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Blog 08h36 0
As razões do BC e as razões do mercado
O Banco Central mantém seu compromisso com o regime de metas para inflação que tem “centro” a ser perseguido e não “teto”; renova sua disposição em combater a inflação; quer que se acelere o processo de transmissão de deflação dos preços no atacado para o varejo dos alimentos; pretende “ajudar” que esse processo aconteça de fato beneficiando o consumidor; e defende o duplo mandato da instituição – assegurar o poder de compra da moeda e cuidar da solidez do sistema financeiro nacional. Quase destaques de uma “carta de princípios” foram expostos em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso por Alexandre Tombini, presidente da instituição, que reafirmou, ontem, que o BC vai agir com a devida “tempestividade” para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e assegurar que essa tendência persista em 2014. O discurso fez disparar os negócios com contratos de Depósitos Interfinanceiros DI com vencimento em julho, no pregão da BM&FBovespa. É confortável afirmar que os participantes do mercado futuro estão convencidos da motivação que empurra o BC para o exercício do seu mandato – cumprir a meta de inflação. Mas é arriscado. -
Blog 21/05/2013 às 15h16 1
Ressaca e expectativa
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, tem poder suficiente para imprimir nova orientação à curva de juros ou deixar tudo como está. Sua participação em audiência pública na Comissão Mista do Orçamento, na Câmara dos Deputados, acontece neste início de tarde. Por ora, está claro que por vontade própria o mercado de juros mal se move. Em parte, porque as taxas embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros DI negociadas na BM&FBovespa tiveram firme alta por três dias seguidos e agora padecem de uma ressaca danada; em parte o mercado acusa lentidão porque prevalece um misto de expectativa e torcida para que Tombini dê corda à expectativa de aceleração do ritmo de alta da taxa Selic na próxima reunião do Copom, na semana que vem. Não há certeza de que o presidente do BC seguirá nesta direção. A expectativa de ajuste mais forte da taxa básica brotou na semana passada, a partir da interpretação de declarações feitas pelo próprio presidente do BC, em tom mais duro contra a inflação durante o seminário de metas para inflação, no Rio. -
Blog 21/05/2013 às 08h57 1
Mercado interrompe apostas em Selic à espera de Tombini
A audiência pública do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), na Câmara dos Deputados, é o evento mais aguardado pelo mercado nesta terça-feira. Analistas e operadores contarão minuto a minuto até às 15 horas – horário previsto para o início do pronunciamento de Tombini a deputados e senadores. O mercado estará focado na confirmação de que o BC “está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre”. A reafirmação do sinal é dada como certa e explica a expansão veloz de contratos em aberto de Depósitos Interfinanceiros DI no pregão da BM&FBovespa na quinta e na sexta-feira. Subitamente, ontem, bancos e grandes investidores interromperam a abertura de novas posições, ampliando apostas na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A fala de Tombini hoje poderá precipitar alterações nas apostas sobre a Selic. De todo modo, os riscos estão elevados. -
Blog 20/05/2013 às 16h41 2
Aliados, pero no mucho
O Banco Central (BC) tem nas empresas brasileiras um aliado de peso contra os efeitos da inflação alta e persistente, mas não exatamente um aliado a favor do aumento da taxa de juro, o que não deixa de ser um desafio imposto ao Copom no exercício da política monetária em suas próximas reuniões. A safra de balanços das companhias de capital aberto do primeiro trimestre confirmou o avanço de custos e despesas em ritmo acelerado a ponto de comprometer lucros e, portanto, o retorno aos acionistas. O lucro dessas empresas que já caiu acentuadamente em 2012, voltou a recuar no primeiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. O número de corporações que apresentou prejuízos no trimestre aumentou. E, pior, quem perdeu lá atrás, conseguiu perder ainda mais agora. -
Blog 20/05/2013 às 08h51 2
A aposta de Tombini
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, carregou o mercado financeiro para a aposta de aceleração do ritmo de ajuste da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 0,25 para 0,50 ponto percentual, na reunião marcada para o fim deste mês. Se essa não foi sua intenção, o impacto de suas declarações no mercado futuro de juros poderia e deveria ter sido sustado no dia seguinte – sexta-feira – quando o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, encerrou o XV Seminário Anual de Metas para Inflação. Não foi. O BC do B, como qualquer outro, não faz vista grossa para os movimentos dos mercados. Portanto, não passou despercebida, de quinta para sexta-feira, o salto da exposição de instituições financeiras e investidores estrangeiros em contratos de Depósitos Interfinanceiros DI, na BM&FBovespa. Não foi pouca coisa. -
Blog 17/05/2013 às 17h31 0
Nó em pingo d’água
O ano de 2012 teve um dia a mais. Muita gente não casou. Não por falta de marido, falta de dinheiro ou medo da inflação. Essa nem contou no mundo da superstição que corre solta em ano bissexto – ruim pra casamento. Embora maiorzinho, com 366 dias, 2012 colecionou exatos 251 dias úteis – dois a menos do que teremos em 2013. No primeiro trimestre deste ano, faltaram dias de trabalho no calendário. Quase 5% a menos do que os contados, dedo a dedo, de janeiro a março do ano passado. E quase 3% menos do que os observados na média dos primeiros trimestres nos últimos dez anos. Mas do segundo ao quarto trimestre, 2013 dará ao Brasil um número maior de dias aproveitáveis, produtivos, rentáveis. Confuso? Piora. Dias de “sobra”, descobrem economistas, sempre têm utilidade. Cada 1% a mais de dias úteis gera uma elevação de 0,68% da produção industrial. -
Blog 17/05/2013 às 08h44 2
Tombini orienta mercado para alta maior da Selic
O reposicionamento de bancos e grandes investidores no mercado futuro de juros foi tão violento ontem que qualquer demonstração de arrependimento não causará estranheza nesta manhã. Inspirados pelo discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na abertura do XV Seminário Anual de Metas para Inflação, e pela entrevista coletiva que ocorreu logo em seguida e concomitante aos negócios do after-market, tesourarias bancárias e grandes investidores apostaram pra valer na aceleração do ritmo de alta da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), já na reunião do fim deste mês. A aposta na aceleração do ajuste, de 0,25 para 0,50 ponto percentual, que, se confirmada, instalará a próxima Selic a 8% ao ano, foi feita no mercado futuro de contratos de Depósito Interfinanceiro DI, negociado na BM&FBovespa. Considerando que a posição mais sensível à Selic a ser definida ao final da reunião do Copom no dia 29 de maio e o DI com vencimento em julho, os investidores correram para garantir exposição a esse prazo. O resultado foi um saldo extraordinário nas posições em aberto e no giro de contratos. As posições em aberto do DI Julho 2013 cresceram mais de 1 milhão de contratos, para 5,466 milhões. Em valor de referência são R$ 546 bilhões. Esse mesmo contrato, que na quarta-feira movimentou cerca de R$ 52 bilhões em valor de referência, ontem registrou giro correspondente a R$ 189 bilhões. Se Tombini não disse o que o mercado acredita que disse, o estrago será feio. -
Blog 16/05/2013 às 15h09 0
Alarme falso
O rumor de que o economista Bernard Appy poderia retornar ao Ministério da Fazenda depois de quase sete anos de trabalho na casa, período em que desempenhou três relevantes funções, não foi disseminado o suficiente para influenciar os preços dos ativos financeiros nesta manhã. Mas a possibilidade de o convite ter existido trouxe alívio a experientes profissionais de bancos e assets. Appy, com perfil técnico, conceituado especialista em política tributária e afinado com o ministro da Fazenda, é visto como um sucessor oportuno de Nelson Barbosa. “No mínimo, sua chegada ao Ministério daria um sinal de atenção, ainda que não de preocupação, do governo com as questões fiscais e tributárias. Além disso, o cargo estaria rapidamente ocupado e livre das frequentes e perigosas disputas políticas”, comentou um interlocutor do Casa das Caldeiras. Mas Bernard Appy, questionado pela jornalista Ligia Guimarães, do Valor PRO, afirmou que não está voltando ao governo, “nem para substituir o Nelson Barbosa nem para outro cargo”, disse em email. -
Blog 16/05/2013 às 08h46 0
Discurso de Tombini
Há um ano e 1,5 ponto percentual a menos de inflação, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, recepcionava ilustres participantes do Seminário Anual do Regime de Metas para a Inflação enumerando lições da crise internacional e seus efeitos sobre bancos centrais com o respaldo de um cadente IPCA. A inflação acumulada em doze meses mirava 4,99% como se confirmou para maio ante 6,50% em dezembro de 2011. Nesse ambiente promissor, Tombini disse que o BC do B sempre teve como missão assegurar a estabilidade de preços e a estabilidade financeira. E que a busca desse duplo objetivo pela Diretoria Colegiada – no sentido de unificada – foi crucial para que o Brasil superasse a crise e retomasse a trajetória de crescimento mais rápido do que muitos países. -
Blog 15/05/2013 às 15h32 0
Liquidez e dívida programada contam a favor do Brasil
Para um observador desavisado, o mercado financeiro brasileiro nada em dinheiro. E não há qualquer indicação, suspeita ou temor de que estamos a caminho de uma inversão de cenário. A “sobra” persistente de moeda em circulação dá trabalho ao Banco Central e ao Tesouro Nacional. Mas é ótimo que o Brasil, no quesito liquidez, faça oposição aos sistemas bancários das economias maduras, onde a escassez de recursos instalou relações de forte dependência de injeção de moeda por BCs desde a crise de 2008/2009. Essa dependência já custou a emissão de US$ 9,2 trilhões entre 2007 e o primeiro trimestre deste ano. Por aqui, a oferta de reais saltou, não nessa magnitude, a partir de meados dos anos 2000 com a acumulação de reservas internacionais pelo BC. Mas a aquisição de dólares no mercado à vista exigiu emissão de reais que também foram multiplicados pela liberação de recolhimentos compulsórios dos bancos em um período mais recente e por resgates líquidos de papéis federais. A “sobra” de dinheiro nos bancos não surpreende porque BC e Tesouro dispõem de sofisticados sistemas de acompanhamento de indicadores de liquidez e maturidade dos títulos públicos em circulação, o que permite às duas instituições saberem o exato momento em que o sistema bancário será inundado de moeda. Isso é um problema? Nenhum. Desde que o BC acione a venda temporária de títulos de sua carteira com data determinada para recompra. -
Blog 15/05/2013 às 08h45 0
No curto prazo e fazendo figa
O mercado financeiro está conformado com a inflação alta e resistente. Da boca para fora. A movimentação de grandes investidores em contratos de Depósito Interfinanceiro DI na BM&FBovespa, para evidente posição defensiva, é uma bom termômetro da incerteza sobre a decisão que será tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no dia 29, quando termina a reunião deste mês. A curva de juros segue apontando para mais uma elevação da taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Mas a exposição dos investidores no contrato de DI Julho 2013 parece ter se ampliado no ritmo das dúvidas do mercado quanto à disposição do Banco Central (BC) de conter a inflação. Embora com baixíssima liquidez diária, as posições em aberto no DI Julho 2013 aproximam-se de 4,2 milhões de contratos com valor de referência de R$ 420 bilhões, equivalente a 27% do volume total dos contratos de juros cotados no pregão. Nem mesmo às vésperas da reunião do Copom em meados de abril, quando mercado e analistas ficaram divididos entre um primeiro ajuste da Selic de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, as posições em aberto atingiram tal dimensão. Naquele momento rondavam 21% do total. -
Blog 14/05/2013 às 08h40 0
Tempo quente
Os ativos estão sob influência de variáveis que estão muito além das condições de mercado. Após horas de volatilidade e pressão de alta, os juros futuros recuaram na saideira, com o movimento sendo atribuído (tardiamente) à piora das projeções para a inflação na pesquisa Focus a um “ajuste estatístico” em função de o IPCA de abril ter vindo pior do que o esperado pelas instituições. O dólar teve queda forte, mas conseguiu resistir ao suporte de R$ 2,00. Mas a reação do câmbio foi cristalina à captação histórica da Petrobras que levantou US$ 11 bilhões com a venda de bônus para uma demanda que chegou a US$ 41 bilhões. O Ibovespa teve a quarta baixa seguida com balanços fracos, dados da economia chinesa aquém das estimativas e a percepção dos investidores de que o Federal Reserve começará a reduzir o programa de recompra de ativos. Dois experientes gestores evitaram fazer previsões para o comportamento dos mercados nesta terça-feira de autoridades em trânsito, mobilização no Congresso Nacional e o primeiro leilão na área de petróleo e gás depois de cinco anos e meio. -
Blog 13/05/2013 às 13h00 1
Dona de casa deve se preocupar com a inflação
O índice de difusão da inflação brasileira, medida pelo IPCA, atingiu 75% em janeiro. Essa variação -- a mais elevada desde abril de 2003, quando a inflação acumulada em doze meses flertou com 17% -- disparou alarmes no mercado financeiro. No Banco Central, a preocupação com a escalada do índice de difusão, dado que aponta a distribuição da alta de preços por itens, chegou seis meses mais cedo. Neste ano, depois da variação gorducha de janeiro, a difusão dos aumentos de preços começou a ceder e, em abril, já estava em 65,8%. Também no mês passado, a inflação mensal avançou 0,55%, acima das projeções máximas feitas por analistas, com o índice calculado em doze meses em ligeira baixa, para 6,49%, colado no teto da meta. Embora animadora, a trajetória do índice de difusão merece dois comentários: o índice de difusão não é a inflação; apesar do declínio da difusão nos últimos dois meses, neste ano esse indicador está acima da média observada entre os anos 2000 e 2012. -
Blog 13/05/2013 às 08h30 0
Desancoragem das expectativas quebra silêncio do BC
O Banco Central (BC) rompeu o silêncio autoimposto durante duas semanas, na sequência do flagrante curto-circuito entre o teor brando da ata do Copom e o duro pronunciamento público feito pelo diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, em defesa do controle da inflação. O jejum de declarações foi quebrado pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, na sexta-feira à noite, ao declarar ao Jornal Nacional que as providências já tomadas para reduzir a inflação estão dando resultado, que a dispersão dos aumentos de preços cai na medida em que os alimentos recuam e, ainda, que o BC está vigilante e agindo para consolidar a queda da inflação. O presidente do BC falou diretamente para as donas de casa. Nesta semana, a autarquia retomará obrigatoriamente sua comunicação com agentes econômicos em geral, e com o mercado em particular, ao cumprir a agenda do XV Seminário Anual de Metas para a Inflação. O evento reunirá representantes de bancos centrais de vários países, na quinta e na sexta-feira, no Rio. Mas no foco do mercado estarão Tombini e Hamilton. O primeiro abre o seminário. O segundo, encerra. Mas que não se espere sinalizações sobre a Selic. O comando do BC deve reafirmar, sim, o seu compromisso com o regime de metas, o que é muito, no atual cenário em que impera o desgaste da credibilidade da instituição, a resistência da inflação e a desancoragem das expectativas. -
