Blue Chip

Rodrigo Uchoa com Marcela Duarte

Sevilha chinesa

Postado por: Rodrigo Uchoa Seção: Consumo, Estilo de vida

Ruelas estreitas, de paredes brancas, dão acesso ao local. No caminho por esses becos, ouve-se um burburinho. Surge, então, o charmoso pátio, cercado por sobrados sustentados por pilares em forma de arcos que remetem à história moura. A clientela come e bebe às mesas espalhadas entre canteiros cheios de flores, além de folhagens e árvores imponentes. Para completar, um som de música flamenca e aromas de temperos mediterrâneos fazem o visitante sentir-se como se estivesse em Andaluzia. Mas isso não é Sevilha. É o pátio Nali, no distrito de Chaoyang, região central de Pequim.

Os restaurantes desse autêntico pátio andaluz valem uma visita, principalmente quando o viajante que vai à China sente vontade de escapar da culinária local. O espaço com ares de Europa fica colado ao Sunlitum Village, um grande centro comercial que, nos últimos tempos, levou a Pequim sofisticadas lojas de marcas internacionais como Apple, Puma, Lacoste, Rolex e Longchamp.

O Village conta com boa variedade de restaurantes de outras origens, como coreanos e alguns especializados em culinária regional da própria China, como a da Província de Sichuan, famosa no país por incluir doses generosas de pimenta em quase todos os pratos. Mas se você é do tipo que não resiste ao aroma de uma boa mistura de alho, cebola, tomate e pimentão, refogada em azeite da Península Ibérica, o pátio Nali é a melhor opção.

No pátio Nali encontra-se até uma pequena loja de produtos alimentícios importados, como "jamón" ibérico, azeitonas, anchovas, açafrão e azeites variados. No Nali há quatro casas especializadas na cozinha espanhola.

Mas se a ideia é "ir de tapas", como costumam dizer os espanhóis em relação às pequenas e esmeradas porções que servem para acompanhar a bebida, vale a pena conhecer o restaurante Carmen. Ele já ganhou fama na cidade pela qualidade dos petiscos ou das suas pequenas porções que fazem parte dos costumes de qualquer espanhol.

É pouco provável que se encontrem azeitonas recheadas tão bem temperadas em outros endereços de Pequim. E pode-se dizer que dificilmente alguém saboreará em São Paulo um pão com tomate - tradição catalã - em pão aquecido em medida tão certa.

Num ambiente despojado, o Carmen fica num salão comprido, com bancos pintados de verde e mesas que lembram grandes caixotes. Nas paredes brancas há quadros de touradas e as janelas, com venezianas, dão para uma parte externa, no pátio, onde também há mesas para quando o clima estiver mais agradável.

No alto verão a preferência é pelo salão climatizado, onde, também há apresentações de música flamenca. O local parece contar com uma razoável adega, além da tradicional sangria, preparada com frutas frescas e vinho tinto ou branco. Fica, no entanto, para quem não fala chinês, o desafio de discutir esses detalhes como garçom. (Marli Olmos, de Pequim)

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