| Postado por: Angela Bittencourt Seção: Atividade

Exceção sem graça

Brent Lewin/Bloomberg

Num dia lotado de indicadores industriais no mundo e com resultados negativos, o Brasil também apresentou o seu. E, contrariando os demais. Na China, na zona do euro e no Reino Unido, os dados continuam desanimadores, ampliando as expectativas com uma ação dos bancos centrais que anunciam decisões de política monetária entre hoje e amanhã. Por aqui, a produção industrial saiu de uma queda de 1% em maio para alta de 0,20% em junho. Essa variação interrompeu três quedas mensais consecutivas, mas sequer chegou à metade da projeção média de expansão de 0,50% esperada por economistas consultados pelo Valor Data. Dá pra comemorar ou tirar a razão do governo em buscar alternativas para estimular a atividade?

A expectativa de que o setor teria reação um pouco mais forte em decorrência da taxa de câmbio mais desvalorizada, do juro mais baixo e redução do IPI para automóveis não se confirmou com o vigor necessário. Importante lembrar, porém, que o câmbio entrou em relativo equilíbrio no patamar de R$ 2,00 em meados de maio e a redução do IPI, na terceira semana de maio. Talvez a indústria melhore em julho. Mas pense bem antes de apostar.

Apesar do fiasco recorrente do setor, Tainara Machado, do Valor, relata que a indústria brasileira reconquistou a preferência dos investidores estrangeiros, que andava recaindo sobre o setor de serviços. No primeiro semestre, o ingresso de investimentos estrangeiros diretos para aquisições de participação no capital de empresas industriais foi de US$ 12,9 bilhões, com aumento de 33%.

O capital estrangeiro na indústria está seguindo a trilha do consumo doméstico, que continua forte e com crescimento superior ao da demanda dos países desenvolvidos da Europa e Estados Unidos. Depois da metalurgia, são os setores alimentício e farmacêutico que receberam mais aportes externos ou foram alvos diretos de fusões e aquisições. Esse mercado de compras esteve bastante aquecido no período e o movimento foi puxado pelos investidores externos, que participaram de mais da metade (225) das 433 operações registradas pela consultoria KPMG.

O mercado interno é um dos grandes atrativos. Os segmentos mais expostos à concorrência dos importados e com crescentes custos de produção, como produtos químicos e derivados de petróleo, já não atraem tanto o capital estrangeiro.

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