Blog 10/05/2013 às 10h42 8
Quando não vai por bem, vai por mal
A expectativa de o mercado financeiro tomar a dianteira e ampliar o papel da taxa Selic, balizada diretamente pelo Banco Central (BC), em substituição do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro) nas aplicações e também como indexador de contratos financeiros, não se confirmou e deve ocorrer na marra. O BC está disposto a forçar a mudança e de um jeito que as instituições entendem – obrigando os bancos a dividir com ele parte do ganho obtido com as operações atreladas ao CDI. Essa “divisão” de ganhos, em análise na autarquia, pode ser decorrente da imposição de um depósito compulsório mais elevado nas operações atreladas ao indexador ou da exigência de mais capital da instituição que fizer captações referenciadas em CDI. Essa segunda alternativa é a menos cotada, apurou a jornalista Claudia Safatle, do Valor. Há meses, as duas taxas de juros de curto prazo vigentes no mercado brasileiro – CDI e Selic – exibem um diferencial expressivo, com o CDI correndo abaixo da Selic. Esse descolamento impõe perdas a uma legião de poupadores, uma vez que o CDI é indexador de cerca de R$ 1,45 trilhão de títulos, como debêntures e Certificados de Depósito Bancário (CDB). -
Blog 09/05/2013 às 13h02 1
Quem sabe sabe
O Banco Central (BC) optou pelo silêncio como a melhor alternativa neste momento de inflação em doze meses colando no teto da banda pelo segundo mês seguido, porque sua Diretoria considera que tem tido uma “narrativa coerente” desde janeiro que não vem sendo bem compreendida por analistas e operadores, relata a jornalista Claudia Safatle, do Valor. Ninguém melhor que o BC para avaliar os riscos de suas manifestações. Mas para o mercado financeiro, a excelência técnica da instituição vai muito além de um momento. E ao BC é atribuído o melhor diagnóstico sobre a inflação brasileira divulgado recentemente. O resultado da divulgação do roteiro da inflação foi assinado e apresentado pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, há duas semanas, em discurso feito durante evento em São Paulo. E poucas horas após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O diagnóstico, compartilhado pela Diretoria do BC, foi preparado em parceria com o presidente Alexandre Tombini. -
Blog 09/05/2013 às 12h55 0
O BC não disse
No post “Quem sabe, sabe”, o último parágrafo não deve ser atribuído ao discurso do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, apresentado em evento realizado em São Paulo no dia 25 de abril – quando foi divulgada a ata do Copom. -
Blog 08/05/2013 às 08h31 1
A malfalada equilibrista
A torcida pela desaceleração da inflação brasileira alimentou uma curiosa e saudável disputa nos últimos dias. Analistas mais conservadores e outros mais otimistas desdobraram-se para defender suas projeções. Os mais pessimistas ainda mantêm estimativas esticadas e próximas à variação de 0,50% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em abril. Os mais otimistas nasceram pessimistas, mas mudaram de time ao arrastar para perto de 0,40% os prognósticos para o indicador. Em março, o índice subiu 0,47%, segundo o IBGE que, hoje, será o responsável pelo desfecho do animado e discreto cabo de guerra travado em torno do protagonista do regime de metas para a inflação no Brasil. O IBGE apresenta o IPCA de abril às 9 horas. -
Blog 07/05/2013 às 14h34 2
Uma nota só
Não será por falta de sintonia que a economia brasileira deixará de exibir vigor nos últimos dois anos da gestão Dilma Rousseff. Por orientação (ou não) da presidente, integrantes do seu governo demonstram que não há necessidade de diapasão. O discurso está pra lá de afinado às prioridades e às declarações da presidente. E para quem vê na diversidade de opiniões e do debate uma fonte primária de decisões, que tendem a beneficiar as maiorias, o consenso revelado pela área econômica chega a ser perturbador. -
Blog 06/05/2013 às 15h00 1
BC ressuscita resgate de bancos com dinheiro público
Não será por falta de compromisso (e nem de dinheiro) que uma nova lei para minimizar os danos provocados por bancos em dificuldade deixará de existir. Hoje, no Seminário Internacional sobre Regimes de Resolução no Sistema Financeiro Brasileiro, que acontece em Brasília, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez um diagnóstico dos aspectos mais relevantes do anteprojeto do novo marco legal da resolução bancária no país e teve o apoio imediato do senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Lindbergh, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, além de assegurar que o Congresso vai trabalhar para dar uma tramitação rápida da proposta do BC, informou que o presidente do Senado, Renan Calheiros, também se comprometeu em colocar a proposta em votação com a maior velocidade possível. O BC prioriza o uso de recursos da própria instituição, de seus acionistas ou grandes credores e grandes depositantes no socorro às instituições em dificuldades. Mas conseguiu ressuscitar a possibilidade de resgate das instituições problemáticas com dinheiro público, proibido desde 2001 pela Lei de Responsabilidade Fiscal . Um dos artigos da própria LRF abria a possibilidade da volta do uso de recursos públicos, desde que regulamentado por uma legislação especial. Com o anteprojeto da Lei do Regime de Resolução Sistema Financeiro Nacional é feita a regulamentação da LRF, reabrindo a possibilidade de uso de recursos públicos. -
Blog 06/05/2013 às 08h35 1
Compromisso adiado
De onde virão tantas informações econômicas nos próximos quinze dias o mercado não sabe, mas o governo conta com elas para sentir melhor o rumo da atividade, decidir e anunciar o contingenciamento do Orçamento da União deste ano. A perspectiva é de que o “bloqueio” de recursos seja apresentado pelos ministros do Planejamento e da Fazenda até 22 de maio. Frustrada a expectativa de que o anúncio aconteceria na sexta-feira passada, o governo até poderia adiar o detalhamento dos cortes de gastos um pouco mais – 27 de maio, véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é uma boa data. Mas depende da repercussão que o governo espera (ou deseja) para a sua mensagem. A última semana de maio será barulhenta com final de Copom e divulgação do resultado do PIB do primeiro trimestre pelo IBGE. O Copom rejeitará qualquer hipótese de que suas decisões sobre a taxa básica são influenciadas pela movimentação das áreas responsáveis pelas despesas do governo. Mas por critério, hábito ou teimosia, o mercado financeiro ainda não descola a política monetária da política fiscal, embora ambas andem desgarradas. -
Blog 03/05/2013 às 16h16 0
A (insustentável) leveza de 2014
Os bancos não veem a economia no chão neste ano ou no próximo. Em comparação ao avanço de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, projeções de expansão de 3% em 2013 e 3,5% em 2014 são respeitáveis. E poderão ser confirmadas num cenário de inflação em discreta queda para 5,7% neste ano e entrando em manutenção logo em seguida. Acima do centro da meta? Sim. Mas guardando uma boa distância do teto. Esse relativo conforto será propiciado por mais três aumentos de 0,25 ponto percentual da Selic nas próximas reuniões. E, instalada em 8,25% ao ano, para a maioria das 29 instituições pesquisadas pela Febraban, o juro básico deverá ser estendido (no mínimo) até dezembro de 2014. Os prognósticos para a taxa de câmbio também não acenam com um futuro turbulento ou surpreendente. O dólar, apontam os bancos, encerra 2013 a R$ 2,00 e, 2014, a R$ 2,05. Acreditem ou não, se depender dos bancos, o eleitoral 2014 será tedioso. -
Blog 03/05/2013 às 11h52 5
Indústria renova embate do governo com câmbio e inflação
Se de um lado a criação de vagas no mercado de trabalho americano confirmou as expectativas animando os mercados, de outro o desempenho da produção industrial brasileira foi novamente frustrante. A expansão de 0,7% em março na comparação com fevereiro, praticamente a metade da variação de 1,3% projetada em média por 15 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, indica que o governo não terá trégua no enfrentamento de uma situação persistente e delicada que contrapõe fragilidade da recuperação da atividade e inflação forte. Isso vale também (ou principalmente) para o Banco Central. Além de responsável pelo cumprimento do regime de metas para a inflação, que exibe resistência exemplar no teto da banda de flutuação de 6,5%, a autoridade monetária assumiu uma firme posição contra a política cambial defendida pelo Ministério da Fazenda. Sem deixar dúvida sobre a posição da autarquia, na saideira de 2012, Alexandre Tombini, afirmou na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que o BC não sancionaria taxa de câmbio muito desvalorizada. Disse mais: para a competitividade da economia brasileira o que interessa é a desvalorização real e não a nominal do câmbio. O presidente do BC não declarou que dólar acima de R$ 2,10 pressionaria a inflação. Mas a mensagem de Tombini foi assim interpretada. De lá para cá, o dólar chegou a cair a R$ 1,947 e ronda R$ 2,0, sem proporcionar alívio à inflação. -
Blog 02/05/2013 às 15h41 1
Aplicações de bancos no BC crescem no prazo de 180 dias
Em onze dias, o Banco Central (BC) tirou de circulação R$ 40 bilhões por três meses em leilões diários de venda temporária de títulos públicos. Simultaneamente a esse enxugamento de moeda, que totaliza R$ 54 bilhões quando se inclui a colocação de papéis por 180 dias, está em construção uma taxa referencial prefixada. O programa de alongamento de prazo das “operações compromissadas” do BC ou da venda temporária de títulos da carteira da autarquia com data determinada para recompra teve início em outubro do ano passado, quando a concentração de recursos no curtíssimo prazo somava aproximadamente R$ 600 bilhões. Agora, com o total das “compromissadas” ao redor de R$ 650 bilhões, mais de R$ 470 bilhões retornarão ao mercado em até seis meses. Pouco mais de R$ 180 bilhões de recursos dos bancos estão aplicados por um dia no BC. Ainda é muito dinheiro. Mas é desse montante, que já foi bem superior, que estão saindo os lotes diários de R$ 5 bilhões destinados às “compromissadas” de 90 dias que, ao longo do tempo, terão suas taxas de rentabilidade convertidas na taxa referencial prefixada. -
Blog 02/05/2013 às 15h33 1
Folga para gastos
A ideia de que a União estaria basicamente se livrando de um abacaxi ao deixar de compensar eventuais resultados fiscais que Estados e Municípios deixarem de cumprir em relação à meta estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias não convence. “Na prática, a medida abre espaço para uma expansão fiscal nos próximos anos”, alerta o Departamento Econômico do Itaú Unibanco, no boletim que reúne os highlights de abril, em que reproduz a declaração exclusiva do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, ao Valor: “Estamos deixando claro desde o início que para 2013 e 2014 - e provavelmente será essa a política do governo para 2015 e 2016 - que o superávit primário será sempre uma variável da economia e não mais da dívida pública em si.” -
Blog 01/05/2013 às 11h01 2
Os bancos centrais e os dissidentes do Copom
Decisões do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE) sobre política monetária a serem anunciadas hoje e amanhã podem reforçar a opinião dissidente dos diretores do Banco Central, Aldo Mendes (Política Monetária) e Luiz Awazu Pereira (Assuntos Internacionais) que, há exatas duas semanas, votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% ao ano, sendo derrotados pela maioria do Comitê de Política Monetária (Copom) que optou pelo aumento do juro em 0,25 ponto, para 7,50% ao ano. A posição da dupla chegou a ser considerada totalmente dissonante por alguns analistas por atribuir relevância a uma reavaliação do crescimento global que, “a depender de sua intensidade e duração, poderá ter repercussões favoráveis sobre a dinâmica dos preços domésticos”, como explica a ata do Copom. Ainda que os bancos centrais confirmem a avaliação certeira dos dois diretores do BC, as projeções para as taxas de juros cotadas no pregão da BM&FBovespa se sofrerem algum ajuste, será mínimo. A curva de juros, ancorada em contratos de Depósito Interfinanceiro DI, já vem embutindo elevação da taxa Selic muito próxima a 0,25 ponto no próximo encontro do Copom, no fim de maio. -
Blog 30/04/2013 às 17h06 1
Gigantes do consumo flagram a inflação
A confiança das autoridades brasileiras no declínio da inflação ainda não contagiou gigantes de “consumo” no Brasil. Na apresentação dos resultados trimestrais, concentrada no encerramento do trimestre, executivos do Grupo Pão de Açúcar, da Brasil Foods e da Ambev demonstraram alguma preocupação com a trajetória dos preços na economia e o impacto no poder de compra do brasileiro. Algumas observações apenas reforçaram os resultados de pesquisas que vêm apontando seguidamente queda na confiança do consumidor nos primeiros meses do ano, por conta da inflação. -
Blog 30/04/2013 às 08h37 0
Compromisso fiscal, recessão e crescimento
O resultado consolidado das contas do setor público em março e, portanto, no primeiro trimestre é o principal evento desta terça-feira, véspera de feriado. No mercado financeiro, a expectativa com os dados que serão apresentados pelo Banco Central (BC) é discreta. “Forte expectativa seria justificada se existisse alguma chance, mesmo remota, de o setor público apresentar um superávit primário confortavelmente positivo. A esperança é nenhuma. Nada restou”, lamenta um dos mais respeitados especialistas em contas públicas do país que alerta, contudo, para o decreto de contingenciamento do Orçamento da União que é aguardado para esta semana. Por mais desanimado que o mercado esteja com o desempenho da política fiscal, o contingenciamento – na prática uma promessa de não gastar – traz projeções mais atualizadas de receitas e despesas do governo federal e quanto deve ser "bloqueado" do Orçamento para se atingir a meta fiscal. Neste momento, a identificação desse “compromisso” é particularmente relevante por ter caráter anticíclico já incorporado às políticas do governo. Isto significa dizer que, em tempos de recessão ou de desaquecimento da atividade, a política fiscal será expansionista. Em tempos de crescimento, a política fiscal será contracionista. Mas quem definirá a partir de que variação de Produto Interno Bruto (PIB) estaremos em recessão ou crescimento? Essa é a questão pertinente do momento. Será usado um critério de PIB potencial? E de qual procedência? -
Blog 29/04/2013 às 15h28 3
BC assume risco institucional ao tentar operar juro no gogó
O ciclo de aperto monetário terá a duração necessária para que a inflação decline quanto o Banco Central (BC) considerar suficiente. No momento em que esse patamar for atingido, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve interromper o ciclo de aperto monetário, avalia a economista Monica Baumgarten de Bolle, sócia diretora da Galanto Consultoria e diretora da Casa das Garças. Embora sem cravar uma projeção para a Selic ou para o ciclo de alta, a economista considera que se a inflação de maio e junho melhorar, é possível que o ciclo seja menor do que o mercado hoje imagina – 0,75 ponto em vez de 1 ou 1,25 ponto percentual. “Essa indicação ficou evidente no comunicado que sucedeu a última decisão do Copom”, diz Monica que não identifica convicção alguma do BC ao iniciar o aperto monetário. -
Blog 29/04/2013 às 10h31 2
Economistas, atenção!
