LFT, em inglês
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou hoje que vai começar a desenvolver títulos com taxas flutuantes. O primeiro leilão de venda deve ocorrer em um ano e as colocações poderão ser feitas com retorno negativo. A sinalização é coerente com a meta para o juro básico americano mantida entre zero e 0,25% ao ano desde 2008 e a decisão do Federal Reserve de conservar o custo do dinheiro nesse patamar historicamente baixo até o fim de 2014.
Oficialmente, os títulos indexados a taxa flutuante (floating-rate notes, ou FRN) estão no radar dos Estados Unidos há vários meses, desde que um comitê de aconselhamento do Tesouro sugeriu que esse tipo de papel poderia complementar o leque de atuais produtos oferecidos pelo Tesouro na gestão da dívida, relata Daniela Machado, do Valor.
Após consulta ao mercado financeiro, ficou claro que há interesse pelo papel desde que seu prazo não supere dois anos. Ainda não há consenso sobre o indexador, embora boa parte dos bancos considere as "fed funds" efetivas - a taxa overnight controlada pelo Federal Reserve - a melhor opção por ser um instrumento bem conhecido. Lançamentos de novos títulos não são frequentes nos Estados Unidos, onde a dívida pública total é de US$ 15,85 trilhões e ultrapassa a marca de 100% do Produto Interno Bruto (PIB). A última vez em que isso ocorreu foi há 15 anos, com a estreia das chamadas TIPS, notas atreladas à inflação ao consumidor, que não ganharam forte liquidez.
No Brasil, a LFT, criada em meados da década de 1980 em um cenário de inflação galopante, sempre teve seu retorno atrelado à taxa básica do país. E sua participação no estoque da dívida pública mobiliária vem sofrendo importante redução ao longo do tempo. Atualmente, esse títulos responde por cerca de um quarto do total da dívida, mas já chegou a 80% em períodos de hiperinflação.
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