1 | Postado por: Marcelo d'Agosto Seção: Investimentos

Fundos sofrem para reter aplicadores

De cada 10 fundos DI que não possuem restrição no regulamento em relação ao público alvo e que conseguem reunir mais de mil cotistas, sete começaram o mês de junho com saques. Entre as carteiras de renda fixa, 58% tiveram resgates.

O tamanho do mercado é significativo. A soma do total do patrimônio líquido das carteiras populares é de R$ 280 bilhões, montante 40% inferior ao volume de depósitos na caderneta de poupança, que chega perto de R$ 450 bilhões.

O gráfico abaixo resume o desempenho dos fundos mais populares das categorias DI e renda fixa no mês de junho, até o dia 19. Foram poucos os que conseguiram atrair captação em montante suficiente para superar a perda de patrimônio.

Tudo indica que o principal responsável pela baixa procura dos investidores pelos fundos é o valor da taxa de administração, que impacta diretamente na rentabilidade. Na média desse grupo de carteiras, o custo é de 1,62% ao ano para os fundos DI e de 1,68% ao ano para os de renda fixa. Nesse patamar, o ganho final do aplicador perde para a poupança.

Desde que o Banco Central decidiu cortar a taxa básica de juros, os fundos de varejo começaram a enfrentar competição acirrada da caderneta. Apesar de o governo ter alterado a regra de remuneração dos novos depósitos realizados a partir de 4 de maio, a tradicional aplicação continua competitiva em relação aos fundos com taxa de administração acima de 1% ao ano.

Os administradores de recursos, por sua vez, têm sido lentos na decisão de cortar mais agressivamente as taxas de administração. A aposta é que a inércia dos aplicadores reduza a velocidade de migração entre as aplicações.

Os números indicam que a disposição dos investidores começa a mudar e a tendência é que o movimento de resgates dos fundos populares continue.

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