Novo indicador, APPs e fundo são propostas da CNA na Rio+20

RIO - A criação de um novo indicador, o Índice Global de Desenvolvimento Sustentável, a proposta de criação de um conceito mundial de Áreas de Proteção Permanente (APPs) e a criação de um fundo internacional para financiamento e difusão de tecnologia, que contribua para o incremento agropecuário sem danos ao meio ambiente, foram as propostas defendidas  pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em sua participação nos eventos paralelos à Rio+20. A instituição divulgou, nesta segunda-feira, 18, documento que faz um grande balanço do cenário atual do agronegócio brasileiro, no pavilhão Agro Brasil – exposição permanente do setor , no Pier Mauá, ligada às manifestações paralelas à conferência.

A presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu, explicou que a metodologia do novo indicador está sendo elaborada pela entidade e será anunciada após o término da Rio+20. Sem dar maiores detalhes sobre qual seria o arcabouço metodológico do novo índice, explicou que ele funcionaria à semelhança do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) e posteriormente adotado pelos países para mensurar avanços nas áreas social e de educação.

Elza Fiúza/ABr
A senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Breu

Na prática, o novo indicador propõe quatro variáveis: sociais, demográficas, econômicas e de meio ambiente. Quando finalizada, a proposta da CNA seria divulgada e encaminhada para o poder público e formadores de opinião, que adotariam ou não o novo indicador. Na avaliação da senadora, a adoção de um indicador como este, pelo maior número possível de países, poderia ajudar a melhorar a elaboração de políticas públicas para o campo, principalmente porque concederia uma melhor visão sobre o impacto da realidade sócio-econômica no meio ambiente.

Outro ponto defendido pela CNA é a elaboração de um fundo internacional para financiamento e difusão de tecnologia para desenvolvimento agrícola e pecuário com respeito ao meio ambiente. Sobre este fundo, a ideia da CNA é de que todos os países contribuam para sua formação com recursos próprios.

A senadora informou ainda que a entidade é a favor da adoção de um conceito mundial de APPs. A ideia é de que cada país adote um perfil de APPs, mas com ressalvas: o arcabouço legal de cada uma das APPS seria ajustado às características e necessidades de cada país. “Para nós, é um conceito da maior importância”, frisou.

Mesmo defendendo um conceito mundial de APPs, isso não significa que a CNA é a favor de uma agência ambiental das Nações Unidas, afirmou a senadora. “Sou contrária à criação de uma agência ambiental [global]”, afirmou, acrescentando que a ideia da entidade é lutar para que estados e municípios possam definir suas próprias regras a respeito de meio ambiente, respeitando suas demandas específicas por meio de informações técnicas a serem fornecidas dentro do âmbito das APPs, e não  por meio de regras unificadas a serem lançadas por uma entidade global.

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