LFTs oferecem proteção em períodos de incertezas
Nas últimas quatro semanas, as taxas de juro dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto subiram, afetando os ganhos dos detentores de papéis prefixados e corrigidos pela inflação. Em alguns casos houve perdas para os investidores, com as aplicações hoje valendo menos do que no momento em que foram feitas.
O mercado secundário de títulos públicos reflete as incertezas com os rumos esperados para a economia e a inflação. De uma forma geral, condições econômicas mais favoráveis implicam crescimento dos riscos de repasses dos custos para os preços de produtos e serviços. Com o objetivo de evitar a alta dos índices de inflação, o Banco Central poderia resolver agir e aumentar os juros preventivamente.
Poucos apostam que a autoridade monetária deixará de cortar a taxa Selic em pelo menos meio ponto percentual na próxima reunião do Copom, no fim de agosto. No entanto, a tentativa de antecipar as ações futuras da autoridade monetária torna o valor de mercado dos papéis públicos mais instável.
A Letra do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em janeiro de 2015 era negociada com taxa de 10,60% ao ano no começo de fevereiro deste ano. Desde então, as taxas de mercado caíram até atingir a mínima de 8,25% ao ano na última semana de julho. Depois disso, voltaram a subir, para o atual patamar de 8,54% ao ano.
A Nota do Tesouro Nacional da série B com pagamento do principal e juros apenas no resgate (NTNB-Principal) teve comportamento semelhante ao da LTN. No começo de fevereiro, o papel com vencimento em maio de 2015 podia ser comprado com taxa de 5,17% ao ano, mais a correção pelo IPCA. Depois de atingir a taxa mínima de 2,83% ao ano, o papel é negociado atualmente pela taxa de 3,15% ao ano.
Para aqueles que querem evitar correr o risco de oscilação das taxas de juros e, consequentemente, do valor da aplicação nos títulos públicos, a alternativa mais segura é investir nas Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). O rendimento desses papéis acompanha a taxa Selic, atualmente em 8% ao ano.
Mesmo com a perspectiva de novas quedas de remuneração no curto prazo, o investimento em LFTs possui o conforto de dificilmente ficar sujeito a perdas de capital no curto prazo. Além disso, oferece proteção em caso de eventual subida das taxas de juros.
Nos últimos meses, o Tesouro Nacional fez um grande esforço para reduzir a quantidade de LFTs no mercado, com o objetivo de dar maior previsibilidade aos custos com o serviço da dívida pública. A consequência da ação do Tesouro foi, em certa medida, uma publicidade negativa para os papéis atrelados à taxa Selic. No entanto, as LFTs continuam sendo interessantes para parcela da carteira de aplicações de renda fixa.
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