Plástico conceitual
O Brasil continua no radar das grifes de mobiliário internacionais. A italiana Kartell inaugurou no Rio de Janeiro há menos de um mês sua segunda flagship no país e já se prepara para abrir a terceira, em Santos, em outubro. A marca para quem Phillippe Starck criou ícones de plástico como a cadeira Louis Ghost, de 2002, está em 34 multimarcas no país e chega a mais duas, em Salvador e Recife, até o fim do ano.
O Brasil representa quase 20% do faturamento da Kartell na América Latina e deve crescer em receita dois dígitos neste ano. "Tratamos o Brasil como um país da Europa. Administramos o mercado com extremo cuidado e queremos ter uma penetração significativa no país", afirma Claudio Luti, CEO da Kartell.
Com o mercado aquecido, entretanto, o "made in Italy" consagrado não tem sido suficiente para fechar negócio. No caso da loja do Rio de Janeiro, que será inaugurada oficialmente hoje, a grife teve de "insistir" por dois anos para que o grupo Novo Ambiente, que revendia seus produtos desde 2003, decidisse de fato investir em uma flagship da marca.
"No Brasil, o design da Kartell não é tão democrático assim. A Louis Ghost custa €150 na Europa. Com impostos e custos de frete, tínhamos de vendê-la a R$ 1,1 mil", diz Bruno Crosman, sócio da Novo Ambiente.
Para investir na monomarca, o grupo exigiu da Kartell exclusividade no Rio e redução no preço de importação. Para Bruno, o aumento de estoque e os produtos mais baratos - até 15%, com a ajuda da depreciação do euro - explicam por que as vendas da marca dobraram nos últimos 30 dias nas três lojas Novo Ambiente, que continuarão vendendo Kartell.
A loja conceito, em soft opening nesse período, "ainda não tem um movimento significativo". Até o ano passado, as vendas da grife milanesa representavam cerca de 5% do faturamento da Novo Ambiente, que tem crescido vendendo mobiliário corporativo.
Plástico conceitual I
A Novo Ambiente também abre nova loja hoje. Do espaço de 700 m2 na rua Redentor, em Ipanema, à Kartell, instalada em uma casa simpática na rua Joana Angélica, são apenas 40 metros. Menos de um minuto de caminhada, que na dupla inauguração desta terça-feira será feita sobre um tapete vermelho. Os imóveis quase vizinhos, um achado improvável depois de um ano e meio de peregrinação imobiliária, receberam investimento de R$ 1,2 milhão.
A expansão do grupo Novo Ambiente dá-se graças ao aumento de vendas para o mercado corporativo, que hoje representa metade de sua receita. O desempenho das ergonômicas cadeiras Herman Miller, com preços entre R$ 2,2 mil e R$ 4,7 mil, são um bom termômetro do apetite do segmento. As vendas dobraram entre 2009 e 2010 e atingiram uma média de 800 peças por mês no ano passado. Até o fim de 2011, o grupo deve abrir um showroom para vendas corporativas com horário agendado em São Paulo e já planeja a abertura do primeiro ponto de venda na cidade.




