1 | Postado por: Marcelo d'Agosto Seção: Juro

Com juros de BRICs desafios são maiores

Com a taxa básica de juros no Brasil caminhando para patamares internacionais, os investidores que estavam acostumados com a elevada rentabilidade das operações de renda fixa estão tendo que ficar atentos a novas oportunidades.

Desde janeiro de 2007, a taxa Selic caiu de 13% ao ano para o 8,5% ao ano, atingindo o recorde histórico de baixa. E ficou mais próxima dos níveis praticados nos demais países.

Segundo dados coletados pelo Banco Central (BC), a taxa oficial de juros na Rússia, que era de 10,5% ao ano no começo de 2007, está fixada atualmente em 8% ao ano. Na Índia os juros oficiais também estão em 8% ao ano, pouco acima do que é praticado na China, onde são de 6,31% ao ano.

A convergência das taxas de juros praticadas nos países que formam o bloco dos BRICs decorre, em boa medida, dos efeitos da persistente crise financeira que continua afetando a economia dos países desenvolvidos.

Nos Estados Unidos os juros estão na faixa entre 0% e 0,25% ao ano desde dezembro de 2008 e nos países que fazem parte da área do Euro, foram fixados em 1% ao ano desde maio de 2009. No Japão, país que convive há mais tempo com os efeitos do baixo crescimento econômico, os juros são de 0,10% ao ano há mais de três anos.

O cenário mundial para as taxas de juros, inclusive no Brasil, é de baixa. A consequência é que pra tentar aumentar o ganho, mas sem correr o risco das aplicações em renda variável, os investidores conservadores estão mais propensos a avaliar as alternativas disponíveis.

No mercado local, uma possibilidade cada vez mais popular é aplicar em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de bancos menores. Devido às características operacionais dos bancos focados em determinados segmentos de mercado, tais como crédito consignado ou empréstimos a empresas de médio porte, a margem de lucro dessas instituições tende a ser maior.

Como consequência, uma parte do ganho adicional pode ser dividida com os investidores, por meio da elevação da remuneração dos CDBs. No fim, é um acordo que beneficia tanto o banco, que consegue mais recursos para financiar as operações, quanto os aplicadores, que recebem remuneração acima do mercado.

O aplicador conta, ainda, com o conforto de o CDB possuir a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações de até R$ 70 mil.

O FGC é um fundo privado, constituído a partir da arrecadação compulsória de parte dos montantes captados por todas as instituições financeiras autorizadas a operar pelo BC. Em caso de quebra do banco emissor do título, o FGC arca com o prejuízo do investidor, dentro de determinados limites e condições.

Mas o funcionamento do FGC possui algumas características importantes que diferem de uma seguradora tradicional. Nos anos recentes a atuação do fundo tem se tornado mais complexa.

Com a atribuição de ajudar o BC na manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro, o FGC passou a usar parte dos recursos financeiros da carteira para comprar títulos e ativos de bancos em dificuldades. Isso contribuiu para diminuir a solidez do mecanismo, já que ele passou a garantir algumas instituições em que também é credor.

O FGC tem a prerrogativa adicional de financiar a aquisição de bancos que estão em dificuldades para que possam ser adquiridos por outros mais sólidos. Se a fusão das instituições der errado, o FGC assume o risco de parte do prejuízo, o que pode reduzir o valor da carteira.

A correta formalização da operação é uma preocupação importante que o investidor deve ter se espera poder contar com a garantia do FGC. Isso é válido especialmente nas operações envolvendo as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), que são emitidas a partir de um lastro originado por empréstimos imobiliários.

As LCIs são semelhantes aos CDBs, também são garantidas pelo FGC e possuem a vantagem de não serem tributadas pelo imposto de renda sobre os rendimentos. Dessa forma, podem ser alternativas atraentes para os recursos de curto prazo, quando os ganhos com os juros podem ser taxados em até 22,5%.

Em pouco mais de um ano, devido ao agravamento da crise financeira internacional, o BC encontrou problemas na administração de seis instituições financeiras. Em cinco, conforme entrevista do diretor de fiscalização da autoridade monetária à Fernando Travaglini e Vanessa Adachi, do Valor, foram detectados indícios de fraudes.

Em todos os casos em que houve necessidade, até agora, os detentores de títulos emitidos pelos bancos em dificuldades foram ressarcidos pelo FGC, na forma prevista.

Mas é sempre bom ser prudente e prestar atenção a todos os riscos para não contar apenas com a garantia do FGC.

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