a cisne

Companhias antes desprezadas pelos investidores passaram a fazer parte do radar dos analistas. Mesmo algumas que tiveram contencioso com os minoritários no passado. Mas o que fizeram as ações dessas empresas terem se tornado atraentes? Um conselho: não guarde mágoas de nenhum papel. Seu preconceito pode impedi-lo de adquirir boas opções de investimento.

Em uma reunião com analistas no início dos anos dois mil, o controlador de uma das maiores empresas brasileiras disparou: “Dinheiro barato é o dinheiro do minoritário”.  Na ocasião, o mercado acionário não cumpria o seu principal papel: o de financiar as companhias por intermédio da emissão de novas ações. Mas o tempo passa, o tempo voa como diz a famosa canção da caderneta de poupança. Hoje a mesma companhia já acessou o mercado e suas ações vêm tendo um desempenho superior ao de dez anos atrás. Esse é um exemplo de empresa que conseguiu reverter sua imagem junto ao mercado.

Mas o que faz uma ação deixar o limbo e passar a chamar a atenção?

1 – reestruturação societária: Alguns setores apresentam uma confusa organização societária com participações cruzadas entre as companhias. Em outros casos, empresas possuem mais de um veículo listado o que dispersa a liquidez.

O setor petroquímico brasileiro foi um exemplo. Havia uma multiplicidade de companhias listadas em bolsa sustentadas sobre o tripé capital privado nacional-capital estrangeiro-capital estatal. No início da década passada, a Copene iniciou um processo de consolidação incorporando diversas empresas do setor. A organização societária mais enxuta e o aumento da liquidez das ações trouxeram para o radar dos investidores a empresa resultante do processo: a Braskem (BRKM5).

O setor de telecomunicações também padeceu do mesmo mal. Após a privatização em 1998, o segmento chegou a ter quase 70 companhias de capital aberto. Mesmo com um forte enxugamento no início da década passada, algumas empresas ainda apresentavam configuração societária complexa. A Oi (antiga Telemar) possuía quatro companhias subsidiárias e sete classes de ações antes da reestruturação no semestre passado. Atualmente restaram apenas as preferenciais (OIBR4) e as ordinárias (OIBR3). A estrutura societária anterior impedia a otimização do uso do caixa e, por consequência, o pagamento de dividendos mais robustos. O mercado parece ter gostado da operação. Em 13/07, OIBR4 e OIBR3 subiam 20,9% e 13,4%, respectivamente nos últimos 30 dias.

2 – Governança corporativa: Atitudes que melhoram a governança corporativa têm um efeito benéfico sobre as ações. A Duratex (DTEX3) - empresa de louças, metais sanitários e painéis - possuía partes beneficiárias, título de valor mobiliário detestado pelos minoritários. O controlador detinha esses títulos o que lhe garantia o direito de receber parte do lucro da companhia, além daquele referente à sua participação acionária. Os minoritários viam as partes beneficiárias como um privilégio indevido. A companhia abdicou desses títulos e algum tempo depois ingressou no Novo Mercado. Hoje Duratex é uma empresa bem avaliada pelos analistas. A migração de companhias para o nível máximo de governança da BM&F Bovespa também é bem vista pelos investidores.

3 – Troca de controlador: Distribuidoras de energia elétrica estatais apresentavam resultados pífios no final da década de 90. Estrutura de custos inchada, alto endividamento e ingerências políticas drenavam os resultados das companhias. A transferência do controle acionário para grupos privados possibilitou o corte de custos e uma estrutura de capital mais adequada o que acabou impulsionado o lucro das companhias e, por consequência, o desempenho das ações. A empresa de aviação Embraer (EMBR3) também teve seu “status” elevado pelos investidores após a privatização.

4 – Ganho de liquidez: Algumas companhias são insignificantes para o mercado em decorrência da baixa liquidez de suas ações. Com a revitalização do mercado de capitais a partir de 2004, companhias já listadas com liquidez diminuta fizeram emissões de novas ações. O maior número de ações em circulação no mercado trouxe esses papéis para o radar dos investidores, casos de Indústrias Romi (ROMI3), Cyrela (CYRE3), Rossi Residencial (RSID3) e Iochpe-Maxion (MYPK3).

Para quem tiver interesse, a revista ValorInveste de junho/12 tratou do tema oposto – companhias antes queridas pelos investidores que por algum motivo deixaram de ser. Basta acessar a reportagem no portal do Valor.

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