Aqui tudo certo, lá nada em ordem
O mercado espera mais do mesmo, mas a reunião do Comitê de Política Monetária é o evento da semana no Brasil. A taxa Selic deve cair a 8%, com o ciclo de alívio monetário avançando a 450 pontos percentuais. Mas o encontro acontece num momento emblemático. Alemanha, França e Itália, com direito a bis, tentarão levantar recursos em leilões de títulos quando os yields dos países periféricos já sepultaram a melhora alcançada logo após a cúpula da União Europeia. A Espanha pode finalmente descobrir quais são os termos do empréstimo aos seus bancos. E o Federal Reserve divulga sua ata algumas horas antes de o Copom apresentar sua decisão sobre a Selic e o esperado comunicado.
Hoje os mercados estarão fechados no Brasil em decorrência do feriado em São Paulo, mas a atenção de outras praças – especialmente Brasília – estará voltada para as operações na Europa, onde o ambiente tende a ficar mais turvo porque a ampla oferta de recursos e a queda de juros garantidos por bancos centrais por depósitos começam a provocar ruído nos bancos.
Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) cortou a zero a remuneração a depósitos feitos pelos bancos. Essa decisão levou três instituições americanas – J.P.Morgan Chase, Blackrock e Goldman Sachs – a comunicarem aos clientes que estão fechando seus fundos de mercado monetário a novos investidores em virtude da providência tomada pelo BCE. Também na semana passada, para arrepio dos banqueiros, o BC da Dinamarca inovou e derrubou a 0,2% negativos o retorno assegurado aos bancos por seus depósitos.
De quebra, durante um tour de inspeção à província oriental de Jiangsu, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou, segundo a agência de notícias Xinhua, que a economia chinesa está rodando a um ritmo estável de maneira geral, mas que ainda enfrenta "grande pressão à frente". Ele afirmou ainda que o governo deve prosseguir com políticas fiscais proativas e políticas monetárias prudentes.As declarações já repercutem nos mercados asiáticos.
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