A política fiscal do governo Dilma Rousseff mudou. A nova orientação, que pauta os gastos públicos pelo desempenho da economia e a necessidade ou não de puxar a demanda, vale para este ano e para o próximo. Se a presidente for reeleita para um segundo mandato – resultado altamente provável se a eleição fosse hoje – essa nova referência de política fiscal continuará sendo aplicada. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, em entrevista exclusiva à jornalista Leandra Peres, do Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, recomendou que analistas econômicos e agentes do mercado financeiro se adaptem à mudança de rumo da política fiscal. Em termos práticos, isso significa incluir nos modelos econométricos a possibilidade de reação do governo aos ciclos econômicos. -
Blog 26/04/2013 às 08h41 2
Tamo junto
Tesourarias bancárias e grandes investidores já lançaram mais de 60% de suas fichas em um aumento da taxa Selic de 0,50 ponto percentual, para 8% ao ano, no dia 29 de maio, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) encerra sua próxima reunião. Uma dupla mensagem do Banco Central emitida ontem quase em sequência custou um ajuste adicional, de 0,25 ponto, na taxa básica até então projetada para o Copom de maio nas operações com depósitos interfinanceiros DI negociados na BM&FBovespa. É exagero afirmar que essa correção resultou em perdas e ganhos financeiros. Neste momento, o detentor do maior risco do sistema e até do governo é o Banco Central. O risco do BC é proporcional ao crédito depositado pelos agentes econômicos ao rigor técnico da instituição. E a maior demonstração do quanto importa para o país a confiança inspirada na autarquia foi o esforço (sem dúvida um esforço) feito pelo governo ao defender o uso da taxa de juro como o instrumento talhado para conter a inflação. -
Blog 24/04/2013 às 13h00 0
Os estrangeiros (instáveis) estão chegando
A mudança de perfil dos investimentos estrangeiros no Brasil não surpreende, mas o balanço das contas externas de março e do primeiro trimestre confirma o avanço dos “investidores financeiros” na injeção de recursos no mercado local em contraposição ao arrefecimento da oferta de investimento externo direto. O Banco Central (BC), gestor dessas contas e responsável pela apresentação do balanço, já projetava aumento de investimentos externos em carteira há alguns meses. E estima, até segunda ordem, entrada de US$ 15 bilhões dos aplicadores estrangeiros em 2013. Mas em três meses chegaram ao mercado doméstico quase US$ 10 bilhões frente a menos de US$ 8 bilhões de janeiro a março de 2012. O fortalecimento da conta pode ser muito positivo por ajudar a ampliar o colchão de moeda estrangeira necessária para o financiamento do déficit em transações correntes, mas essa oferta de moeda estrangeira é mais instável. Afinal, entre as virtudes do investidor financeiro, estrangeiro ou não, não consta fidelidade a emissores de ativos. -
Blog 24/04/2013 às 08h52 0
Foco está em taxa referencial, mas liquidez sofrerá impacto
O Banco Central (BC) promove nesta quarta-feira, pelo quarto dia seguido, um leilão de venda de títulos federais de sua carteira vinculado à recompra ao final de três meses. Essa transação, que será diária e em lote equivalente a R$ 5 bilhões em “operação compromissada” do BC com os bancos, vai tirar do mercado financeiro R$ 35 bilhões até a sexta-feira. Na sexta passada, foram recolhidos R$ 10 bilhões. Essas intervenções aparentemente pequenas, quando comparadas à dimensão dos negócios realizados no mercado aberto com garantia em papéis públicos, serão a base de definição da nova taxa referencial prefixada de 90 dias no Brasil e terão, sim, importante efeito na disponibilidade de dinheiro no sistema bancário. -
Blog 23/04/2013 às 08h33 0
BC rompe padrão operacional e gestão de liquidez preocupa
O Banco Central (BC) encerrou a semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com um problema e agora tem dois. À dificuldade do BC de convencer o mercado financeiro de que está determinado a conter a inflação soma-se agora a inquietação dos bancos quanto ao tratamento que a instituição dará à ampla oferta de dinheiro que o sistema mantém aplicado, por ora, por prazo de até seis meses em operações típicas de gestão de liquidez e, portanto, de caráter transitório. Uma sucessão de alarmes acionados desde quinta-feira, quando o montante de recursos dos bancos aplicados no BC superou inéditos R$ 700 bilhões, desperta atenção. O primeiro alarme soou na quinta-feira, quando o BC quebrou uma rotina e deixou de promover a rolagem de aplicações de bancos em títulos públicos de sua carteira por algumas semanas. Normalmente, o dinheiro que sobra em poder dos bancos sem destinação específica seria ao menos parcialmente reaplicado para voltar aos “donos” no dia seguinte ao final da próxima reunião do Copom – neste caso, quinta-feira, 30 de maio. A rolagem não aconteceu e o BC dormiu com cerca de R$ 240 bilhões dos bancos. -
Blog 22/04/2013 às 16h48 0
O Tesouro perdeu
A carteira de títulos e valores mobiliários do Bradesco cresceu pouquinho no primeiro trimestre, mas ultrapassou pelo segundo ano consecutivo a carteira de crédito. Não qualquer crédito, mas a posição que replica o critério de composição estabelecido pelo Banco Central (BC) e é considerado para as estatísticas do sistema bancário brasileiro. Por esse critério do BC, o crédito no Bradesco avançou 10,43% no primeiro trimestre de 2013 em comparação a igual período do ano passado, mas o saldo não chegou a R$ 300 bilhões – totalizou R$ 297,8 bilhões. Já a carteira de títulos e valores mobiliários, que encerrou o primeiro trimestre valendo R$ 300,6 bilhões, cresceu 1,9% frente a igual período do ano passado e com importante mudança em sua composição. O emissor que mais perdeu participação direta foi o governo. As aplicações em títulos públicos despencaram 22%, totalizando em março R$ 124,37 bilhões ante R$ 159,78 bilhões um ano antes. Estendendo as aplicações em títulos de governo a operações contratadas diretamente com o BC, uma espécie de compensação pode restabelecer o destaque do Tesouro como emissor dos papéis mais representativos da carteira de títulos do Bradesco. Mas desde que incluído no cálculo “operações compromissadas” diretamente ligadas a Fundos e PGBL e VGBL administrados pelo banco. -
Blog 22/04/2013 às 08h32 5
Inflação engorda, cola na Selic e Ata vai dizer o que virá?
A inflação brasileira mudou de patamar. O índice de preços ao consumidor acumulado em doze meses exibiu a sequência de variações mais elevadas em quase uma década, acima de 6%, mensalmente, de janeiro a abril. Para este ano, foi aplicado o IPCA-15 de abril divulgado na sexta-feira. Esse histórico recente de indicador pressionado, com dispersão de aumentos de preços e resistência ímpar é reconhecido pelo Banco Central (BC). Já era em março. E justificou o início do ciclo de aperto monetário na semana passada. Mas será a cautelosa dose de aumento da taxa Selic, de 0,25 ponto percentual, suficiente para dobrar essa inflação? Analistas de mercado arriscam um sim. Tesoureiros insistem que não. E na retomada dos negócios no mercado futuro de juros nesta segunda-feira novas apostas em ajustes maiores da Selic podem ser contratadas no pregão da BM&FBovespa que pende para a instabilidade pelo menos até a quinta-feira, quando o BC divulgará a ata da reunião que selou a retomada do processo de alta do juro e sinalizou parcimônia na sua duração. -
Blog 19/04/2013 às 12h49 0
Ressaca inibe reação ao IPCA-15, mas indicador traz mudanças
O avanço de 0,51% do IPCA-15 em abril, embora em ligeira alta mensal, não produziu reação no mercado financeiro ou impacto nas projeções de juros que seguem sob ajuste técnico na BM&FBovespa. O primeiro e grande alinhamento das taxas de juros à nova Selic, de 7,50% ao ano, na quinta-feira embalou um giro recorde de 6,692 milhões de contratos de Depósito Interfinanceiro DI. E a ressaca produzida por essa pesada movimentação explica o estado de contemplação em que se encontram tesoureiros e analistas. Mas o IPCA-15, prévia da inflação oficial, merece atenção. Com a alta de abril, o IPCA-15 interrompeu os recuos quinzenais no indicador. Desde a leitura de janeiro (pelo menos), o índice vinha em uma suave, porém constante, trajetória de queda. A interrupção dessa sequência é o tom mais preocupante do resultado divulgado hoje pelo IBGE, avalia a editora de Brasil, jornalista Denise Neumann, em análise publicada no Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor. -
Blog 19/04/2013 às 08h43 0
Aplicações de bancos no BC atingem R$ 700 bilhões
A concentração de dinheiro de bancos em aplicações financeiras feitas diretamente com o Banco Central (BC) superou R$ 700 bilhões nesta quinta-feira. A cifra, inédita, foi lentamente acumulada e dedicada à compra de títulos públicos federais da carteira do BC em caráter temporário, determinado pela venda dos papéis pela autoridade monetária com o compromisso de recomprá-los em datas futuras. Essas “operações compromissadas” – que têm custo fiscal para o governo – significam para os bancos uma oportunidade de investimento rápido, com retorno garantido, alta liquidez e risco zero. Para o BC, as “compromissadas” são um instrumento de gestão de liquidez no arcabouço da política monetária. Simplificando, é com a compra e venda de títulos, que podem ser revertidas, que o BC consegue calibrar a oferta de dinheiro na economia de forma a garantir que o juro de curtíssimo prazo permaneça o mais próximo possível da meta Selic definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a cada 45 dias. Esse ajuste ocorreu ontem, quando a Selic de 7,50% entrou em vigor, e ele é necessário para que (em tese) o país tenha crescimento econômico sem pressões inflacionárias. Ontem, para equilibrar a liquidez no mercado aberto, o BC retirou de circulação R$ 243,2 bilhões. -
Blog 18/04/2013 às 16h03 2
Revisão do ciclo de aperto monetário já começou
O violento ajuste das projeções de juros futuros não está contaminando a avaliação de economistas de mercado que já reavaliam as perspectivas para os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu a zero (ou a quase zero) a probabilidade de aceleração do processo de alta da Selic e eventuais estragos que poderiam ser agendados se o aperto monetário fosse pra valer. A opção pelo aumento da taxa Selic em 0,25 ponto percentual definiu um padrão de atuação. E a falta de unanimidade na decisão selou o futuro do ciclo. Os votos dissidentes dos diretores Aldo Mendes e Luiz Awazu Pereira pela estabilidade da taxa são interpretados como limitadores da extensão do ciclo. Analistas consultados pelo Casa das Caldeiras reforçam a tese da abreviação do novo ciclo monetário no tempo e na dose. As projeções para o ajuste total da Selic estão encolhendo, migrando para 0,75 a 1,0 ponto percentual. Os analistas que ainda estão tateando o terreno para definir novas estimativas não poderiam estar em melhor companhia. O Departamento Econômico do Itaú Unibanco, sob o comando de Ilan Goldfajn, confirmou no final da manhã sua projeção de aumento “máximo” da Selic em 1,0 ponto, que será alcançado de 0,25 em 0,25 ponto por reunião. No limite, portanto, o Copom encerra a tarefa deste ano em agosto. -
Blog 18/04/2013 às 08h36 3
Cautela do Copom força ajuste de conta no pregão
O Comitê de Política Monetária (Copom) ressuscitou a “cautela” que se destacou na ata de março e elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 7,50% ao ano. Essa foi a leitura feita por especialistas ontem à noite após o anúncio da nova taxa básica. Se esse ajuste será suficiente ou não para frear a inflação e ancorar as expectativas são outros quinhentos. Mas a opção do Copom pelo aumento mais brando do juro justifica a expectativa generalizada de que nesta manhã haverá uma forte correção de posições no pregão de contratos de Depósito Interfinanceiro DI na BM&FBovespa, uma vez que a aposta majoritária das tesourarias bancárias era de elevação da Selic em 0,50 ponto, para 7,75% ao ano. Os próprios tesoureiros calculavam ontem que os contratos de juros de prazos mais curtos serão os mais afetados pela decisão do Copom porque esses vencimentos terão de devolver parte das altas gigantescas que sofreram desde que o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou, na sexta-feira, que “não há e não haverá tolerância com a inflação”. -
Blog 17/04/2013 às 19h58 1
O “pancadão” das tesourarias
Impera a volatilidade no mercado futuro de juros. Os contratos de Depósito Interfinanceiro DI mais negociados no pregão da BM&FBovespa intercalam altas e baixas desde o início do dia. A intensa oscilação se mostra insuficiente para desmontar a aposta das tesourarias de que a taxa Selic passará por três elevações consecutivas de 0,50 ponto percentual cada, a partir de hoje. O comportamento dos juros futuros corrobora a opinião de um grupo de analistas para quem o Comitê de Política Monetária (Copom) puxará a Selic, hoje, de 7,25% para 7,75%, e na sequência eleve a taxa até 8,75%, encerrando o ciclo de aperto monetário de 1,50 ponto percentual. Apesar do vaivém dos contratos na bolsa, permanece ao redor de 1 ponto o diferencial entre a taxa de um ano e a de cinco anos, sugerindo que se o Copom optar por um aumento forte da Selic resultados positivos virão – a inflação será contida. Quem prevê correção menor da Selic argumenta que a alta maior pode sim frear a inflação e minar a recuperação da atividade. -
Blog 17/04/2013 às 10h31 1
Política monetária X política partidária
O governo pode até passar a impressão de não interferir, influenciar ou tentar conter o ciclo de aperto monetário que o Banco Central deve formalizar hoje à noite ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas isso não se estende ao PT, simpatizantes ou oposição. Em menos de 24 horas foram colocadas na mesa informações relevantes para o curso da política monetária com impacto não desprezível sobre expectativas. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, que produz calafrios no mercado financeiro e é oriundo da Democracia Socialista, linha de esquerda do PT, apresentou ontem o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 em comissão no Congresso e indicou que vem por aí uma reforma importante no superávit primário. Hoje, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que há espaço para desonerar os serviços de transporte público para ajudar a conter a inflação. A informação não é nova, mas o momento não poderia ser pior para o Copom. -
Blog 16/04/2013 às 12h54 3
Nem o FMI vê convergência da inflação para meta
O governo Dilma Rousseff olha torto para o mercado financeiro que mantém as projeções para a inflação brasileira bem distante do centro da meta de 4,5%. Mas os nossos analistas, que veem o IPCA avançando 5,68% neste ano, levaram uma rasteira do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nem os economistas do Fundo acreditam que na possibilidade de a inflação convergir para o centro da meta em 2013 e projetam alta de 6,1% no Panorama Econômico Mundial divulgado nesta terça-feira. Essa variação coincide com a média esperada para 32 economias da América Latina e Caribe. Desse elenco, em apenas seis países a inflação deve superar a brasileira em 2013, revela o FMI: Haiti (6,7%), Nicaragua (7%), Uruguai (7,3%), Jamaica (8,5%), Argentina (9,8%) e Venezuela (27,3%). A projeção mais baixa de inflação feita pelo Fundo para esse bloco de 32 países, de 1,3%, é a de Belize. -
Blog 16/04/2013 às 09h33 4
Guinada na marca do pênalti
A expectativa de aumento da taxa Selic em 0,50 ponto percentual amanhã pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que inicia hoje sua reunião de dois dias, ganhou consistência indiscutível na abertura da semana, mas pode subir no telhado nesta terça-feira. A escalada começou ontem no fim da tarde, quando os contratos de Depósito Interfinanceiro DI exibiram uma guinada radical. Tesourarias bancárias, que elevaram as projeções de taxas de juros pela manhã, derrubaram as projeções à tarde. Variações tão intensas de taxas após às 16h30 são raras, mas aconteceram em sintonia com uma súbita indefinição do cenário externo – variável inesperada que será incluída nas perspectivas para a política monetária. A guinada dos juros ontem no fim do dia não fez evaporar, contudo, a expectativa de elevação da Selic em 0,50 ponto nesta semana, o que aconteceu foi a queda de quase 70% para 50% de o aumento de 0,50 ponto ser confirmado. Mas a chance segue elevada. Analistas consultados pelo Casa das Caldeiras ontem à noite preferiam, contudo, não arriscar palpite sobre o comportamento dos juros futuros nesta terça-feira. -
Blog 15/04/2013 às 08h35 4
Governo cerca inflação, BC define tática e Copom puxa Selic
