Todos juntos
O Federal Reserve é o segundo banco central a entrar na história pra lá de intrigante sobre a manipulação da Libor durante a crise financeira de 2008, que patrocinou a queda de três altos executivos do Barclays e ganha novos capítulos a cada dia. Amanhã, o BC americano deve divulgar documentos mostrando que a sua unidade de Nova York agiu rapidamente no pós-Lehman Brothers para identificar problemas com a Libor e sugerir mudanças. Há dois dias, a notícia era que o Fed teria tomado conhecimento das falhas no processo de definição da taxa global. Também nesta semana, Paul Tucker, vice-presidente do BC da Inglaterra, negou ter encorajado qualquer instituição a divulgar taxas artificialmente baixas para o cálculo da Libor.
Apesar do foco nos BCs, a novela promete ser longa. Até agora, entre os bancos privados, sobrou para o Barclays. Mas Citigroup, Deutsche Bank, HSBC, J.P. Morgan Chase e Royal Bank of Scotland já informaram que estão sob investigação.
Em depoimento a parlamentares britânicos no início da semana, Tucker contestou a versão dos fatos relatada pelo ex-presidente-executivo do Barclays Robert Diamond, que, em nota, havia afirmado que durante uma ligação telefônica, em outubro de 2008, Tucker manifestou preocupação de altos representantes do governo sobre as taxas acima da média divulgadas pelo Barclays.
A pressão sobre Diamond aumentou depois que o Barclays concordou em pagar US$ 453 milhões para encerrar uma investigação de órgãos reguladores dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que mostrou que operadores da instituição tentaram manipular a Libor.
O Wall Street Journal apresentou há poucos dias em seu blog a relação das 15 instituições supostamente envolvidas na manipulação da Libor durante a crise, segundo documentos oficiais. São elas por ordem alfabética: Bank of Tokyo-Mitsubishi, Citigroup Inc., Credit Suisse Group, Deutsche Bank, HSBC Holdings, ICAP, J.P. Morgan Chase, Lloyds Banking Group, Mizuho Financial Group, Rabobank Groep, Royal Bank of Scotland, RP Martin Holdings, Société Générale, Sumitomo Mitsui e UBS.
O J.P. Morgan também está sendo investigado nos Estados Unidos, mas pelo órgão regulador do setor elétrico por supostamente ter manipulado os mercados de energia na Califórnia e no Meio-Oeste americano.
O Financial Times publicou em seu site, na semana passada, documentos relacionados ao inquérito, informando que a Comissão Reguladora Federal de Energia (Ferc, na sigla em inglês) intimou o banco duas vezes nos últimos meses para pedir informações sobre as práticas de negociação do J.P. Morgan — as quais o regulador estima que podem ter inflado os custos da energia em US$ 73 milhões.
Em suas demonstrações financeiras trimestrais mais recentes, o banco mencionou a existência da investigação, mas não revelou detalhes sobre ela, reportou o FT.
- Anterior Realinhamento possível e necessário
- Próximo Golpes de misericórdia

