BC da Argentina suspende uso de dólar para transações imobiliárias
BUENOS AIRES - O Banco Central da Argentina deixou de aprovar a aquisição de moeda estrangeira para o pagamento de compra de imóveis, em mais um esforço para eliminar o disseminado usado do dólar para compra de bens de elevado valor, como residências, segundo afirmou a presidente do órgão Mercedes Marco del Pont.
Os compradores de imóveis terão de “fazer os pagamentos em pesos”, disse Marco del Pont, em entrevista publicada nesta sexta-feira, 6, no jornal Pagina 12.
Os argentinos que já tem um financiamento imobiliário denominado em dólar poderão adquirir a moeda até 31 de outubro, mas “depois disso, acabarão as hipotecas denominadas em dólar”, disse a presidente do BC. Segundo ela, esse é “um passo adiante” no esforço para eliminar a dolarização no mercado imobiliário.
No início desta semana, o BC anunciou várias mudanças profundas em sua política cambial. O BC não mais aprova pedidos de compra de moeda estrangeira para fins não especificados, em uma tentativa para limitar a fuga de capital.
As novas regras não vão bloquear as transações no mercado imobiliário, caso o comprador já tenha dólares, mas os interessados em adquirir um imóvel não poderão comprar dólares no mercado oficial, segundo um funcionário do BC.
Os argentinos têm uma longa tradição de precificar e pagar imóveis em dólar, por causa do histórico de inflação elevada e desvalorizações cambiais do país.
Desde o fim de outubro de 2011, a presidente Cristina Kirchner vem restringindo severamente o acesso dos argentinos ao dólar, com objetivo de proteger as reservas internacionais do Banco Central. No ano passado, a fuga de capital atingiu US$ 21,5 bilhões.
O governo argentino planeja usar US$ 5,67 bilhões das reservas este ano para pagar o serviço da dívida.
Essas medidas estão afetando fortemente o mercado de imóveis residenciais, com os compradores sem acesso a dólares, enquanto os vendedores optam por tirar suas propriedades do mercado em vez de aceitar pagamentos em pesos.
As vendas de imóveis residenciais novos e usados na capital Buenos Aires despencaram 25% ao ano em abril, de acordo com dados dos cartórios da cidade.
Argentinos desesperados para comprar dólares estão pagando ao redor de 5,95 pesos por dólar no mercado paralelo, comparado com a taxa oficial de 4,5295 pesos.
(Dow Jones Newswires)


