Bancos centrais sob pressão
Prêmios de risco a níveis recordes, taxas crescentes de retorno de títulos de governos europeus, indefinição do socorro financeiro aos bancos espanhóis, rebaixamento do rating do país e mais uma rodada de rebaixamento de bancos europeus, incluindo ING e ABN, elevam a temperatura dos mercados neste início de semana lotado de leilões de dívida soberana. Estarão em mercado levantando dinheiro a França, a Espanha (com direito a reprise), a Grécia e a Alemanha. A pressão que os investidores poderão exercer sobre esses leilões aumenta a urgência da ação orquestrada dos bancos centrais para assegurar a liquidez nos sistemas bancários e, especialmente, das transações interbancárias.
Na vitrine, os bancos centrais estarão expostos a novos testes de comunicação. O forte aumento da volatilidade macroeconômica decorrente da crise de 2008 tem levado a uma revisão de toda a atuação tradicional dos bancos centrais, de modo a incorporar os novos desafios e riscos no gerenciamento da política monetária, exigindo uma comunicação mais transparente.
Robson Rodrigues Pereira, economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, alerta que a partir da crise vários conceitos conhecidos por parte do mercado – e que permeavam a atuação das autoridades monetárias – foram ampliados ou repensados. Entre eles, a reponderação dos objetivos da estabilidade monetária e financeira; a adoção mais frequente de medidas regulatórias como instrumento de política monetária e a redefinição de sua relação com a taxa de juro; o redimensionamento do impacto dos fluxos de capitais sobre o crédito interno; e a ampliação da coordenação entre as políticas monetária, cambial e fiscal.
Para esse especialista em comunicação de bancos centrais, o atual momento de excepcionalidade e de elevação da volatilidade exige maior abertura, compartilhamento das percepções e também de incertezas que estão presentes no processo decisório e de avaliação de riscos pelos BCs.
Maior volatilidade também impõe custos associados à transparência, lembra o economista. Esse ponto foi levantado pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, no Seminário de Metas para a Inflação, quando enfatizou o quadro global “excepcionalmente complexo” que gera a necessidade de ajustes mais frequentes de cenário. Nesse sentido, Tombini reconheceu a existência de um trade-off entre transparência e mudanças mais frequentes nas sinalizações do BC, o que pode trazer custos em termos de credibilidade.
“Essa possibilidade de mudanças rápidas e inesperadas na comunicação e sinalização dos BCs, desde que com suas motivações bem explicadas, não deve ser vista de forma negativa pelo mercado. Não devendo, portanto, impor custos elevados de reputação”, avalia o economista do Bradesco, que chama atenção para a nova realidade, imposta em um período que futuramente pode vir a ser chamado de “Grande Imoderação”.
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