Depois de muito ruído, a inflação falou mais alto. Governo em geral e Banco Central (BC) em particular reconheceram a urgência de impor um freio à escalada dos preços na economia e com o uso do instrumento tradicional, a taxa de juro. A urgência é econômica e política. Não dá mais para aguardar os efeitos das desonerações tributárias –coadjuvante no controle da inflação –, porque eles podem demorar a se manifestar. A oposição, não. Dar corda à inflação impõe à presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição em 2014, o risco de dormir com o inimigo e comprometer sua imagem e a do governo, se aumentar a percepção dos brasileiros de que estão perdendo renda por aumento de despesas com itens básicos. Por ora, a oposição mira a inflação e, na retórica, o jogo está 1 a zero. O baixo crescimento econômico já está sendo incorporado ao discurso do senador tucano Aécio Neves e o placar da disputa entre Dilma e seu maior competidor pode avançar para 2 a zero – contra as prioridades da presidente ou os meios de alcançá-las. Há motivo de sobra para o ministro Guido Mantega defender o combate à inflação com juro. E não faltará apoio ao BC de Alexandre Tombini que expôs, na sexta-feira, a tática a ser usada na condução da política monetária. O presidente do BC falou pouco, de repente e sem plateia. Deu certo. -
Blog 12/04/2013 às 16h01 0
Incerteza econômica cresce, mas sem exagero
O mundo anda duvidoso e o Brasil ainda mais. Até porque a trajetória de alguns indicadores, sobretudo os financeiros, foram atropelados pela expectativa crescente, de março para abril, com o momento em que o Banco Central (BC) desencadearia um novo ciclo de aperto monetário. A incerteza prossegue, mas a solução está próxima. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne na semana que vem. Mas não é só a perspectiva de aumento do juro básico do país que castiga especialmente os analistas do mercado financeiro. A deterioração das perspectivas inflacionárias e a depreciação seguida do fortalecimento da taxa de câmbio e seus efeitos na indústria, além de componentes e da dispersão da confiança de empresários, são algumas das variáveis que compõem um quadro mais amplo que o Brasil Plural traduz em alta de 3,8% no seu índice de incerteza de março. -
Blog 12/04/2013 às 10h17 7
Analistas e tesoureiros divergem sobre ciclo monetário
Analistas não são unânimes em afirmar que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará apenas em maio o ciclo de alta da taxa Selic, mas estão perto disso. O resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro divulgado nesta manhã, abaixo da média das projeções mas em queda mensal de 0,52%, conspira para a união em torno da visão majoritária, que destaca a relevância do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre para que o Banco Central (BC) tome sua decisão sobre a taxa de juro. O PIB do primeiro trimestre, a ser divulgado pelo IBGE em 29 de maio, e a inflação estão do topo das avaliações de cenário feitas dentro e fora do governo. Por ora, atividade recuperação lenta e inflação forte formam uma equação que justifica o uso da palavra “cautela” nos pronunciamentos do presidente da instituição, Alexandre Tombini. “Todo BC, em uma economia com inflação sob pressão e a atividade lá em baixo, tem que pensar duas vezes antes de agir”, ponderou uma fonte oficial à jornalista Claudia Safatle, do Valor. -
Blog 11/04/2013 às 15h45 2
Inflação ganha jogo de cintura, mas sem contorcionismo
A resistência da inflação destacada pelo Banco Central (BC) quase em prosa e verso pode exibir lentamente algum jogo de cintura nos próximos meses. Essa é a indicação dada pelo Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima que divulgou projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os meses de abril e maio. Após a confirmação do avanço de 0,47% do indicador em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação deve desacelerar para 0,45% em abril e 0,32% em maio. Essas taxas não têm a função de prever a variação efetiva dos preços, mas auxiliar as instituições financeiras a formar preços de títulos públicos. No entanto, se essas estimativas se confirmarem, o IPCA acumulado em 12 meses começaria a se afastar devagarzinho do teto da banda, de 6,50%, estabelecida pelo regime de metas vigente no Brasil. Em maio, o índice acumulado estaria em 6,34%. Em 12 meses encerrados em março, a inflação atingiu 6,59%. -
Blog 11/04/2013 às 08h50 1
Mercado foca atividade e apoio do Planalto ao Copom
Passada a inflação de março, eleita pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, como variável importante para a definição “tática” da política monetária e que acusou variação no piso das expectativas, hoje e amanhã o mercado estará concentrado em dados de atividade. Hoje, o IBGE divulga vendas no varejo. Amanhã, o BC apresenta o seu próprio Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – ambos de fevereiro. Essa data de referência pode ofuscar os resultados por ser fevereiro um mês festivo e curtinho. Mas não é prudente descartar a possibilidade de um desses indicadores (ou ambos) desencadear revisões para as projeções da taxa Selic. Outra variável, mais que subjetiva a pesar sobre as expectativas quanto às decisões do BC sobre juro, é o apoio do Planalto à elevação da Selic na semana que vem. Em se tratando de política monetária, apoio em excesso pode confundir-se com orientação. E o calendário político, combinado com os efeitos defasados da política monetária, não dá margem para dúvidas: sendo o juro acionado para frear a inflação, como será, quanto mais cedo o BC elevar o juro, melhor. O efeito de contenção dos preços será mais rápido e menores serão as interferências do próprio BC nos mercados, no ano eleitoral de 2014. -
Blog 10/04/2013 às 12h49 2
Inflação desacelera, mas dinâmica de alta persiste
A inflação brasileira de março, representada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançou 0,47%. Essa variação, colada ao piso as projeções dos analistas, confirmou importante desaceleração mensal e chegou a alimentar a expectativa de que o Banco Central (BC) poderia protelar um aumento da taxa Selic. O Comitê de Política Monetária do BC tem, na semana que vem, a oportunidade de ajustar a Selic para conter a escalada da inflação. Depois disso, só no fim de maio. Mas o alívio produzido de bate pronto pelo IPCA relativamente mais brando evaporou ao final da primeira hora de negócios no mercado financeiro. Esse tempo foi o suficiente para que especialistas em preços identificassem fragilidades na evolução do indicador. E o resultado foi o retorno, em cena, da possibilidade de o aperto monetário começar na semana que vem e numa escala moderada ou “cautelosa” como vem assinalando o BC, de 0,25 ponto percentual. Confirmada, a próxima taxa Selic subirá a 7,50% ao ano. -
Blog 10/04/2013 às 09h20 0
Analistas e programas garimpam sutilezas no IPCA
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta o IPCA num texto padrão, reconhecido às escuras por qualquer analista que tenha um mínimo domínio de estatísticas. Conhecidas a alta do índice no mês, no acumulado deste ano que será equivalente ao primeiro trimestre e em 12 meses encerrados em março, os especialistas correrão para os seus bancos de dados e modelos para esmiuçar sua composição. Um experiente economista apontou para o Casa das Caldeiras onde estão os riscos desse índice que receberá tanta atenção do Banco Central (BC) por seu papel decisivo na definição dos próximos passos da política monetária. O indicador de difusão, que representa o percentual de preços de itens em alta do IPCA de março neste caso, é muito importante porque apontará o grau de disseminação dos reajustes de preços. E o preocupante histórico deste ano não disparou alarmes no BC que vem endurecendo o discurso contra a inflação desde o início do ano. Em janeiro, o índice de difusão do IPCA atingiu 75%, a maior marca para meses de janeiro desde 2003. Em fevereiro, esse indicador recuou a 72%. Mas a média para “janeiros” desde o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de 68%. -
Blog 09/04/2013 às 15h14 10
“Conselheiros” de Dilma sancionam alta da Selic já
Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e Yoshiaki Nakano, os três principais economistas que dispensaram apoio intransigente à decisão do governo Dilma Rousseff de iniciar o longo ciclo de alívio monetário em agosto de 2011, que rendeu a queda de 5,25 pontos percentuais de baixa à Selic, agora sancionam a pronta elevação do juro pelo Banco Central de Alexandre Tombini. O trio, que também apoiou a decisão do governo de promover forte desvalorização do real, reuniu-se ontem em Brasília com a presidente e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. -
Blog 09/04/2013 às 08h37 4
Sem cantilena do BC, inflação ameaça teto da meta
A inflação oficial de março será divulgada amanhã e o estouro do teto da meta está praticamente contratado. A consistência da projeção média para o IPCA do mês passado é grande. Portanto, operadores e analistas perguntam que surpresa pode trazer o indicador a ponto de justificar a importância que o Banco Central (BC) vem atribuindo à inflação de março para traçar o destino da política monetária ou o início do ciclo de aperto monetário. Em fevereiro, o IPCA avançou 0,60%. Em março, deve subir 0,50%. Esta é a média apurada junto a 14 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, com estimativas entre 0,47% a 0,52%. Economistas entrevistados pela jornalista Arícia Martins, do Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, veem uma lenta perda de fôlego nos preços dos alimentos. Na pesquisa Focus, divulgada ontem, a projeção mediana do mercado também ficou em 0,50%. Em 12 meses, a inflação brasileira atingirá 6,62%. O teto do regime de metas vigente no Brasil é de 6,50%. -
Blog 08/04/2013 às 15h58 0
Bradesco lidera ranking de rentabilidade, apesar do juro menor
A cruzada do governo pela redução dos juros e por uma atuação pesada dos bancos públicos no crédito foram ações bem-sucedidas em 2012, mas não a ponto de impedir que o Bradesco, segundo maior banco privado do país, assumisse a liderança em rentabilidade sobre o patrimônio entre os bancos da América Latina e Estados Unidos com ativos superiores a US$ 100 bilhões. Embora a rentabilidade do Bradesco tenha recuado de 19,83% em 2011 para 17,27% em 2012, a instituição conseguiu ultrapassar o Banco do Brasil que perdeu a cabeça do ranking, revela levantamento da Economatica divulgado nesta segunda-feira e que reúne 19 bancos. No BB, a rentabilidade caiu de 21,55% em 2011 para 16,89% no ano passado. O Itaú nem perdeu nem ganhou. Permaneceu impávido na terceira colocação com rentabilidade sobre o patrimônio reprisando 16,70%. Entre os gigantes brasileiros, o Santander Brasil ocupou a décima sexta colocação com rentabilidade de 6,83% no ano passado. -
Blog 08/04/2013 às 12h07 3
Inflação sobe no palanque e ainda fura teto da meta?
O Banco Central (BC) vem afirmando e reafirmando que a inflação de março é importante para as decisões que vier a tomar sobre a política monetária. O mercado sabe que essas decisões tem relevância particular neste momento de definição do ponto de partida de um novo ciclo de aperto monetário – se em abril ou maio e em que ritmo de ajuste será deflagrado. Mas o IPCA de março, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira, tornou-se duplamente importante após as declarações feitas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Folha de S.Paulo em entrevista publicada na edição de domingo. Aécio, principal rival de Dilma Rousseff na disputa pela Presidência da República em 2014, acusou a presidente de ser leniente com a inflação. Numa clara demonstração de que um embate entre oposição e governo tende a ser bastante acirrado e delicado no terreno econômico durante a corrida eleitoral, o senador usou o próprio Banco Central (BC) para atacar a presidente. -
Blog 05/04/2013 às 08h30 2
“Cautela” prevalece e ajuste da Selic em abril está em marcha
O Banco Central (BC) dispõe de diversos instrumentos para gerenciar as expectativas do mercado. A comunicação, já avisou o presidente da instituição, Alexandre Tombini, produziu efeitos importantes no primeiro trimestre deste ano. Referia-se, claro, à boa comunicação. Mas a má comunicação, apesar dos ruídos que provoca, também pode ser uma ferramenta e tanto. Prova o comportamento do mercado. O saldo dos últimos dois dias foi o aumento da probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a taxa Selic em abril. Os negócios foram encerrados ontem no pregão da BM&FBovespa com os contratos de juros embutindo alta da Selic em torno de 0,15 ponto percentual em 17 de abril. A tendência é de avanço gradual dessa aposta aos 0,25 ponto. No ritmo alcançado ontem, em uma semana a perspectiva de ajuste da Selic em abril chega a essa variação – classificada pelos analistas como “cautelosa”. E que, se confirmada, instalará a Selic em 7,50% ao ano. Essa taxa não é alta o bastante para ceifar a inflação, que segue imperativa em torno de 6,3% em 12 meses, mas tem virtudes. -
Blog 04/04/2013 às 12h29 0
Dúvida com Selic faz mercado a “tirar” R$ 244 bi de juro futuro
A percepção de que o Banco Central ou integrantes da equipe econômica estariam reforçando alertas sobre o comportamento da inflação elevou em muitos graus a temperatura do mercado de juros ontem, aumentando as incertezas quanto à possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a taxa Selic em 17 de abril. E não apenas em 29 de maio – data da quarta reunião do colegiado em 2013 e que, pelo menos num primeiro momento, foi acolhida como certeira para a retomada do aperto monetário pelo BC. Nesta quinta-feira, o mercado prioriza a correção de excessos cometidos ontem quando a tensão aumentou, desalinhando algumas projeções de juros no pregão da BM&FBovespa, relata a jornalista Lucinda Pinto, editora-assistente do Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor. O corre corre visto no call de fechamento dos negócios com juros futuros ontem teve como resultado prático uma redução considerável de posições em aberto nesse mercado. Elas encolheram 2,44 milhões de contratos. Isso significa uma polpuda cifra de R$ 244 bilhões em valor de referência. Essa queda engloba os 38 vencimentos de contratos de juros futuros cotados no pregão. Mas nem todos perderam investidores. As vedetes – Julho 2013 e Janeiro 2014 – ganharam adesões. Os contratos de prazos mais longos, que normalmente abrigam estrangeiros, perderam. E são exatamente essas posições as que operam em baixa expressiva nesta manhã. -
Blog 04/04/2013 às 10h12 0
Vale quanto pesa
A trilionária dívida interna brasileira custa caro ao governo mesmo com a redução da taxa de juro que só no governo Dilma Rousseff encolheu 5,25 pontos percentuais, para 7,25% ao ano. E, ainda que o juro venha a subir em 17 de abril ou 29 de maio – datas das próximas reuniões do Copom vistas como alternativas para o início do aperto monetário por analistas de mercado – a taxa Selic não voltará aos dois dígitos. E essa certeza, corroborada por declarações oficiais e pela constatação de que o Brasil mudou, inibe preocupações com o financiamento dos títulos públicos federais. Esses papéis, que compõem um estoque de R$ 1,864 trilhão e são muito bem remunerados, continuam encantando investidores e desempenhando um papel único no mercado financeiro. -
Blog 03/04/2013 às 08h39 1
O segredo é a alma do negócio
Esse antigo provérbio, pra lá de batido, mostrou ser verdadeiro aos profissionais mais experientes e céticos do mercado financeiro que assistiram, ontem, à queda dos juros negociados no mercado futuro que foi intensificada pela afirmação do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, de que o ajuste da política monetária começou a ser feito em janeiro. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente do BC disse que há três meses, portanto, o BC externou maior preocupação com o comportamento da inflação. Ele não disse, mas essa sinalização deu suporte à alta das projeções de taxas de juros. -
Blog 02/04/2013 às 08h23 0
Uma chance para Tombini
O momento não poderia ser mais oportuno para o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, vir a público fazer um balanço das operações da instituição, apontar as prioridades eleitas por sua diretoria neste momento e o cenário em que estão sendo processadas as políticas monetária e cambial. Às 10 horas, Tombini cumpre a obrigação legal de prestar contas a parlamentares reunidos na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), palco dessas audiências públicas periódicas que raramente se limitam ao relato das rotinas da instituição. Hoje, o presidente do BC comparece pela nona vez à CAE desde a sua posse no início de 2011. Deve fazer uma apresentação e um pronunciamento, o que é raro. Até hoje, só ocorreram três em suas audiências no Senado. E essa escassez é prova da relevância da palavra do presidente do BC que se faz necessária neste momento de mercado sutilmente dividido. Perigosamente dividido. -
