Inéditas no Brasil, obras de Degas, Van Gogh e Renoir chegam a SP
Paris, ímã para os artistas do século XIX, é o fio condutor da exposição; pintores como Degas, autor do quadro acima, retrataram as paisagens, monumentos, jardins, teatros e cafés da capital francesaSão raras as exposições que o Museu d'Orsay, em Paris, costuma organizar no exterior. O Japão, a China e a Austrália já tiveram esse privilégio. Agora, chegou a vez do Brasil. A partir do sábado, uma inédita - e imperdível - mostra no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, apresentará um panorama detalhado da pintura impressionista e pós-impressionista com uma vasta seleção de grandes mestres desse movimento artístico do século XIX.
Telas de Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Édouard Manet, Henri de Toulouse-Lautrec, Edgar Degas, Paul Gauguin, Vincent van Gogh e vários outros artistas famosos, que atraem anualmente mais de 3 milhões de visitantes ao Museu d'Orsay, serão apresentadas pela primeira vez no Brasil.
O número de quadros da mostra de arte impressionista também impressiona: 85 telas, entre elas algumas obras-primas que deixaram a França apenas uma ou duas vezes nas últimas décadas, como "Regatas em Argenteuil", de Monet, "Salão de Baile em Arles", de Van Gogh, ou ainda "Camponesas Bretãs", de Gauguin, conta a curadora da exposição, Caroline Mathieu, conservadora-chefe do Museu d'Orsay.
Outra tela emblemática do museu, que integra a mostra, é "O Tocador de Pífano", de Manet, pintado em 1866, que mostra um garoto com roupas típicas espanholas. "O quadro reúne manchas de cores sobre um fundo único, sem perspectiva e sem profundidade. É uma imagem que foi revolucionária, na época, e que continua profundamente moderna até hoje", diz Mathieu.
Para apresentar parte de seu acervo em São Paulo e no CCBB do Rio de Janeiro (entre 22/10 e 13/1/2013), o Museu d'Orsay escolheu como fio condutor um tema que desperta o interesse - e a imaginação - dos brasileiros: Paris. Daí o nome da exposição, "Impressionismo: Paris e Modernidade, Obras-Primas do Acervo do Museu d'Orsay".
A capital francesa atraiu os principais artistas do século XIX, que a retrataram sob diferentes temáticas. Enquanto Renoir, por exemplo, pintava cenas da vida burguesa, Toulouse-Lautrec ilustrava o cotidiano das prostitutas e Degas mostrava as bailarinas da Ópera. Monet chocou a crítica da época com sua série de quadros da estação de trem Saint-Lazare (a tela que pertence ao Museu d'Orsay integra a mostra), ao se inspirar no sistema ferroviário como forma de abordar o progresso tecnológico da cidade.
A exposição está dividida em seis módulos. Três deles estão ligados à vida da capital francesa no século XIX e mostram o lado moderno de Paris, com a construção de grandes avenidas, suas paisagens, monumentos, cafés, mercados, jardins públicos, óperas e - sem esquecer que "Paris é uma festa" - os muitos cabarés e teatros da cidade.
Os outros três módulos da mostra, realizada com incentivo da lei Rouanet, reúnem as obras de artistas que preferiram escapar do acelerado ritmo parisiense para buscar inspiração no campo. O mesmo Monet que retratou a vida na capital se mudou para Argenteuil, nos arredores de Paris, atraído por suas paisagens bucólicas. Depois, o artista se instalou em Giverny, onde criou sua famosa série "Ninfeias".
Van Gogh, Gauguin, Émile Bernard e Cézanne também deixaram a cidade em busca de novas experiências e realizações. O primeiro seguiu para Arles, enquanto Gauguin e Bernard foram para a Bretanha. Cézanne voltou a Aix-en-Provence disposto a redescobrir a luz da região.
"Tentamos mostrar a diversidade da criação artística dessa época. O acervo do Museu d'Orsay cobre de 1848 a 1914. Esse período é tão rico que alguns o chamam de renascimento", afirma Mathieu, que destaca a herança deixada por esses artistas. "Graças aos impressionistas, não há mais nenhum tema que não possa ser abordado na pintura. A luz é algo totalmente livre, como também as cores. Isso influenciou a pintura moderna e contemporânea."
Os grandes "rastros de cores", cita Mathieu, influenciaram o grupo Cobra, movimento europeu de vanguarda, e o artista americano Jackson Pollock. Picasso é outro exemplo, e talvez o mais importante. Não é à toa que o espanhol pintou o quadro "Almoço na Relva", com o mesmo título da obra de Monet. Picasso também se inspirou na tela "Olympia", de Manet, para reproduzir a mesma cena. Para a curadora, ele também se sentiu tocado pela obra de Toulouse-Lautrec.
Ao que tudo indica, os impressionistas continuam a fazer sucesso. E não é apenas pelo fato de suas obras atingirem vários milhões de dólares em leilões, como a tela de Cézanne, "Os Jogadores de Cartas", comprada por US$ 19 milhões em maio.
O museu parisiense tem registrado uma média de 10 mil visitantes por dia desde foram concluídas, em outubro do ano passado, as obras de renovação, que duraram dois anos e custaram € 20,1 milhões. Isso representa um aumento de quase 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No ano passado, pela primeira vez, o número de franceses que foram ao Museu d'Orsay superou o de estrangeiros. Os turistas brasileiros estão no ranking das dez principais nacionalidades entre os visitantes estrangeiros, em nono lugar. Quem estiver na cidade entre 25/9 e 20/1/2013 poderá conferir no local a exposição "O Impressionismo e a Moda" - prova de que as mostras sobre o tema têm fontes de inspiração tão vastas quanto a que tiveram os artistas ao realizar suas obras.
Em São Paulo, o público poderá assistir a uma palestra que será realizada com os curadores da mostra no domingo, 5/8, às 11h, no CCBB. As senhas serão entregues na bilheteria com uma hora de antecedência.
"Impressionismo: Paris e Modernidade, Obras-Primas do Acervo do Museu d'Orsay"
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, rua Álvares Penteado, 112, centro, tel. (11) 3113-3651. De 4/8 a 7/10; terça a domingo, das 10h às 22h. Grátis

