Sai o possante, entram os châteaux
Quando decidiram entrar para o negócio dos vinhos, as mineiras Michelle e Raquel sentiam que não seria boa ideia disputar mercado com os grandes importadores de Belo Horizonte. Levaram meses debruçadas em um plano de negócios que no fim colocou-as no nicho dos chamados vinhos de garagem.
São vinhos de produção restrita, alta qualidade e feitos em muitos casos por pequenos produtores que conseguem disputar consumidores com os grandes. A aposta deu resultado: em menos de um ano, elas vendem suas preciosidades para mais de 30 restaurantes da capital mineira e para amantes do vinho em diversas cidades do país, pelo site.
A importadora, a Blanc de Noir, tem hoje 31 rótulos - apenas oito não exclusivos da empresa no Brasil. Michelle Deslandes Ribas e Raquel Batista Araujo, ambas com 31 anos, estão entre os responsáveis pelos sabores do evento gastronômico de Tiradentes deste ano. Seus vinhos de garagem incrementaram pratos de chefs convidados.
As duas se formaram em Relações Internacionais pela PUC de Minas e são amigas desde a faculdade. Antes de serem sócias, Michelle trabalhava para uma empresa de joias em Belo Horizonte. Viajou com frequência para o Oriente Médio para vender as peças e conta que teve como cliente a mulher do xeque de Abu Dhabi. Saiu do negócio para fazer um mestrado na London School of Economics (LSE), ganhou em seguida um estágio na China no fim de 2009 e reencontrou a amiga, que já acalentava a ideia de montar uma empresa de vinhos.
Raquel também tinha feito seu périplo: depois da PUC, estudou Direito na Université de Bourgogne e fez mestrado na LSE. De lá, trabalhou como consultora do Pnud, órgão da ONU, e foi chamada pela Vale. A ideia de importar vinhos amadureceu após Raquel ter se casado com Sebastián, cuja família produz vinhos na Argentina.
Michelle e Raquel tentam personalizar a relação de compra e venda. Conhecem pessoalmente cada produtor, discutem com eles o tipo de bebida que elas apostam que atrairão clientes no Brasil, fazem degustações com chefs e conhecedores para melhor avaliarem a qualidade e o valor possível de cada vinho e gastam horas às vezes discutindo com clientes a melhor garrafa para iluminar um jantar ou alguns dos eventos restritos que elas têm organizado com amantes do vinho na cidade.
Algumas das pedidas depositadas nas estantes da Blanc de Noir merecem ser provadas, como o argentino Nani de Salta da uva tanat, 100% orgânico. Ou o Château La Fleur Saint-Jean, do produtor François Janoueix. Os preços variam: há exemplares de R$ 70 a R$ 900. (Marcos de Moura e Souza, de Belo Horizonte)