Blog 01/04/2013 às 16h26 1
A culpa de cada um
O BC vem apontando, há semanas, em ações e documentos a necessidade de administrar a política monetária com “cautela” dado o grau de incerteza que cerca o cenário inflacionário. Tesourarias bancárias, que atuam pesadamente no mercado futuro de juros, e analistas de mercado entenderam a tal “cautela” do BC como ajuste suave, de 0,25 ponto, da Selic há um tempo. Uma análise mais detalhada do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) não alterou essa avaliação. O RTI e a entrevista do diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, durante a apresentação do documento na quinta-feira passada, reforçaram a ideia de que vem por aí uma alta branda de juro, preferencialmente em maio, informam interlocutores do Casa das Caldeiras. O relatório e o diretor teriam sinalizado que a inflação se mantém como um relevante fator de preocupação, mas não a ponto de sancionar uma ação atabalhoada do Comitê de Política Monetária (Copom), cuja estratégia de atuação será estabelecida, de fato, após minuciosa análise de indicadores mais contemporâneos. -
Blog 01/04/2013 às 08h31 0
Muita calma nesta hora
Chegou o segundo trimestre do ano – aquele em que a inflação acumulada em 12 meses poderá chegar a 6,7% segundo o Relatório de Inflação – e o mercado financeiro pode ser tentado a fazer uma escolha ao retomar os negócios hoje. Manter concentrada como está a aposta na elevação da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em maio ou refazer suas projeções e colocar algumas fichas na possibilidade de o Copom agir na reunião de abril. Em duas semanas. Alterar o palpite pode custar caro. No último pregão na véspera do feriado, os juros futuros apontavam 30% a 40% de chance de a Selic subir 0,25 ponto, para 7,75% ao ano em abril. Mas a chance era de 100% para ajuste de 0,25 ponto em maio. As declarações da presidente Dilma Rousseff sobre combate à inflação versus crescimento em entrevista à imprensa em Durban, África do Sul, na semana passada, quando participou da V Cúpula dos Brics, atiçaram analistas que rapidamente enxergaram o Banco Central (BC) refém do Planalto, amplificaram o coro em defesa da independência da instituição e chegaram a condicionar a credibilidade do BC ao aumento do juro na primeira oportunidade. Isto é, em abril. -
Blog 29/03/2013 às 10h37 5
IPCA e IPCA do B
A inflação oficial do Brasil deve fechar 2013 em 5,6%. Essa é a projeção do Bank of America Merrill Lynch que está bem alinhada à do mercado. E essa estimativa é até bem comportada frente à variação acumulada em 5,84% de janeiro a dezembro de 2012. Mas a inflação brasileira pode não estar aí, não, dependendo de quem olha e de como olha. E David Beker, economista-chefe do BoFA no Brasil, prova que para o IPCA existe um IPCA do B que é bem mais gordinho. -
Blog 28/03/2013 às 14h57 0
História para não contar
Na saideira de apresentação dos balanços trimestrais das companhias abertas brasileiras, a Eletrobras, holding estatal do setor elétrico, apresentou um resultado histórico. Para pior. O prejuízo de R$ 10,49 bilhões no quarto trimestre de 2012 é o maior da história entre todas as empresas do país, de acordo com levantamento da Economatica. Essa perda literalmente federal está 42% à frente da segunda colocada, de R$ 7,4 bilhões, que não foi amargada por nenhuma outra empresa pública (certamente para contentamento da presidente Dilma Rousseff) e muito menos no seu mandato. -
Blog 28/03/2013 às 08h24 2
Dilma gera diz que diz, mas projeção para Selic se mantém
O mercado financeiro guardou um bocado de energia para interpretar o Relatório Trimestral de Inflação que estará disponível no site do Banco Central (BC) a partir das 8h30 desta quinta-feira. E parte dessa energia foi sugada ontem com o diz que diz provocado pelas declarações da presidente Dilma Rousseff, em Durban, e que atiçaram o mercado de juros que abriram o dia em queda alimentada por um resultado animador de IGP-M abaixo do esperado em março. E assim continuaram. Não só a tendência do juro foi preservada, mas a perspectiva de elevação da Selic em maio também. -
Blog 27/03/2013 às 10h23 2
Novas relações
O mercado financeiro, crítico até por antecipação a qualquer declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai ter de redobrar a atenção às suas manifestações em breve. A decisão da Fazenda de lançar um índice para medir o sentimento do mercado com relação aos principais indicadores econômicos e financeiros, antecipada pela jornalista Edna Simão, em matéria antecipada ontem no Valor PRO, serviço de tempo real do Valor, surpreendeu (poucos) analistas de mercado que desconheciam a iniciativa da Pasta que não pretende concorrer ou tirar espaço do Boletim Focus – pesquisa semanal do Banco Central (BC). O Ministério da Fazenda também pretende desenvolver outro indicador, em caráter experimental, para avaliar o sentimento do varejo. A expectativa é de que, pelo menos o indicador relacionado ao mercado financeiro, passe a ser divulgado oficialmente ainda neste semestre. -
Blog 26/03/2013 às 17h56 0
Os donos do crédito
É inegável que os bancos públicos começam a dominar o mercado de crédito no Brasil. Essas instituições, que exibem saldo trilionário das carteiras consolidadas desde julho do ano passado, tiveram uma participação e tanto na expansão do estoque nacional em 12 meses encerrados em fevereiro. Nesse período, responderam por 75% do aumento de R$ 342 bilhões no saldo total dos empréstimos realizados no país que alcançou a cifra recorde de R$ 2,383 trilhões. Os bancos privados de controle nacional contribuíram com menos de 16% e os estrangeiros contribuíram com o restante. -
Blog 26/03/2013 às 08h40 0
O crédito de cada um
O governo demonstra confiança em expansão econômica de 3,5% a 4% este ano e conta com investimentos e consumo. O crédito compõe a cena. Nesta manhã, o Banco Central (BC) apresenta suas novas projeções para o crescimento do crédito em 2013. Em dezembro, o BC indicou expectativa de aumento total das carteiras de 14% -- resultado acanhado se comparado ao avanço de 16,2% do crédito total em 2012 e ao entusiasmo exibido pelos bancos oficiais. O desempenho da Caixa no primeiro bimestre é exemplar. As operações saltaram 43,1% em relação a igual período do ano passado. E o banco projeta para 2013 expansão de 37,5%. Os bancos privados não dão pinta de que pretendem estar sequer no chinelo dos estatais. Ontem, a Febraban distribuiu sua pesquisa apontando estimativa de aumento de 15,6% para o crédito total este ano – resultado também inferior ao obtido pelo sistema financeiro nacional no ano passado mas um pouco melhor do que o esperado pelo BC há três meses. -
Blog 25/03/2013 às 14h35 0
Novidade, futuro de Selic deve ganhar massa crítica
O contrato derivativo lançado pela BM&FBovespa que mantém equivalência à taxa Selic ainda não completou um mês. Não dá para dizer, portanto, que não pegou no mercado financeiro. O mercado futuro de Selic ainda precisa ganhar massa crítica. Na última sexta-feira, foi realizado na BM&F um negócio com 100 contratos de vencimento em janeiro de 2014 e em volume financeiro de R$ 9,4 milhões. As posições em aberto totalizavam 820 contratos. Esse derivativo que está em negociação desde 1º de março com o código “OC1” – referência às operações compromissadas do Banco Central (BC) com os bancos em prazo de um dia – nasceu para que o mercado tivesse à disposição um ativo com relação mais direta com as decisões de política monetária. E também para, gradualmente, consolidar a taxa Selic como indexador universal dos contratos financeiros, em substituição ao CDI. -
Blog 25/03/2013 às 08h33 1
Trimestre cai do calendário com agenda parruda
O feriado da Paixão de Cristo encurta a semana, mas não reduz sua importância para o mercado financeiro. Além de fechar o primeiro trimestre do ano, data fatal para os balanços de empresas e bancos de capital aberto, a agenda reserva para a quinta-feira a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação. A partir desta segunda-feira serão divulgados o balanço das operações no mercado aberto em fevereiro, das operações monetárias e de crédito em fevereiro, o resultado das contas fiscais – na versão Tesouro que traz o desempenho do Governo Central e na versão Banco Central (BC) que é definitiva com o consolidado do setor público também em fevereiro. Ainda teremos a inflação medida pelo IGP-M de março e a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) que definirá a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) que valerá de abril a junho. A TJLP é o indexador da maioria dos financiamentos do BNDES e está em 5% ao ano. Em 12 meses, comparada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) acumulado em 12 meses, que é a inflação oficial do Brasil, essa taxa é negativa. E assim deve permanecer porque não se espera um desmaio repentino da inflação. -
Blog 22/03/2013 às 13h27 3
Não foi desta vez
A inflação medida pelo IPCA-15 de março avançou 0,49% em relação a fevereiro, desacelerou mais que o esperado pelas instituições financeiras e acena com perspectivas promissoras para o índice oficial, o IPCA, que sai no começo de abril. Essa variação empurrou o indicador acumulado em 12 meses a 6,43% - taxa bem próxima do teto do regime de metas para inflação, de 6,50%. Mas não foi desta vez que a inflação furou o teto. Por ora é um exagero contar que o IPCA, também em 12 meses, vai engrenar a marcha ré, mas persistem as expectativas de declínio ao longo do segundo semestre. O IPCA-15, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta sexta-feira, mais enxuto animou. No entanto, o índice de difusão de aumento de preços subiu a 74,2% - patamar mais elevado para o mês de março desde 2003. Em fevereiro, o índice de difusão foi de 71%. -
Blog 22/03/2013 às 08h34 1
Mercado sob pressão
O mercado financeiro que aguarda uma declaração do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, sobre o IPCA-15 de março em pronunciamento que deve fazer na Câmara de Comércio França-Brasil nesta sexta-feira, pode não se contentar com pouco. A turbulência que desalinhou os principais ativos ontem à tarde sugere que o mercado procura mais respostas. A percepção de que investidores estrangeiros estão retirando recursos do país provocou um efeito em cadeia. O câmbio esquentou, os juros futuros saltaram e a bolsa rompeu um suporte importante que rifa esperanças de recuperação. É o fim do mundo? Não. É um alerta para o governo que pode estar mirando as urnas em 2014, mas ainda tem quase dois anos inteiros do país sob sua administração. -
Blog 21/03/2013 às 14h37 1
Me dê motivo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não sabe porque a Caixa e o BNDES foram rebaixados pela agência de classificação de risco de crédito Moody’s. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o ministro afirmou que os bancos públicos brasileiros são administrados com transparência e eficiência. “Todos os bancos públicos [são], não só BNDES e Caixa”, disse. Já a Moody’s, que ontem à noite reduziu as notas atribuídas às duas instituições e à BNDESPar, divulgou hoje um denso relatório detalhando as razões do rebaixamento de rating dessas instituições públicas. E o documento não suaviza a decisão. A agência corrobora com dados a afirmação de que o balanço do BNDES tem sido usado como uma ferramenta de política econômica anticíclica. E que os dez principais credores do banco de fomento impunham uma exposição equivalente a 417% do capital nível 1. A avaliação da Caixa não é mais amena. A Moody’s afirma que, nesse caso, as dez maiores exposições de crédito correspondiam a 119% do capital nível 1, acrescentando que a quantidade e a qualidade da base de capital dessas instituições “têm se deteriorado”. -
Blog 21/03/2013 às 08h32 2
Todos os olhos e ouvidos para Tombini
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, precisa caprichar nos discursos que pretende fazer em São Paulo hoje e amanhã. Nesta quinta-feira à noite, Tombini participa da comemoração de 30 anos da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), entidade que representa os bancos pequenos e médios. O momento é crítico e a plateia também. -
Blog 20/03/2013 às 15h20 0
BC amplia chance de banco sair do curto prazo
Os bancos brasileiros concluíram no início desta tarde uma aplicação de reais em compras temporárias de títulos do governo brasileiro diretamente com o Banco Central do Brasil (BC) por prazo de 90 dias. Essa foi a segunda operação realizada nesta semana. A primeira aconteceu na segunda-feira, quando os bancos entregaram ao BC R$ 20 bilhões, recebendo papéis federais em troca e remuneração de 7,31% ao ano na data do vencimento da operação, em 18 de junho. Hoje, o BC estava disposto a recolher R$ 10 bilhões dos bancos que entregaram R$ 7,02 bilhões. E o mecanismo se repetiu. As instituições receberam títulos públicos e garantia de rendimento de 7,33% ao ano. Esta segunda rodada de aplicação de bancos no BC vencerá em 20 de junho. A partir desta quarta-feira, os bancos autorizados a operar no mercado aberto terão duas oportunidades de transferir recursos disponíveis no caixa para o BC por prazo de 90 dias em troca de juros bem próximos à taxa Selic. Essa aplicação – conhecida como “operação compromissada” – será oferecida, portanto, às segundas e quartas-feiras por prazo de 90 dias e, às sextas, por prazo de 180 dias. -
Blog 20/03/2013 às 08h38 1
Juros, inflação e especulação
Há um mês, o juro real sofreu uma inversão. Retornou ao patamar de 2% e vem buscando 2,4% nos últimos dias. É um avanço e tanto se comparada à cotação mínima de 1,39% alcançada no início de dezembro do ano passado, mas baixíssima se comparada aos 7% que a presidente Dilma Rousseff encontrou quando chegou ao Palácio do Planalto, no início de 2011. O juro real, calibrado pela diferença entre a projeção de inflação para 12 meses captada pelo boletim Focus e a taxa de contratos de swap prefixado de 360 dias, decolou com as primeiras manifestações de desconforto do Banco Central com a inflação que puxaram os juros nominais. A alta dos juros, flagrante no mercado futuro da BM&FBovespa, foi atenuada com a divulgação da ata do Copom, em que o BC indicou aperto monetário mais brando. Mas os juros futuros seguem elevados para os padrões estabelecidos no governo Dilma e, por ora, as baixas observadas nos últimos dias ainda não garantem uma tendência. Podem ser atribuídas também à maior volatilidade dos ativos financeiros. -
Blog 19/03/2013 às 13h07 1
O sonho do governo
Não tem nada que o governo possa desejar mais do que o contágio de todos os índices de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP – o IPC-Fipe. Esse indicador, que mede a inflação da cidade de São Paulo, avançou 1,15% em janeiro, desacelerou fortemente para 0,22% em fevereiro e, na segunda quadrissemana de março, divulgada nesta manhã, apresentou deflação de 0,11%. Os grupos que já haviam apresentando variação negativa de preços na primeira quadrissemana de março e registraram aceleração dessa queda na segunda leitura dos preços foram Habitação e Despesas Pessoais. Em contraponto, subiram com mais força, da primeira para a segunda leitura, os grupos Alimentação e Educação. O grupo Transportes teve variação positiva, mas menos intensa em igual período. -
Blog 19/03/2013 às 08h30 0
Aperto monetário brando inquieta investidor
O mercado dá sinais de estar convencido de que o Banco Central (BC) pretende atenuar o próximo ciclo de aperto monetário, mas persiste uma inquietação com a gestão da política monetária – e crescente para quem mantém aplicações com vencimento a partir de 2015. “Não se discute a reeleição da presidente Dilma Rousseff ou a sua sucessão, mas quais são as chances de o BC persistir com a atual política por tempo prolongado”, comenta o experiente tesoureiro de um banco nacional que alerta para o desafio que é trabalhar com a imprecisão de resultados das desonerações tributárias sobre os índices de preços. As desonerações vêm atuando como coadjuvante da política de juros no controle da inflação, ou vice-versa, e a persistência dessa ação coordenada por mais tempo é questionada por analistas. E intuitivamente por investidores, em particular os estrangeiros, que elevam os prêmios sobre os juros mais longos em busca de proteção para súbitas correções de rota que o BC tenha que vir a fazer na taxa Selic, se a política de desoneração se desgastar ou não produzir os efeitos esperados. -
Blog 18/03/2013 às 17h57 2
Tudo tem limite
