Centro da meta ainda em foco
O Relatório de Inflação do primeiro trimestre sai nesta semana e será a última comunicação formal do Banco Central (BC) com o mercado financeiro antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de abril, quando o ciclo de queda do juro no país poderá ser encerrado. A comunicação indiscutivelmente transparente do BC nas últimas duas atas do Copom alimenta a expectativa com essa edição do relatório. Em janeiro, a ata sinalizou juro de um dígito. Em março, estabeleceu um limite para o alívio monetário que deve alcançar 350 pontos-básicos.
Esse Relatório de Inflação, que deve ser divulgado obrigatoriamente até o fim de março, vai trazer projeções da instituição para a inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano. O lembrete partiu de Alexandre Tombini que, na sexta-feira em evento realizado em São Paulo, contextualizou a inflação brasileira entre as maiores economias do mundo. O índice de preços ao consumidor no Brasil no ano passado, apontou, foi o segundo maior de um elenco de dez países. Mas o índice de preços ao produtor foi o terceiro menor. Tombini não disse, mas isso é bom. A queda dos preços industriais pode arrastar os preços ao consumidor mais adiante, ajudando o BC na execução da política monetária para o controle da inflação.
O presidente do BC insistiu que o cenário internacional é desinflacionário. E isso pode equilibrar o jogo da política monetária da economia brasileira que vai crescer mais no segundo semestre. Ele também mostrou que a inflação está em convergência para o centro da meta em várias medidas. Os índices ao produtor e ao atacado sobem menos de 2% em 12 meses. Os índices gerais de preços têm alta inferior a 3,5% no mesmo período. “E essa dinâmica, em parte, já se reflete nos preços ao consumidor, que estão em queda desde o terceiro trimestre do ano passado”, disse.
Embora parte do mercado considere que o BC jogou a toalha quanto ao cumprimento rigoroso da meta de inflação, inclusive por ter acelerado o corte da taxa básica de juro, Tombini sinalizou que o BC não rasgou o sistema de metas, que não se conforma com uma inflação alta e vai fazer o que for necessário para levar a inflação para o alvo de 4,5%.
Em tempo: a apresentação feita por Tombini em São Paulo foi elaborada originalmente para sua audiência pública na Comissão Mista de Orçamento e que acabou cancelada.
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