Taxa de administração ainda está alta
O ritmo de redução da taxa de administração cobrada pelos fundos de investimento de varejo ainda não é suficiente para fazer frente à competitividade que a caderneta de poupança alcançou depois dos sucessivos cortes da taxa Selic.
No mesmo dia em que a Anbima, a associação que representa os administradores de recursos, divulgou estudo mostrando uma leve queda na taxa de administração média das carteiras oferecidas no varejo pelas maiores instituições, o Banco Central divulgou relatório apontando que a caderneta de poupança atingiu a maior captação para o mês de junho dos últimos dez anos.
De acordo com a análise da Anbima, a taxa média do total do grupo de fundos DI oferecidos no varejo caiu de 1,29% ao ano em 2011 para 1,28% ao ano em maio de 2012. As maiores reduções ocorreram no grupo de fundos com aplicação inicial de até R$ 1 mil (de 3,47% ao ano para 3,33% ao ano), nos de entrada entre R$ 1 mil e R$ 10 mil (de 2,11% ao ano para 1,84% ao ano) e naqueles com montante mínimo entre R$ 10 mil e R$ 25 mil (de 1,61% ao ano para 1,25% ao ano).
No entanto, mesmo após as reduções, o custo médio dos fundos DI mais acessíveis continua alto, quando comparado ao rendimento da caderneta de poupança. De acordo com as simulações, para uma aplicação em fundos conservadores ser mais rentável do que a poupança, a taxa de administração máxima deve ficar em torno de 1% ao ano. O custo médio das carteiras mais baratas oferecidas pelos grandes bancos é, pelo menos, 25% maior.
A situação dos fundos mais populares da categoria renda fixa é semelhante. A taxa média caiu de 1,13% ao ano para 1,11% ao ano, sendo que as carteiras com aplicação mínima inicial nas faixas de até R$ 1 mil, entre R$ 1 mil e R$ 10 mil e entre R$ 10 mil e R$ 25 mil tiveram as maiores reduções. Em 2011 eram de 3,45% ao ano, 1,82% ao ano e 1,15% ao ano, respectivamente. Em 2012 caíram para 2,65% ao ano, 1,49% ao ano e 1,08% ao ano, respectivamente.
O mercado de fundos de investimento populares no Brasil continua muito fragmentado, com excessiva segmentação e custos elevados. Isso sem mencionar a estrutura tributária, que taxa os rendimentos do investidor com alíquotas variáveis de acordo com o prazo da aplicação. Além de descontar o Imposto de Renda semestralmente, nos meses de maio e novembro, mesmo se o aplicador não movimentar o investimento.
Os números mostram que a excessiva complexidade afasta os investidores, que estão preferindo a simplicidade e maior rentabilidade da poupança.
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