Ao apelar para as desonerações, o governo faz um evidente esforço para que o Banco Central (BC) não carregue a mão nos juros. Não há segredo nisso. Mas a presidente Dilma Rousseff dará sem dúvida uma demonstração de bom senso se vetar os excessos cometidos pelo Congresso Nacional quando aprovou a Medida Provisória 582, no mês passado. Os parlamentares ampliaram de 15 para 48 setores os segmentos beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos. A MP encaminhada pelo governo ao Legislativo em setembro contemplava 15 setores aos quais deputados e senadores agregaram mais 33. A presidente tem até o dia 2 de abril para sancionar a matéria. -
Blog 18/03/2013 às 10h34 0
BC chega a 2015 antes do novo governo
O Banco Central (BC) chegará a 2015 antes do novo governo, seja quem for o próximo presidente do Brasil. O BC abre 2015 com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) que será divulgado na semana que vem. O documento, um dos mais importantes instrumentos de comunicação da autoridade monetária, vai trazer projeções de inflação para até o primeiro trimestre de 2015. E apresentará a estimativa final do BC para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013. Em dezembro, data do Relatório de Inflação mais recente em circulação, a estimativa para o crescimento econômico do país era de 3,3% em quatro trimestres até o terceiro trimestre deste ano. Agora, o BC fechará quatro trimestres até o quarto trimestre de 2013. A rotina de apresentação dos relatórios trimestrais, que nasceram com a adoção do regime de metas para inflação no Brasil em 1999, lançará, portanto, as primeiras projeções oficiais que poderão nortear programas dos candidatos às eleições em outubro do ano que vem. E isso vale também para a presidente Dilma Rousseff, hoje com elevadíssima probabilidade de permanecer no Planalto por mais quatro anos. -
Blog 15/03/2013 às 15h15 0
Dilma defende consumidor, mas discurso tem novo tom
A decisão da presidente Dilma Rousseff de fortalecer mecanismos de proteção ao consumidor é uma boa ação que rende um bom discurso e até voto. Mas não é de simples e rápida implantação. Por esse motivo ou graças a uma oportuna sensibilidade política ficou patente a mudança de tom no discurso feito pela presidente na cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Consumo e Cidadania, nesta sexta-feira, em Brasília. -
Blog 15/03/2013 às 08h30 0
Muito governo pra pouco mercado
Nesta sexta-feira é elevado o risco de existir pouco mercado para muito governo. Informações devem pipocar de “fronts” diferentes, mas economia e política estarão disputando terreno palmo a palmo. O Banco Central (BC), embora protagonista de eventos fechados à imprensa, estará sujeito a ampla exposição. Divulga seu índice de atividade econômica, reúne economistas para arrematar o Relatório Trimestral de Inflação e um de seus diretores, Luiz Awazu Pereira, estará com investidores e representando o BC na reunião do Banco Interamericano para o Desenvolvimento, no Panamá. A agenda do BC está recheada, embora discreta, mas está longe de concorrer com a da presidente da República. Mas as duas agendas terão um atento espectador em comum: o setor de bancos. -
Blog 14/03/2013 às 16h02 0
Ressaca e pé no chão
Passada a exaustiva leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) – surpreendente para alguns analistas e decepcionante para outros –, o mercado financeiro retoma os negócios tentando realinhar as projeções para os juros com o pé no chão. Mas sem alterar substancialmente, por ora, a mensagem enviada ao Banco Central: leniência com a inflação tem preço que aparece mais cedo ou mais tarde. Neste momento, a aparente tolerância com inflação resistente e com chance de estabilidade em patamar em elevado está sendo embutida nos juros. As projeções no mercado futuro ensaiam sustentar um avanço nos prazos mais longos. Os contratos de depósitos interfinanceiros com vencimentos mais curtos recuam. Quem está de bom humor reconhece que esse ajuste acaba dando uma força ao BC. A instituição pode estar tentando ganhar tempo para iniciar o aperto monetário mais adiante. Para os analistas mais críticos à ata, o recuo das taxas mais curtas tem explicação mais simples – é resultado do reposicionamento de instituições que decidiram jogar a toalha porque não veem mais qualquer chance de o BC usar o juro para atacar a inflação. -
Blog 14/03/2013 às 08h26 0
Mercado aguarda ata do Copom, mas teme respostas do BC
O mercado aguarda a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que será publicada em alguns minutos com um baita inventário nas mãos. Conta com esclarecimentos da diretoria do Banco Central do Brasil. Mas não sabe se deve acreditar neles. E isso é grave. As perspectivas para a inflação para este e para o próximo ano apresentadas no documento importam, sempre importam, mas não há santo que faça milagre na avaliação dos analistas. Se as projeções permanecerem coladas na média de 5,5% para 2013 e 2014, está tudo certo. Mas nesse tópico vale checar o ajuste feito pelo Copom na estimativa para redução da tarifa residencial de energia elétrica, como prometeu a instituição no começo do ano, quando, na ata de janeiro, estimou o corte em 11%. Pouco depois do encerramento da reunião do colegiado, a presidente Dilma Rousseff confirmou um recuo de 18% em rede nacional de rádio e televisão. Ficou a impressão de que o Copom atribui desconto menor em seus cálculos. Mas vai fazer diferença num índice que o mercado vê “contaminado” por preços alterados por desonerações tributárias em escala crescente? -
Blog 13/03/2013 às 14h13 0
Juros saltam com medo da inflação e BC de mãos atadas
A ata do Copom pode aliviar a mão pesada de tesourarias bancárias e gestores de fundos de investimentos no pregão da BM&FBovespa, onde os juros não dão trégua. As instituições estão sendo movidas, desde cedo, pela percepção de que a inflação está saindo do controle. Essa suspeita, que o governo pode classificar como torcida, foi turbinada pela coleta diária de preços da Fundação Getúlio Vargas. O monitor diário da FGV mostra que a inflação avançou de 0,65% para 0,66% na média dos preços de 30 dias comparados aos 30 dias imediatamente anteriores. E saltou de 0,59% para 0,65% “na ponta” – conceito que avalia o comportamento médio dos preços nos últimos três dias comparados a igual período 30 dias atrás. Para arrepio geral, mesmo com a desoneração da cesta básica, essa coleta aponta que março pode ser mais um mês com surpresas negativas na inflação. -
Blog 13/03/2013 às 08h43 1
Tombini “subtrai” demais e mercado “soma” em juro
Uma alteração de texto, uma interpretação supostamente equivocada de declarações do presidente do Banco Central durante um seminário em Varsóvia, na Polônia, e a confirmação de que diminuiu a ociosidade na indústria brasileira em janeiro foram os ingredientes do coquetel que fez detonar uma frenética alta dos juros projetados nos contratos negociados no mercado futuro da BM&FBovespa nesta terça-feira. A súbita arrancada dos juros, que chegaram a recuar mas encerraram o dia pressionados, deve ser lida como um único recado ao BC: são fortes os motivos que justificam a revisão da Selic e, para controlar a inflação, a taxa deve subir. -
Blog 12/03/2013 às 14h19 0
O tamanho da inflação de Tombini
O mercado virou de pernas para o ar com a informação desencontrada de que o presidente do Banco Central (BC), a quem não falta problema, teria dito em seminário em Varsóvia, promovido pelo BC da Polônia, que a inflação estaria resistente. O BC procurou o Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor e esclareceu que os comentários feitos por Tombini referiam-se à inflação de alimentos e serviços. A inflação de alimentos, indica com clareza solar a apresentação feita pelo presidente do BC no seminário e publicada no site da instituição, chegou a 12,5% em 12 meses até fevereiro frente ao IPCA geral de 6,3%. -
Blog 12/03/2013 às 08h30 1
Governo abranda IPCA e amplia insegurança do investidor
Dá para entender o temor do governo brasileiro quanto à possibilidade de a inflação sair do controle no momento em que a campanha para a eleição presidencial avança. Mas é difícil aceitar o risco que o governo está tomando ao jogar tantas fichas na política de desonerações. Querendo a presidente Dilma Rousseff ou não, as ações que vêm sendo tomadas pelo governo geram insegurança nos investidores, têm efeito imediato sobre a dívida pública e, portanto, sobre a estrutura das taxas juros praticadas no país. Portanto, o governo pode estar semeando sérios prejuízos: elevar significativamente o custo fiscal embutido no financiamento de sua dívida em mercado, encarecer por tabela o custo do crédito para tomadores privados, inclusive para investimentos que esse mesmo governo tanto defende, e colocar na berlinda a credibilidade do Banco Central ao autorizar questionamentos sobre a autonomia da instituição em executar uma de suas tarefas – a política monetária. -
Blog 11/03/2013 às 14h53 0
Tête-à-Tête
A ata da reunião do Copom que aconteceu na semana passada e suprimiu a “manutenção suficientemente prolongada” da Selic certamente foi alvo de diretas e discretas conversas entre o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo. E bem longe de casa. A dupla, que está na Basileia e participa da reunião bimestral de dirigentes de bancos centrais promovida pelo Banco Internacional de Compensações (BIS) e que termina hoje. A dupla poderia ter sido um trio. Mas o diretor de Assuntos Internacionais e Regulação do Sistema Financeiro, Luiz Awazu Pereira, teve sua agenda alterada por outros compromissos na Espanha e Panamá. Carlos Hamilton partiu para a Suíça na sexta-feira e estará em Brasília amanhã. Tombini partiu no sábado e amanhã participará, na Polônia, de seminário promovido pelo BC daquele país e, na quarta, está em Brasília. Neste mesmo dia a ata do Copom deve estar concluída. -
Blog 11/03/2013 às 08h31 0
Dilma acelera campanha e amplia relevância da ata do Copom
A ata do Copom que sai na quinta-feira, às 8h30, é o evento mais relevante da semana. O anúncio da desoneração da cesta básica pela presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira à noite em cadeia de rádio e televisão, foi forte o suficiente para provocar, nesta manhã, um freio ou até mesmo a interrupção do circuito de alta das taxas de juros que consolidaram a escalada da Selic pelo Banco Central nos próximos meses. Essa possibilidade diminui a relevância da ata? Certamente não. A presidente acabou empurrando o mercado para uma maratona de cálculos e reestimativas de inflação. E reforçou o elenco de interrogações já existente sobre o equilíbrio das contas públicas. A presidente Dilma também aguçou a expectativa com o posicionamento do Banco Central (BC). Embora a ata trate de indicadores e eventos observados até o dia da definição da taxa de juro pelo Copom, as expectativas não são ignoradas e, na semana passada, já estavam comprometidas por suspeitas sobre as iniciativas que o governo poderia tomar para segurar os preços sem mexer na Selic, apesar do juro ter sido alardeado pelo ministro da Fazenda como “o” instrumento de combate à inflação. -
Blog 08/03/2013 às 18h45 0
Inflação na telinha
A presidente Dilma Rousseff pode dar um passo e tanto na conquista de entusiastas à sua reeleição em 2014 nesta sexta-feira à noite ao homenagear as mulheres brasileiras, pelo Dia Internacional da Mulher, e anunciar a desoneração da cesta básica em rede nacional de rádio e televisão, conforme antecipou nesta tarde o jornalista Bruno Peres, do Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, com um fonte do Palácio do Planalto. Mas a presidente estará colocando o Banco Central (BC) numa saia justa. Ainda que a desoneração dos produtos da cesta básica reduza em alguns pontos os índices de inflação ao consumidor por um tempo, as interferências do governo no comportamento natural dos preços na economia provocam distorções ou artificialismos que entrarão nas projeções do mercado mais cedo ou mais tarde. Isso de um lado. De outro, essa desoneração específica, que poderá reduzir o preço dos alimentos dessa cesta, na média, em 6,5%, terá um impacto de até R$ 3,6 bilhões na arrecadação federal em um ano. -
Blog 08/03/2013 às 13h05 0
O pagador de promessas
Enquanto o mercado administra o mau humor ampliado pelo resultado da inflação de fevereiro e o Banco Central (BC) reza pelo bom comportamento das tesourarias de grandes bancos, inutilmente porque as mais importantes estão sustentando forte alta dos juros futuros, o governo se esforça para aliviar alguns preços e dar explicações – aos investidores e aos brasileiros. Está a caminho a desoneração da cesta básica que ainda não saiu por ter elevado custo fiscal, antecipou ontem no Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, a jornalista Leandra Peres. Essa isenção, quando confirmada, poderá reduzir o preço desses alimentos, na média, em 6,5%. Uma promessa cumprida que está dando certo e produzindo efeito nos índices de preços, é a redução da conta de luz. Mas para que tudo continue exatamente como está, o governo precisa assumir outros compromissos. E mais um foi detalhado nesta manhã, após publicação no Diário Oficial da União: o financiamento de parte do rombo aberto no caixa das distribuidoras de energia elétrica pelo uso das usinas térmicas que foram ligadas para compensar a queda na geração das hidrelétricas pela falta de chuvas. As informações foram antecipadas ontem à tarde pelos jornalistas Daniel Rittner e André Borges, especialistas em infraestrutura do Valor PRO. -
Blog 08/03/2013 às 08h38 0
Linha de tiro
O IPCA de fevereiro será divulgado daqui a pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador pode variar de 0,40% a 0,63% em relação a janeiro, de acordo com 11 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data. Na média, a estimativa é de inflação mensal em alta de 0,50%, que elevará o índice em 12 meses a 6,20%. O mercado observa a marca de 0,50% como espécie de limite de tolerância para o avanço do índice no mês passado. A reação de tesourarias bancárias e grandes investidores tende a ser maior quanto mais a variação do IPCA progredir em direção a 0,60%. E os contratos de depósitos interfinanceiros negociados no mercado futuro são candidatíssimos a levar mais um tranco, especialmente nos prazos mais longos, que ontem já tiveram forte alta. O comunicado do Copom encurtou o pavio do mercado porque deixou sua decisão sobre a taxa Selic “data-dependent”, dependente de dados, e se os dados são desfavoráveis à manutenção da Selic nos atuais 7,25%, o mercado “avisará” o Banco Central. -
Blog 07/03/2013 às 15h26 0
Ajuste fiscal?
O governador do Rio, Sérgio Cabral, é um estrategista nato. Encontrou uma saída rápida para conquistar aliados contra a redistribuição dos royalties do petróleo. Ao derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff ao rateio dessas receitas, garantindo sua concentração nos Estados e municípios produtores, os royalties poderão, em tese, escoar um pouquinho para cada canto do país. Os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo são os mais prejudicados com essa divisão de recursos que passará pelo crivo do Superior Tribunal Federal. Até que a Corte anunciar sua decisão sobre a inconstitucionalidade da lei aprovada pelo Legislativo, Cabral suspendeu todos os pagamentos do Estado. Escapam da penúria os servidores públicos. -
Blog 07/03/2013 às 08h34 0
Ciclo de alta da Selic entra em cena e cobra seu preço
A taxa Selic não saiu do lugar, confirmando a projeção unânime dos analistas, mas o Banco Central (BC) referenda a sua validade até 17 de abril ao garantir, nesta manhã, a rolagem estimada em R$ 270 bilhões de aplicações de bancos feitas em títulos públicos na carteira da instituição. A estabilidade da Selic em 7,25% ao ano foi anunciada ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom) com a aprovação dos oito membros do colegiado. O comunicado do Copom sofreu uma drástica, mas previsível, alteração. Dele foi excluída a avaliação do BC que entendeu, desde outubro do ano passado até recentemente, que a estratégia mais adequada para a convergência da inflação para a meta era “a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado”. Agora, o Copom revela menos. -
Blog 06/03/2013 às 16h35 0
Mesquita e Torós avaliam momento peculiar do BC
A representação do setor privado no Banco Central (BC) terminou há três anos, quando o economista Mario Mesquita deixou a diretoria de Política Econômica da instituição. Um ano antes, Mario Torós afastou-se da diretoria de Política Monetária. No ano de 2010, o BC, presidido por Henrique Meirelles, iniciou uma fase de transição que culminaria com a consolidação de um novo perfil de comando que prevalece no governo Dilma Rousseff, composto basicamente por funcionários de carreira. Responsáveis por áreas nevrálgicas especialmente durante a crise financeira global de 2008/2009, Mesquita e Torós entendem que a política monetária enfrenta um momento peculiar. -
Blog 06/03/2013 às 08h27 0
Aumentar diesel em dia de Copom?
