Dilma e a crise europeia
O discurso da presidente Dilma Rousseff em sua primeira viagem oficial à Europa, a partir do próximo sábado, deverá ser marcado por duas premissas: a via do crescimento como resposta mais adequada à crise econômica que estremece os países da região e a negociação de um desconto na dívida da Grécia para resgatá-la do impasse em que se debate. A oportunidade para brandir esses argumentos será a V Cúpula Brasil-União Europeia, que acontece em Bruxelas, nos próximos dias 3 e 4.
A rigor, não são argumentos novos. Na entrevista coletiva que concedeu em Nova York, na semana passada, Dilma Rousseff foi enfática ao condenar soluções recessivas para a crise financeira internacional. “Eu não acredito, de maneira alguma, que se saia da crise produzindo recessão. (...) Quando você reduz o crescimento, reduz a capacidade da economia pagar suas dívidas”, afirmou aos jornalistas. Mais adiante, emendou: “Agora, eu acredito que vai ser necessário desvalorizar as dívidas existentes”.
Na mesma entrevista, a presidente mencionou a experiência brasileira de “duas décadas perdidas” pela aplicação de estratégias recessivas para superação de crises financeiras. “A saída é o crescimento”, reforça um de seus assessores. A profissão de fé na opção pelo crescimento faz parte do receituário clássico da vertente desenvolvimentista a que se alinha a presidente. E que tem frequentado com assiduidade suas manifestações públicas. São convicções sólidas e que dificilmente seriam deixadas de lado, mesmo se circunstâncias mais adversas atingirem a economia brasileira.
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