Fazenda do lado do BC
O Banco Central está preocupado com a inflação na meta este ano? Um seleto grupo de bancos vem fazendo essa pergunta desde o início da semana e a ata do Copom não esclareceu a questão. Mas a iniciativa do governo de adiar para 2012 a alta do imposto sobre o cigarro sugere que, além do BC, o Ministério da Fazenda está atento ao cumprimento do regime de metas para a inflação – pautado pela meta central de 4,5% com tolerância de 2 pontos para cima e para baixo.
Se entrasse em vigor em dezembro deste ano, como se previa originalmente, o aumento do imposto sobre o cigarro, que pesa 1% no IPCA, elevaria a inflação em 0,20 ponto percentual. Ao adiar o aumento, a Fazenda deu uma contribuição para que o índice não fure o teto da meta (6,5%), o que dispensa o presidente do BC de enviar uma carta ao ministro Guido Mantega explicando o porquê de a instituição não ter cumprido sua tarefa, mas não livrou a autoridade monetária de dificuldades futuras.
A decisão tomada no caso do imposto sobre o cigarro é importante, mas considerada ainda modesta para coordenar a expectativa crescente de que o cumprimento do regime de metas no Brasil foi para as calendas. Credenciada fonte bancária alerta sobre a relevância de o BC insistir na sinalização de que o “regime não está morto”. Ao blog Casa das Caldeiras, essa fonte pondera que o adiamento da alta do imposto do cigarro é um gesto acanhado do governo, que pode estar preparando outras iniciativas – a fim de conter pressões inflacionárias - que podem mexer com os cofres da União e preservar a credibilidade do BC.
Nesse sentido, uma alternativa cogitada entre especialistas para frear a inflação no curto prazo é a redução da CIDE - a Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico, criada por emenda constitucional em 2001. A CIDE é cobrada sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás e álcool etílico.
“Possivelmente existem outras alternativas, mas com foco no curto prazo. Ok se a inflação não estoura o teto da meta neste ano. Mas a preocupação com o ritmo da inflação no ano que vem não chega a ser atenuada. É bom lembrar que 2012 não parece nada tranquilo com as pressões já contratadas. Entre elas, o aumento do salário mínimo”, argumenta um especialista.
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