| Postado por: Angela Bittencourt

A ata é nossa!

O Banco Central (BC) não perdeu tempo. Mal o FMI distribuiu um relatório em que analisa a economia brasileira no fim da manhã, o BC soltou nota oficial destacando pontos que suscitam uma dúvida: de quem é a ata do Copom?

A nota do BC chama atenção para o texto do FMI que corrobora afirmações da ata divulgada ontem. Entre elas, a expectativa de que a economia brasileira vai se acelerar no segundo semestre deste ano, devendo crescer em torno de 4% a 4,5% ao ano em 2013-2014.

De carona no documento do Fundo, o BC acrescenta que o  FMI vê a desaceleração observada por aqui no final de 2011 como  fruto, em grande parte,  da deterioração mais forte do que antecipada do quadro externo, que afetou a confiança dos empresários. Segundo o BC, o FMI também aponta que as políticas adotadas desde agosto de 2011 promoverão uma recuperação gradual da atividade econômica brasileira.

“O relatório aponta ainda que a inflação está convergindo para o centro da meta e se manterá em torno dela em 2013. Sobre o sistema financeiro, a avaliação é que ele está robusto, bem regulado e tem supervisão e provisões adequadas”, afirma a autoridade monetária.

Alex Ribeiro, correspondente do Valor em Washington, relata que os técnicos do Fundo consideram adequado o “mix” de política fiscal e monetária adotado pelo Brasil, mas chamam a atenção para a questão inflacionária. Para eles, as autoridades brasileiras devem estar atentas para, eventualmente, reverter os estímulos à economia a fim de garantir o cumprimento das metas de inflação.

Nesta sexta-feira, pela primeira vez em sua história, o FMI divulgou o relatório sobre o Brasil preparado pelos seus técnicos, conhecido como “staff report”, dentro das consultas do chamado artigo IV. Este é um artigo do estatuto do FMI que determina que o organismo faça uma revisão anual da situação econômica de cada um de seus países-membros.

Os técnicos do FMI preveem a recuperação da economia brasileira no fim do ano. Eles consideram que o sistema financeiro é sólido, mas alertam que o aumento do crédito às pessoas físicas é um ponto de preocupação. Também acreditam que o Brasil tem margem de manobra para enfrentar eventuais piora na crise da Europa e queda nos preços das commodities.

O FMI alerta, por outro lado, para a necessidade de o Brasil reequilibrar a economia, tornando-a menos dependente do consumo e apoiando-a mais no investimento e nas exportações. “Um tema central será a eventual reversão dos estímulos para manter a inflação na meta em 2013”. Os técnicos do FMI também chamam a atenção para o fato de os preços no atacado terem subido, “o que pode refletir nascente 'pass through' da taxa de câmbio mais fraca”.

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