Procurando uma nova referência na renda fixa
Apesar de a quantidade de operações no mercado interbancário ter despencado nos últimos anos, o CDI continua sendo o principal parâmetro de referência para avaliar o desempenho dos ativos de renda fixa.
O CDI ganhou credibilidade por ser a taxa média dos empréstimos de um dia pactuados entre os bancos e, também, por servir como fator de correção para diversos tipos de contratos financeiros. Boa parte dos títulos bancários, debêntures de empresas e contratos derivativos é remunerada pelo indexador.
Mesmo sendo uma taxa para operações entre instituições privadas, com o tempo, acabou sendo considerado como sinônimo para a taxa livre de risco da economia brasileira. Os investidores passaram a avaliar o desempenho das aplicações levando em conta a relação entre o retorno acima do CDI e o nível de risco da carteira.
Devido à tradição de indexação no Brasil, diversos contratos não financeiros também passaram a fazer referência às taxas médias praticadas no mercado interbancário. Sempre que o objetivo é corrigir determinado valor ao longo do tempo, o CDI é o parâmetro mais frequentemente utilizado.
Paradoxalmente, os dados da Cetip – empresa responsável pelos serviços de registro, custódia, negociação e liquidação de ativos financeiros – mostram que o tamanho do mercado que serve de base para o cálculo do indicador caiu drasticamente. É uma surpresa, considerando a relevância do parâmetro de referência.
Em 1994 o mercado interbancário girava, em média, 917 operações por dia. Desde então, devido à estabilização da economia brasileira, a quantidade média de negócios diários sofreu uma marcante redução.
Em 2002 foi contabilizada a média de 111 operações diárias. O patamar foi mantido até 2005. A partir de 2006 a queda foi acentuada e, em 2012, até o dia 10 de julho, o movimento de negócios diários caiu para 28, conforme ilustra o gráfico abaixo.
A rentabilidade do CDI guarda relação com a Selic, que é a taxa básica estabelecida pelo Banco Central de acordo com os objetivos de política monetária. Em tese, uma discrepância entre a remuneração do CDI e a taxa Selic abriria uma oportunidade de arbitragem. Uma série de operações complexas seriam implementadas pelas instituições financeiras e, no fim, as distorções seriam eliminadas.
No entanto, dada a atual preocupação dos bancos em enfrentar os efeitos da crise mundial, da desaceleração econômica e do crescimento da inadimplência, talvez esteja na hora de os investidores buscarem um novo parâmetro de referência para suas operações de renda fixa.
A quantidade de operações interbancárias deve continuar caindo.
Termos de Uso
As análises, opiniões, premissas, estimativas e projeções feitas neste blog são baseadas em julgamentos do consultor responsável e estão, portanto, sujeitas à modificações em decorrência de alterações nas condições de mercado. As opiniões contidas neste espaço podem não ser aplicáveis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situação financeira específica. Este blog reflete as opiniões do autor e não do Valor Econômico. O Valor e o autor não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizados por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Toda e qualquer decisão de investimento baseada nas opiniões aqui expostas é de exclusiva responsabilidade do investidor.
