| Postado por: Marcelo d'Agosto Seção: Investimentos

Debêntures podem substituir LFTs

O Tesouro Nacional está empenhado em reduzir o estoque de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que têm remuneração atrelada à variação da taxa Selic. A motivação é aumentar a previsibilidade das despesas do governo com o custo da rolagem da dívida pública.

O atual momento econômico tem ajudado. Quando os juros de curto prazo caem, as LFTs passam a render menos, o que é ruim para os investidores. Quando existe a expectativa de queda das taxas, como agora, é mais rentável aplicar nos papéis prefixados, que garantem a remuneração fixa até o prazo do vencimento.

As LFTs são investimentos seguros nos períodos de incerteza, quando não se sabe ao certo o comportamento futuro dos juros. Por causa dessa característica, as aplicações vinculadas às taxas de juro de curto prazo compõem uma boa parte da carteira de renda fixa dos investidores, principalmente os mais conservadores.

Com o estoque de LFTs diminuindo, uma alternativa é investir em debêntures, um título emitido por empresas e negociado no mercado secundário. Aproximadamente 70% desses papéis são indexados ao CDI, que guarda relação muito próxima com a taxa Selic. As debêntures indexadas ao CDI podem ser comparadas com as LFTs.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) calcula diversos indicadores para medir a rentabilidade média das aplicações em ativos de renda fixa. Para acompanhar o desempenho das LFTs, a associação calcula o índice IMA-S. E, para as debêntures indexadas ao CDI, é usado o IDA-DI. São dois importantes parâmetros de referência para analisar o comportamento do mercado.

Em julho, o valor de mercado das LFTs acompanhadas pelo IMA-S era de R$ 440 bilhões. O IDA-DI reunia debêntures que somavam R$ 35 bilhões. A diferença é porque o tamanho do mercado de títulos públicos atrelados à taxa Selic é mais de dez vezes superior ao de debêntures.

A rentabilidade média das debêntures é maior do que a dos títulos públicos. Nos 24 meses encerrados em julho, o IMA-S rendeu 22,81%, ao passo que o desempenho do IDA-DI foi de 25,85%. Em termos anualizados, o rendimento médio das debêntures foi 2,5% ao ano acima do das LFTs.

Entre os mais de 100 títulos de 69 emissores diferentes que fazem parte da carteira do IDA-DI, os papéis com maior peso são as debêntures da Vale – com vencimento em novembro de 2013 (CVRD27) – e da empresa de telefonia Oi, com vencimento em abril de 2014 (TNLE15).  A atual remuneração dos títulos da Vale é de CDI mais 0,39% ao ano e os papéis da Oi rendem CDI mais 0,67% ao ano.

A remuneração dos títulos privados depende do prazo de vencimento do papel e do risco de crédito do emissor, ou seja, a capacidade financeira da empresa emissora para cumprir com os compromissos assumidos. No conjunto de papéis que compõem o IDA-DI, existem debêntures com remuneração maior do que aquelas pagas por Vale e Oi. E todas superam os ganhos com as LFTs.

Apesar do interesse do governo em substituir as LFTs, o estoque de papéis públicos no mercado ainda é muito grande. Os investidores que saírem na frente e compreenderem o funcionamento do mercado de títulos privados poderão conseguir remuneração maior para as aplicações de renda fixa.

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