Direto ao ponto
Se tem algo que o governo não pretende deixar sair dos parâmetros que considera adequados para garantir competitividade às empresas brasileiras sem provocar efeitos desastrosos na inflação é a taxa de câmbio. E o Banco Central, para quem parâmetros de câmbio são inconfessáveis, deixa clara a determinação do governo nesta manhã. O dólar vem oscilando entre R$ 2,00 e R$ 2,10 há cerca de três meses. E é exatamente essa banda de flutuação que parece estar de bom tamanho para manter os empresários especialmente da indústria menos aflitos, os especialistas em inflação mais tranquilos e o ministro da Fazenda em oportuno silêncio.
Bastou o dólar ameaçar cair abaixo de R$ 2,00 nesta terça-feira e o BC indicou às instituições financeiras a possibilidade de realizar uma operação equivalente à compra de dólar no mercado futuro. Revelada a intenção, que já contribuiu para dar alguma sustentação à moeda, veio o fato. Isto é, a decisão de vender contratos de swap cambial reverso ou, em português, a decisão do BC de adquirir até US$ 2,5 bilhões. O objetivo é cristalino: enxugar um pouco mais o mercado de câmbio e segurar o preço da moeda.
A operação teve um resultado tão modesto – equivalente a US$ 350 milhões –, que pode ser interpretado como sinal de que o mercado não se mostra confortável para apostar em dólar abaixo de R$ 2. Sendo assim, está tudo certo.
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