Credor externo líquido?
Uma opção de contabilidade feita pelo Banco Central coloca em xeque um dos trunfos repetidos à exaustão no governo Lula que pode ser apropriado pela presidente Dilma. O discurso oficial diz que o Brasil é credor líquido externo. O padrão estatístico eleito pelo BC para registro das contas brasileiras mostra o contrário. O Brasil ainda é devedor. Os empréstimos intercompanhias fazem a diferença.
Em junho, as reservas internacionais brasileiras aproximaram-se de US$ 336 bilhões e superaram em 17% a dívida externa total do país. No “conceito ampliado” de dívida externa total, incluindo empréstimos intercompanhias, as reservas estão 14% abaixo do endividamento que avança à marca de US$ 400 bilhões.
O BC optou por incluir os empréstimos intercompanhias na dívida externa total, seguindo uma minoria de países. A maioria dos bancos centrais adota outra metodologia – a que não inclui nos cálculos esse tipo de empréstimo que, no Brasil, vem gerando polêmica.
Após as recentes medidas do governo para tentar limitar a entrada de capital estrangeiro, como a aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para captações com prazos inferiores a dois anos, as empresas encontraram nos empréstimos intercompanhias um novo mecanismo para escapar das amarras.
As empresas realizam operações de empréstimos no exterior a taxas mais baixas, e repassam para as filiais brasileiras. Esses recursos entram no Balanço de Pagamento sob a rubrica Investimento Estrangeiro Direto (IED), isento de IOF.
