Ruídos na política monetária
O mercado comprou a ideia de que o Banco Central (BC) levará a taxa Selic a uma nova mínima histórica, de 8% ou menos, ainda neste ano e uma mudança de opinião vai dar trabalho à autoridade monetária. Em contraponto, as instituições financeiras veem a inflação resistente na casa de 5% com chance de subir ainda mais – neste ano e no próximo. E a decisão da presidente Dilma Roussef de agrupar em uma medida provisória, publicada hoje no Diário Oficial, reajustes salariais de quase duas dezenas de carreiras do funcionalismo – mesmo contemplado no Orçamento – não favorece em nada a posição do BC que já não é visto como único interlocutor oficial sobre a política monetária.
Lucinda Pinto e Beth Cataldo, do Valor, relatam em reportagem publicada nesta segunda-feira que a condução da política monetária ganhou, claramente, novos componentes, que demarcam um terreno ainda desconhecido pelo mercado financeiro.
O primeiro aspecto é a participação ostensiva do Ministério da Fazenda, que agora transmite os sinais sobre o rumo dos juros e é tão ouvido pelo mercado quanto o próprio BC. Outro ponto crucial é o deslocamento do foco para os dados de atividade econômica, e não apenas de inflação. A moldura final desse novo cenário é a alta volatilidade dos ativos e das projeções.
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