Entenda a relação entre o risco país e o Ibovespa
Qual a relação entre o risco soberano e o Ibovespa? Como se calcula o risco do Brasil?
O desempenho do Ibovespa é inversamente proporcional ao risco do país. Assim quando esse risco cai, o Ibovespa tende a subir e vice-versa. Por quê? O risco país é um importante componente do cálculo da taxa de desconto utilizada na metodologia do fluxo de caixa descontado. Essa taxa serve para trazer a valor presente o fluxo de caixa futuro das empresas. Quanto menor o risco soberano, menor a taxa de desconto, maior o valor presente líquido da geração de caixa das empresas e, por consequência, o valor justo das companhias. O inverso também é verdadeiro.
Observando-se dados desde outubro de 2005, a correlação entre o Ibovespa e o risco soberano brasileiro medido pelo Credit Default Swap (CDS) é bem elevada -0,61. O sinal negativo mostra que os dois indicadores se movem com regularidade em direções opostas.
O CDS é um contrato de derivativo no qual o vendedor do CDS garante o pagamento do título em caso de inadimplência do emissor. O comprador do CDS, dessa forma, adquire uma espécie de “seguro” em caso de default.
Até 2003, o indicador de risco soberano mais utilizado era o EMBI (Emerging Markets Bond Index) calculado pelo banco J.P.Morgan que mede o prêmio adicional pago pelos países por suas dívidas soberanas em relação à rentabilidade dos títulos americanos. Com o aumento da liquidez dos CDS, esse indicador passou a ser o mais adotado para medir a probabilidade de default dos países.
A boa performance do Ibovespa está intimamente ligada a melhor percepção da situação macroeconômica brasileira e a redução do risco de calote de nossa dívida externa. Manter essa imagem junto ao investidor estrangeiro é crucial para o desempenho futuro de nosso mercado acionário. Assim indicadores macroeconômicos como balanço de pagamentos e nível de reservas devem ser sempre monitorados pelos analistas.
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