Antes o ruim do que o péssimo
Embora tenha acontecido por “motivos errados”, a convergência do juro brasileiro de um patamar nominal médio de 15% ao ano para cerca de 2 a 3% ao ano é um fato, e a equipe de gestão do Fundo Verde do Credit Suisse Hedging-Griffo reconhece que existem bons motivos para comemoração. Um deles é a série de minirreformas que acabaram acontecendo para que fosse evitada uma crise “muitíssimo” mais profunda da indústria nacional.
O relatório divulgado ontem pelos analistas chefiados por Luis Stulhberger explica que essas minirreformas foram decorrentes da constatação da presidente Dilma Rousseff de que o modelo [de crescimento] havia chegado ao fim, exigindo providências urgentes para evitar crise mais aguda na indústria. Isso abriu espaço para se considerar desoneração tributária, diminuição do encargo previdenciário patronal, queda no preço de energia, algum protecionismo, câmbio mais depreciado e um olhar mais atento e restritivo para os gastos públicos, apesar de a presidente Dilma estar em seu segundo ano de governo.
A equipe do Fundo Verde pondera que entre essas medidas existem algumas positivas e outras polêmicas, podendo as polêmicas serem classificadas como “antes o ruim do que o péssimo”.
Outra razão a comemorar é o fato de a taxa Selic, próxima de 7% ao ano, permitir ao Brasil uma prorrogação do “modelo esgotado”. Para o CSHG, o Brasil nunca usufruiu o benefício de ativos de longo prazo com juros civilizados, a não ser as empresas contempladas com financiamento do BNDES pela TJLP – que já nem parece mais tão baixa. “Nesse sentido, os setores imobiliário e de investimento privado certamente serão os grandes beneficiados.”
Além disso, acrescentam os analistas, o ciclo de commodities não está totalmente encerrado, o que ainda permitirá muito desenvolvimento para as regiões rurais do país.
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