Menos de 15 minutos separaram o anúncio de mais um reajuste do preço do diesel nas refinarias do encerramento do primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que define hoje a próxima taxa Selic que estará em vigor até 17 de abril. A Petrobras elevou o preço do diesel em 5% a partir da meia-noite. Este é o segundo aumento do combustível no ano. O ajuste anterior, de 5,4%, foi anunciado em 29 de janeiro, quando a estatal também elevou o preço da gasolina em 6,6% nas refinarias praticamente duas semanas após o primeiro encontro do Copom neste ano. Esta decisão da Petrobras pode provocar uma reviravolta nas projeções para a Selic. O Banco Central (BC) precisaria de uma justificativa mais forte que a própria inflação já observada (além das expectativas desancoradas) para iniciar o ciclo de aperto monetário? Se precisava, conseguiu em tempo. -
Blog 05/03/2013 às 15h31 1
Juro real volta ao “patamar Dilma”
O juro real brasileiro permaneceu duas semanas acima de 2%, amargando um retrocesso de oito meses, como resposta do mercado aos sinais emitidos pelo governo e pelo Banco Central (BC) entendidos como proximidade da elevação da taxa Selic para combater pressões inflacionárias. O ajuste, começou a apostar o mercado, poderia acontecer já na reunião de março que tem início nesta tarde e termina amanhã. Nos últimos dias, porém, o fortalecimento da ideia de que o Copom poderá usar o comunicado desse encontro para preparar o terreno para uma futura alta da Selic, levou à redução do juro real que rompeu novamente o suporte de 2%. -
Blog 05/03/2013 às 10h40 0
Expectativa para Selic ancorada favorece Tesouro
A percepção dos operadores de que o Comitê de Política Monetária (Copom) está orientando a política de juro para a manutenção da Selic em 7,25% ao ano amanhã à noite pode ser reforçada nesta terça-feira. E, se confirmada essa possibilidade, o Tesouro agradece. Afinal, o Tesouro é o emissor, o fiador e o liquidante de boa parte dos ativos envolvidos nos negócios do mercado financeiro. E os títulos com retorno prefixados – representados por LTN e NTN-F – foram incorporando a expectativa de elevação iminente do juro básico. -
Blog 04/03/2013 às 15h23 0
TOP 5 de 10 vê Selic 0,50 ponto mais alta até dezembro
O mercado financeiro está reticente quanto à elevação da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira. Mas uma elite de instituições do sistema, reunidas no grupo TOP 5, que no ranking em vigor dobrou de tamanho e lista 10 participantes empatados por índice de acerto nas projeções para o juro básico no curto prazo, conta com alta de 0,50 ponto percentual até o fim do ano, quando a Selic passaria de 7,25% para 7,75% ao ano. A projeção também mediana para o encerramento de 2014 avançou 0,25 ponto, para 8,25% ao ano, na opinião dessa mesma turma. Estão no grupo TOP 5 pela classificação “curto prazo” para a taxa Over Selic: Banco Itaú, Banco Safra, BB DTVM, BW Gestão de Investimentos, Claritas Administração de Recursos, GAP Asset Management, Ibiuna Investimentos, Icatu Vanguarda Administração de Recursos, Medley Global Advisors e Mercatto Gestão de Recursos. -
Blog 04/03/2013 às 08h31 0
Um olho no peixe, o outro no gato
Enquanto a presidente Dilma Rousseff confere a vida real e zela por seu índice de popularidade em João Pessoa, Paraíba, onde inaugura, nesta manhã, 576 casas no Jardim Veneza ao lado do prefeito Luciano Cartaxo, o mercado financeiro concentrado no eixo Rio-São Paulo confere as consequências do diminuto PIB de 2012. A expansão de 0,9% em relação a 2011, acanhada demais para ser celebrada, não garante aborto de pressões inflacionárias. O mercado olha para o cruzamento dessas duas informações – as perspectivas para a atividade e para o IPCA – sem desprezar as palavras da presidente que não comentou o resultado do PIB, na sexta-feira. Colados ao mercado, os diretores do Banco Central, que compõem o Comitê de Política Monetária (Copom), também estarão atentos a Dilma porque amanhã e depois vão se debruçar sobre um número muito maior de indicadores para definir, na quarta-feira à noite, o que fazer com a política monetária. E como manter a credibilidade da instituição intacta. -
Blog 01/03/2013 às 14h17 0
O PIB e o último recado do Copom
A expansão gradual da economia brasileira, trimestre a trimestre no ano passado, confirmada nesta sexta-feira com a apresentação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelou, mais uma vez, descompasso entre consumo e investimento, entre oferta e demanda. A oferta segue contida em relação a uma firme demanda. Este é exatamente o quadro pintado pelo Banco Central na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) publicada em janeiro – a única disponível neste ano. E interpretada pelo mercado financeiro como claríssima transferência de responsabilidade pelo crescimento – e também por pressões inflacionárias – de Tombini para seus pares no governo. -
Blog 01/03/2013 às 08h26 0
PIB é atalho até o Copom
O desempenho da economia brasileira no quarto trimestre, que fechará o ano de 2012, é o dado que falta para que um grupo de instituições defina de vez sua aposta para a taxa Selic que será discutida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem. O resultado do PIB será divulgado pelo IBGE daqui a pouco. Até agora, os analistas são unânimes em afirmar que a Selic não sai do lugar em março. Mas alguns desses profissionais – acusados de esperançosos demais pela maioria pessimista – não desprezam a possibilidade de o PIB avançar mais que o esperado. E sugerir recuperação mais rápida da atividade e mais pressão inflacionária. Mas o aperto monetário vem? E qual é o juro necessário para derrotar a inflação e o Banco Central cumprir o seu mandato e arrastar o IPCA para o centro da meta? O PIB futuro teria um desempenho mais sofrível do que o até agora apresentado? -
Blog 28/02/2013 às 15h00 2
Juntos, na alegria e na tristeza
Uma das indicações mais interessantes do levantamento feito pelo Valor PRO com 35 analistas de mercado sobre os rumos da política monetária é a coincidente (e incomum) aposta dos maiores bancos do país. Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC projetam manutenção da taxa Selic em 7,25% ao ano até dezembro de 2014. Para observadores do mercado, especialmente dos bancos e até seus adversários, os departamentos econômicos dos bancos, que frequentemente acertam na mosca as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), não por acesso a informações privilegiadas mas por rigor estatístico, estão evitando expor opiniões que contrariem o governo. E por um motivo simples e compreensível: o temor de represália direta (ou não) à instituição ou represália direta (ou não) ao setor. Aliás, um setor não exatamente bem amado pelos governos petistas. -
Blog 28/02/2013 às 08h31 0
Inflação à espreita?
O governo está confiante, renova seu compromisso com o controle da inflação, vê seu arrefecimento e os índices mais favoráveis divulgados essa semana reforçam essa visão e também o discurso mais otimista do Planalto e do Ministério da Fazenda que há dias batem nesta tecla – aqui e no exterior. Mas índices menos pressionados de inflação também minam a forte defesa feita pelo mesmo governo, incluindo o Banco Central, a favor do juro como instrumento de combate à inflação, além da urgência da alta da Selic que veio a reboque. O juro básico teve seu papel fortalecido contra uma assombração menos assustadora. Tanto isso é verdade, que não há consenso no mercado financeiro se e quando o BC começará a elevar a taxa Selic. Para 15 de 35 analistas ouvidos pelo Valor PRO, a Selic permanecerá estável até 2014. Mas a inflação mudou de mão? Parece que não. Sinais pouco tranquilizadores vêm de setores diferentes. Nem os alimentos prometem trégua, apesar da safra agrícola recorde. -
Blog 27/02/2013 às 15h11 0
Em busca do câmbio possível
Expectativas desancoradas sobre inflação acabam em prejuízo mais cedo ou mais tarde – para o governo e para o mercado. E o resultado só piora se o desalinhamento se estende , como acontece neste momento, às taxas de juro e de câmbio. A ideia de que o mercado financeiro não transfere “declarações oficiais” para suas apostas em ativos é ingênua. O governo com frequência se surpreende. E o mercado também. O vaivém do dólar é um bom exemplo de interferência do discurso e de intervenções oficiais na formação de um preço que repercute na economia real. Ontem mesmo, em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se apegou novamente ao câmbio. E afirmou em discurso, no seminário sobre infraestrutura promovido pelo Valor, que o câmbio estável não provoca pressão relevante nos preços. -
Blog 27/02/2013 às 08h36 1
Bancos privados e públicos disparam alertas
Justamente agora que o governo precisa garantir financiamento para investimentos e conclama os bancos a participarem de operações de longo prazo, o crédito no país pode estar dando sinais de esgotamento. As transações em janeiro ficaram praticamente estáveis frente ao mês anterior. Efeitos sazonais podem explicar esse desempenho. Dezembro é período em que a dobradinha “festa e férias” leva à ampliação dos empréstimos junto às instituições, tendo como consequência uma ressaca danada em janeiro. Mas desta vez pode ser diferente. Os bancos privados não apresentaram expansão sequer mediana das carteiras em 2012. Encerraram o ano prometendo dias melhores, mas na base da formalidade porque a preocupação com as provisões para calotes é persistente. Os bancos estão na retranca. Podem sair dela, mas ainda não é certo que sairão. Nos bancos públicos o esgotamento é de corte de juro. O Banco Central, quando e se decidir apertar o juro, deve considerar os riscos impostos às instituições financeiras quando “virar” a Selic. -
Blog 26/02/2013 às 15h28 0
Transparência até demais
O governo já disse que o juro é o instrumento de combate à inflação. O Banco Central (BC) concorda. O mercado não tem certeza de que o ajuste da taxa Selic virá em março. Aliás, tem cada vez menos certeza sobre a elevação do juro básico a toque de caixa. E, nesta manhã, o BC fez um alerta indireto aos analistas sobre o esforço nada pequeno a ser empreendido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para garantir a tração da política monetária em geral e da taxa Selic em particular na estratégia de manter a inflação sob controle. As estatísticas detalhadas do crédito direcionado contratado no país, divulgadas hoje pela primeira vez, são reveladoras porque esse tipo de crédito pesa contra as ações do BC – multiplica moeda e dá um drible na Selic porque tem custo baixo. O crédito direcionado inclui operações do BNDES, financiamento habitacional e rural. -
Blog 26/02/2013 às 08h32 0
Um pé em cada canoa
Com o mercado inteiro plugado em Nova York, Alexandre Tombini perdeu uma rara oportunidade de mandar aos grandes investidores um recado em nome do Banco Central que preside. E, no fim do dia, alguns ouvintes que chegaram a acreditar na disposição e na necessidade de Tombini ancorar as expectativas de inflação já duvidavam da própria convicção. E o recuo dos juros na BM&FBovespa, embora moderado, era visto como o sinal mais evidente de esmorecimento do discurso de Tombini – caprichado na descrição das ações do governo brasileiro e nas perspectivas para a infraestrutura no país, mas tímido no que diz respeito à inflação. -
Blog 25/02/2013 às 16h57 0
Estrangeiros mantêm o pé no Brasil
O mundo continua azedo, os juros seguem em recordes de baixa no mercado internacional e o Brasil, mesmo mantendo restrições tributárias às aplicações financeiras de estrangeiros em renda fixa, mantém seu apelo. Em janeiro, a participação desses investidores na dívida em títulos do governo negociada no mercado local subiu a 14,4% - maior percentual registrado na série do Tesouro iniciada em 2007. Essa fatia corresponde a cerca de R$ 264 bilhões de uma dívida que alcançou R$ 1,837 trilhão no fim do mês passado. -
Blog 25/02/2013 às 08h34 2
Atirando pra todo lado
O governo está em campo. A presidente Dilma Rousseff está na África. O ministro da Fazenda a caminho dos EUA. O presidente do Banco Central já está lá. A ministra-chefe da Casa Civil e o presidente do BNDES desembarcarão no Reino Unido. O governo tem dois alvos na mira: a inflação e o desalento da atividade econômica. Alexandre Tombini saiu na frente e marcou posição. Em entrevista ao The Wall Street Journal disse que a prioridade do BC é a inflação. Esta afirmação reforça a ideia (já colocada) de que a inflação será combatida com mais Selic, tendo o Planalto como avalista. E nem poderia ser diferente. O mercado futuro já incorporou a possibilidade. Os analistas nem tanto. Não está claro quando o BC agirá e em que medida. Para esse grupo, a situação não é dramática. Sem contar que o BC sempre pode corrigir “mais”o juro básico em tempo menor para resolver a parada. Puxar o crescimento exige mais. Não depende de um único instrumento ou agente. Problema? Nenhum, indica o governo que dispõe do BC, do Tesouro e dos bancos federais – um arsenal com força incomparável para definir ações que promovam investimentos. O trio pode muito. Emitir moeda, liberar compulsório bancário, afrouxar um pouco mais a política fiscal, bombar o crédito. Problema? Nenhum para este governo. O custo? A ver. -
Blog 22/02/2013 às 15h11 0
Perfil da dívida melhora, custo nem tanto
A disposição do governo brasileiro ou de qualquer outro governo de tornar a dívida negociada no mercado doméstico cada vez mais prefixada é bem recebida (sempre) por aumentar a previsibilidade dos gastos públicos com o pagamento de juros. Os investidores, pelo menos para os que acreditam na queda da inflação e das taxas de juros, também têm vantagens porque têm a oportunidade de obter retorno mais atraente antes de cada eventual ação dos bancos centrais nos ciclos mais intensos ou prolongados de alívio monetário. É uma possibilidade concreta de garantir ganhos com os juros altos por mais tempo. Mas a ampliação do estoque prefixado da dívida pública simultaneamente ao prazo de vencimento tem um efeito que não é desprezível. -
Blog 22/02/2013 às 08h30 0
Cuidado com a desaceleração
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga daqui a pouco o IPCA-15 de fevereiro. O resultado do índice – visto como uma prévia do IPCA considerado a inflação oficial do Brasil – pode dar a impressão de mudança nos ventos ou início de um processo de queda consistente e prolongada dos preços. A impressão é falsa. O IPCA-15 deve desacelerar de 0,88% observados em janeiro, maior patamar para o primeiro mês do ano desde 2003, para 0,62%, segundo a média de 11 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data. A jornalista Arícia Martins, antecipou ontem a informação em tempo real no Valor PRO, que as projeções para o índice variam de 0,60% a 0,66%. Essa baixa substantiva em relação a janeiro é uma resposta à redução de um solitário item. Isto é, à redução de 18% na tarifa de energia residencial. O IPCA-15, na verdade, continuará pressionado por preços ainda ruins dos alimentos, mensalidades escolares e reajuste de combustíveis. Não fosse a contribuição memorável da conta de luz, o IPCA-15 seria gorducho, em torno de 1%. -
Blog 21/02/2013 às 20h09 0
Dinheiro baratinho
No sistema financeiro brasileiro convivem bancos grandes, bancos médios e bancos pequenos. Alguns têm muito dinheiro, outros menos. Ainda que pareça improvável algum deles passar um aperto, isso é algo que sempre pode acontecer. E o Banco Central (BC) tem a obrigação de socorrer quem estiver no sufoco. Não de graça. Mas, ficou mais baratinho. Agora à noite, o BC anunciou uma redução importante no custo de suas linhas de liquidez. Isto é, no dinheiro disponível aos bancos. Aqueles que precisarem de recursos por apenas um dia útil, pagarão Selic mais 1% ao ano. Antes o custo era de Selic mais 6% ao ano. Para um empréstimo por prazo de 15 dias úteis, o custo caiu pela metade, de Selic mais 4% para Selic mais 2% ao ano. Se instituições recorreram às linhas de redesconto ou de liquidez do BC em janeiro, o mercado financeiro será informado na semana que vem. Na terça-feira será divulgado relatório sobre política monetária e operações de crédito e saques e/ou devoluções de recursos nessa linha específica são ali registrados. Em dezembro, ocorreram movimentações, na última semana, de pouco mais de R$ 300 milhões e R$ 10 bilhões. O dinheiro saiu do BC, mas voltou no dia seguinte. -
Blog 21/02/2013 às 16h14 0
Mantega não tem inflação
