| Postado por: Marcelo d'Agosto Seção: Investimentos

Bom semestre para fundos mais ousados

Os fundos de renda fixa mais rentáveis do semestre tiveram risco semelhante aos índices que medem o desempenho das ações, enquanto o ganho dos melhores fundos multimercados mal conseguiu superar os índices de renda fixa.

Reportagem de Luciana Seabra e Antonio Perez, do Valor, mostrou o trabalho que os gestores de recursos tiveram nos últimos seis meses para encontrar as melhores alternativas de investimento. Com o Ibovespa recuando 4% no período, a saída foi buscar alternativas fora do convencional.

O gráfico abaixo mostra a relação entre o risco (no eixo horizontal) e o retorno (no eixo vertical) dos 20 fundos que mais se destacaram nas categorias renda fixa, multimercados e ações. Também são sinalizados os pontos que representam alguns dos principais parâmetros de referência para o desempenho do mercado: CDI, IMA-B, IDIV e Ibovespa.

Entre os parâmetros de referência, o CDI – que mede a taxa de juros praticada nas operações interbancárias – teve pouco risco e baixo retorno, em torno de 5%. O IMA-B mede o desempenho de uma carteira composta por NTN-Bs, títulos públicos indexados à inflação. E teve rentabilidade pouco acima de 10% no semestre, com risco inferior a 10% ao ano.

O IDIV é um índice calculado pela BM&FBovespa e mede o desempenho de uma carteira de ações com bom histórico de distribuição de dividendos. Rendeu pouco mais do que o IMA-B, mas com risco substancialmente maior, de aproximadamente 14% ao ano.  Como destaque negativo aparece o Ibovespa, o principal indicador do mercado acionário, com queda de 4% e risco acima de 20% ao ano.

Os melhores fundos multimercado tiveram rentabilidade na faixa de 10% ao ano, o dobro do CDI, e risco variando na faixa entre 2% ao ano a 6% ao ano. A exceção foi o fundo Itaú Brasil EUA Multimercado FICFI, com retorno de 18% e risco de 16% ao ano.

A explicação para o desempenho tão diferente é que a carteira investe em ações de baixa capitalização, as chamadas “small caps”. E as aplicações podem ser tanto em empresas brasileiras negociadas na Bovespa quanto em companhias americanas negociadas nas bolsas dos Estados Unidos.

A maior parte dos melhores fundos de renda fixa registrou desempenho semelhante ao IMA-B, sinalizando que concentraram as apostas nas NTN-Bs. As duas carteiras mais rentáveis, e com volatilidade próxima ao IDIV, optaram pelos papéis mais longos, que, embora mais arriscados, apresentaram melhor desempenho.

Entre os fundos de ações, o destaque ficou por conta do Advis Total Return, com rentabilidade de quase 50% e risco de 14% ao ano. O gestor do fundo preferiu não dar entrevista para explicar como atingiu o desempenho.

Os demais fundos de ações tiveram em comum o mérito de evitar os papéis que integram o Ibovespa, dando preferência para as ações com fluxo de caixa mais previsível.

Embora o desempenho de apenas um semestre não seja um bom guia para projetar a rentabilidade futura, é interessante acompanhar as estratégias diferenciadas adotadas por alguns gestores. Em tempos de grandes incertezas, pode ser uma boa alternativa para diversificação da carteira.

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As análises, opiniões, premissas, estimativas e projeções feitas neste blog são baseadas em julgamentos do consultor responsável e estão, portanto, sujeitas à modificações em decorrência de alterações nas condições de mercado. As opiniões contidas neste espaço podem não ser aplicáveis para todos os leitores devido aos diferentes objetivos de investimento e situação financeira específica. Este blog reflete as opiniões do autor e não do Valor Econômico. O Valor e o autor não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizados por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Toda e qualquer decisão de investimento baseada nas opiniões aqui expostas é de exclusiva responsabilidade do investidor.

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