É necessário ser justa com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que recebeu a imprensa estrangeira nesta quinta-feira e, em conversa com os jornalistas, informou que a inflação deve terminar 2013 em 5,5%. Essa inflação não é de Mantega. Esse dado não é uma projeção da Fazenda. E o ministro fez essa ressalva ao ser questionado sobre inflação um pouco adiante, quando esclareceu que a projeção para o indicador é do mercado. O Ministério não solicitou correção dessa informação atribuída ao ministro no Casa das Caldeiras, mas vale aqui o esclarecimento. E a lembrança de que a pesquisa Focus divulgada na segunda-feira aponta inflação de 5,7% para este ano. Portanto, ministro, nem tudo é uma beleza. Para 2014, porém, o mercado espera IPCA em alta de 5,5%. Mas o ministro considera, sim, como afirmou aos jornalistas que a inflação brasileira está sob controle e que não são necessárias medidas cambiais já que o real permanece estável. -
Blog 21/02/2013 às 14h01 0
Inflação de Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou há alguns dias que inflação se combate com taxa de juro e não com câmbio. E provocou a expectativa de retomada do ciclo de aperto monetário pelo Banco Central (BC) em breve, dada a pressão inflacionária temperada por um elevado e incomum índice de difusão do IPCA. O mesmo ministro, em entrevista à imprensa internacional, que não constava de sua agenda de compromissos para esta quinta-feira, informou há pouco que a inflação deve terminar 2013 em 5,5%. Uma beleza. Essa previsão é mais favorável, inclusive, que a mediana do mercado, de 5,7%, segundo a última pesquisa Focus. Informação importantíssima acrescentada por Mantega: a inflação brasileira está sob controle. O ministro concorda, portanto, com o presidente do Banco Central. Alexandre Tombini afirmou não existir descontrole inflacionário no país, em discurso feito há três dias quando abriu a possibilidade de elevar a Selic se necessário. Outra declaração do ministro da Fazenda a anotar porque faz diferença na formação de preços na economia e, por tabela, no comportamento do juro. Mantega afirma que não são necessárias medidas cambiais já que o real permanece estável. -
Blog 21/02/2013 às 10h10 0
Confiança na berlinda
O empresário da indústria ficou menos confiante de janeiro para fevereiro. Uma posição de neutralidade quanto ao futuro, como é percebido neste momento, evitou declínio maior da confiança, aponta pesquisa divulgada nesta manhã pela Fundação Getúlio Vargas. Mas a percepção dos empresários pode mudar rapidamente, dependendo do empenho do Banco Central no uso da taxa de juro para combater a inflação. Até agora, o BC basicamente lançou a possibilidade de fazer um ajuste da taxa Selic. Mas o mercado futuro de juro não comprou a ideia de que esse movimento ocorrerá daqui a duas semanas, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) tem sua próxima reunião. -
Blog 20/02/2013 às 16h43 0
Em busca da meta
O Brasil corre o temerário risco de compor, neste ano e no próximo, um trio do barulho com duas economias no mínimo exóticas, caso o Banco Central não mova uma palha para conter a inflação. Dos 26 países que seguem o regime de metas para inflação, Brasil, Turquia e Gana são candidatos a experimentar as maiores variações de preços nos próximos dois anos entre todos os parceiros. -
Blog 20/02/2013 às 08h34 0
Tudo contra a inflação, até juro
Mais um dado confirmará daqui a pouco que a economia brasileira está devendo e a possibilidade de o Brasil mergulhar num descontrole inflacionário é improvável. Às 8h30, o Banco Central divulgará o Índice de Atividade Econômica de dezembro (IBC-Br) que deve desacelerar. A média das estimativas de nove consultorias e instituições financeiras ouvidos pelo Valor Data é de alta de 0,3% do indicador na passagem mensal. Em novembro, o avanço foi de 0,4%. O resultado desse indicador – considerado antecedente do PIB monitorado pelo IBGE – pode fortalecer a corrente de instituições que ainda não se convenceu de que a Selic será elevada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em breve, apesar da defesa feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o juro é o instrumento adequado para combater a inflação. -
Blog 19/02/2013 às 18h09 0
Bom senso garante leilão do Tesouro
Apesar da maré baixa para as NTN-Bs, os títulos do governo com remuneração indexada à inflação que vêm dando prejuízo aos fundos de investimentos, e da expectativa do mercado com indicações que poderiam vir do Banco Central (BC) sobre a retomada do ciclo de alta da taxa Selic, o Tesouro fez um leilão bem-sucedido nesta terça-feira. A instituição teve o cuidado de reduzir a oferta. Colocou à venda dois lotes de NTN-Bs às instituições, 2018 e 2022. E o maior interesse do mercado recaiu sobre o papel mais longo. E, nesse caso, não foram os quatro anos adicionais na maturidade do título que pesaram a favor, mas a possibilidade de ampliar o seu giro em mercado. -
Blog 19/02/2013 às 10h13 0
Se vem aperto, melhor sem prejuízo
As expectativas sempre se atropelam. No mercado financeiro, o comportamento das taxas de juros indica que as instituições já dão como certa a retomada do ciclo de aperto monetário pelo Banco Central (BC). A questão que agora se impõe é quando ele terá início e qual a sua dimensão. O Comitê de Política Monetária (Copom) estará disposto a fazer um ajuste mais forte e curto ou vai optar por correções homeopáticas da taxa Selic para evitar errar a mão? -
Blog 18/02/2013 às 13h08 0
Vítima do sucesso, NTN-B tem perdas e forte giro
A experiência de quase hiperinflação faz parte da história econômica do país e é relatada como algo distante, mas os brasileiros investidores não conseguem romper com a indexação. E o governo também não. A chance de trocar a indexação praticamente diária da LFT pela indexação de prazo mais longo representada pelo IPCA foi um avanço indiscutível no processo de melhora da composição e alongamento de prazo da dívida pública interna. Mas o Brasil ainda não tem inflação nanica ou juro “internacional”. E tanto isso é verdade que manifestações do governo (fora do script) a respeito da inflação, do juro ou do câmbio frequentemente produzem impacto. E foi exatamente isso o que aconteceu há algumas semanas com os títulos federais. Em particular com as NTN-Bs, com remuneração atrelada ao IPCA, que começaram a apanhar, arrastando a rentabilidade de fundos de investimentos. O gatilho para as perdas de rentabilidade dos papéis públicos foi a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada em 24 de janeiro. -
Blog 18/02/2013 às 10h49 0
Selic em nova perspectiva dá fôlego à NTN-B
Se ao eleger o juro como instrumento de combate à inflação, o governo tentou apenas conter as expectativas inflacionárias ou combater de fato a inflação ainda não é possível afirmar, mas é inegável que o governo já colheu dividendos por ter sido preciso na mensagem e esperto na escolha do mensageiro. Não há autoridade mais adequada, além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para reconhecer a importância da Selic para esfriar a alta dos preços. O ministro, ao lado da presidente Dilma Rousseff, é certamente um dos maiores defensores do menor juro possível para proporcionar condições favoráveis à expansão da atividade. Lançado por Mantega, em Moscou, o recado interpretado como “vamos de Selic contra a inflação”, provocou o realinhamento dos juros no mercado futuro e arrebanhou investidores estrangeiros, que já estavam afastados dos negócios. Esses investidores retomaram aplicações em contratos de juros com prazos mais longos atraídos por taxas de retorno que seguem atraentes quando comparadas à inflação sob controle. -
Blog 15/02/2013 às 13h46 0
Da Fazenda, mais um empurrãozinho a favor da Selic maior
Se o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, tivesse combinado com o ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ambos em Moscou na reunião do G-20, a declaração feita no fim da manhã a jornalistas, em Brasília, o resultado possivelmente não seria tão eficaz. Enquanto Mantega fez um evidente esforço para assegurar que o BC agirá quando julgar necessário para conter a inflação, que acende sinal de alerta ao superar o centro da meta, e que inflação se combate com juro e não com câmbio, Barbosa sugeriu que a inflação não terá uma trajetória de baixa por conta das medidas adicionais de desoneração já anunciadas. Raramente o governo é tão explícito em revelar o que ainda não aconteceu e o que não se deve esperar. Sinal dos tempos, o ministro interino da Fazenda afirmou, ao sair de uma reunião no Ministério do Planejamento, que ainda não foi tomada a decisão sobre a desoneração da cesta básica e da ampliação da lista de setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamento. -
Blog 15/02/2013 às 10h57 2
Selic que derruba inflação protege atividade?
O Banco Central (BC) interrompeu o processo de redução da taxa Selic em novembro do ano passado e conseguirá, com o apoio da Fazenda, dar início à elevação da taxa no mês que vem ou no próximo e trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, até o fim deste ano? É possível deslocar o IPCA de mais de 6% onde poderá estar em junho ou julho para uma variação tão menor sem provocar um estrago respeitável na atividade que já anda tão hesitante? Parece que não. Vem daí, em parte, o fato de ter prosperado a ideia de que o BC poderia sim usar também o câmbio para tentar segurar os preços. O real apreciado em relação ao dólar contribui para conter os preços imediatamente, barateando as importações de bens de capital. Mas tem como efeito colateral o risco de desmanchar essa indústria no país. E essa possibilidade a ser considerada não parece estar na agenda da presidente Dilma Rousseff. A elevação da Selic é eficiente e em princípio afeta – também imediatamente – os preços na economia via redução do crédito. Mas as nossas fontes, profissionais do mercado financeiro, ponderam que antes de fazer suposições a respeito de quando e em quanto a Selic pode avançar, é necessário se ponderar sobre o diagnóstico que estaria levando o BC a optar pela alta do juro. -
Blog 14/02/2013 às 15h45 0
Almas gêmeas?
O conceito de “meta de inflação flexível” que analistas consideram possível de ser adotada pelo Banco da Inglaterra, desde a indicação de Mark Carney para a presidência da instituição pode fazer um sucesso e tanto no Brasil, onde a inflação vive correndo da meta. Carney é o atual presidente do Banco do Canadá. E em discurso a parlamentares canadenses, na terça-feira, disse que “a posição do Banco do Canadá é que a meta flexível de inflação é a melhor do mundo”, acrescentando compartilhar da ideia de uma meta flexível de inflação no país, bem como no Reino Unido. A adoção da tal “meta flexível” pode até ser uma saída para o Reino Unido, onde a inflação vem superando com firmeza a meta de 2% há mais de três anos. Por aqui, em Terra Brazilis, o comportamento da inflação não tem sido diferente. -
Blog 14/02/2013 às 09h55 0
Calmaria com data de validade em novo cenário
O mercado ainda está inquieto com as perspectivas para a taxa de juro e ressabiado com a ideia de o câmbio ser usado no combate à inflação, mas está bem comportado. O governo, se preocupado ou indeciso, disfarça. Mas a data de validade dessa calmaria pode expirar amanhã, dia em que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, protagonistas das cenas mais animadas do mercado financeiro na semana passada, estarão novamente sob os holofotes na reunião do G-20, em Moscou. Por sorte (do mercado e do governo) Mantega e Tombini começarão a se movimentar quando o mercado doméstico estiver cumprindo a última sessão da semana, frequentemente mais enxuta. Por algumas horas, as instituições arriscarão voo solo. Para isso contarão, de um lado, com projeções de indicadores que pouco mudaram na última semana de muito ruído. E, de outro, com a informação de que o BC vê a economia se recuperando de forma gradual e moderada, mas avançando. E essa retomada poderá forçar o Comitê de Política Monetária (Copom) a “normalizar” a política monetária, relata o editor-executivo do Valor PRO, Cristiano Romero. -
Blog 13/02/2013 às 12h52 0
Cruzar os braços pode ser um bom negócio
Quarta-feira de Cinzas não é dia de negociação consistente no mercado financeiro a ponto de permitir que as instituições balizem taxas de juros e de câmbio a partir de premissas isentas de influências oficiais sobre os instrumentos que devem prevalecer neste momento para conter pressões inflacionárias sem inibir a atividade econômica – se juro, câmbio ou medidas de caráter administrativo ou macroprudencial. Até a sexta-feira, a baixa liquidez deve pautar os negócios. E um mercado estreito, onde vai sobrar operador de braços cruzados, pode ser benéfico para o restabelecimento de perspectivas que foram totalmente comprometidas por excessiva exposição a riscos. Essa exposição, confirmada por volume recorde de negócios na BM&FBovespa, talvez nem tivesse ocorrido se os portadores de sinais sobre as políticas monetária, cambial e fiscal não integrassem a linha de frente do governo. Nos próximos dias, o ministro Guido Mantega e o presidente do BC, Alexandre Tombini, estarão em Moscou, participando da reunião do G-20. É certo que distância não é garantia de silêncio. Mas certamente ajuda para que a dupla não reproduza o coro que patrocinou sem cerimônia, na semana passada, o desalinhamento de ativos e entornou expectativas de toda ordem – sobre juro, câmbio e inflação. -
Blog 13/02/2013 às 08h24 2
Está ruim e vai piorar
A inflação de 2013 será menor que a de 2012 e a inflação de fevereiro deste ano será menor que a de janeiro, acenou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na semana passada. Em entrevista à Globonews ao final da quinta-feira, quando imperou uma forte movimentação nos mercados de juros e câmbio, em reação ao IPCA salgado de janeiro apresentado cedinho pelo IBGE, Tombini indicou a queda da inflação brasileira à metade neste mês. E dificilmente o presidente do BC passará por desinformado. As instituições financeiras estão com ele. O Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima encerrou a semana apresentando suas mais novas projeções para o IPCA de fevereiro e março de, respectivamente, 0,40% e 0,42%. De fato, a metade da alta apurada em janeiro. Mas essa tesourada não garante bons ventos para o governo ou para o BC. Se, em janeiro, a inflação de 6,15% acumulada em 12 meses provocou uma balbúrdia, apertem os cintos! Em fevereiro, a taxa traz um refresco para, em março, alcançar 6,3%. -
Blog 08/02/2013 às 13h51 0
Gol de placa
A presidente Dilma Rousseff fez um golaço ao despachar para a Rússia – e juntos – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. A dupla falante participará da reunião do G-20 e embarcam com destino a Moscou logo após o Carnaval. -
Blog 08/02/2013 às 10h38 3
Inflação perturba mercado, mobiliza BC e belisca juro real
Pressões inflacionárias perturbam explicitamente o mercado de juros em qualquer momento porque é nesse mercado que o risco de perda do investidor numa batalha contra a inflação é quase visível – bate no bolso ou na carteira. E veio exatamente desse segmento, na quinta-feira, a maior reação contra a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro que, ao subir 0,86%, elevou a inflação oficial do país (acumulada em 12 meses) ao nível mais alto em um ano – 6,15%. O Banco Central (BC), numa rara ofensiva de comunicação, reconheceu que a inflação está pressionada, mas sob controle. Mas “sob controle” não significa recuo. E dessa constatação derivam preocupações, indagações e também especulações. -
Blog 07/02/2013 às 08h39 3
Inflação sugere retrocesso e põe ação do governo em xeque
O mercado financeiro sabe que a inflação ao consumidor vai levar um tombo de janeiro para fevereiro em função da queda da conta de luz. Mas enquanto esse indicador oficial maneiro não chega, o governo deve aturar mais algumas semanas de mau humor de operadores e analistas de mercado. O governo apelou ao que foi possível e até ao inesperado para frear a inflação. Só não promoveu um choque na taxa de juro. Parte do mercado financeiro considera um erro a opção feita pelo governo de recorrer a outros instrumentos e ter reduzido expressivamente o juro básico ao longo de um ano para, em seguida, manter a taxa Selic refém de uma estabilidade sem data de vencimento. E é exatamente dessa ala do mercado que se deve esperar algum alerta para o resultado da inflação oficial de janeiro que o IBGE divulgará daqui a pouco. O IPCA que abre 2013 será gordo. Em 12 meses possivelmente ultrapassará 6%. Para alguns analistas e até mesmo para o cidadão brasileiro, dependendo de como a informação chegará à população, esse índice terá sabor de retrocesso. Caberá ao governo neutralizar o efeito. -
Blog 06/02/2013 às 15h34 5
Mercado não “compra” controle da inflação pelo governo
O mercado de juros não compra de jeito nenhum o esforço e muito menos a possibilidade de o governo ser bem-sucedido no controle das expectativas de inflação – desonerando ou não os produtos da cesta básica. Os juros avançam sem trégua. E a percepção de que o Banco Central (BC) deixou de ser o “zelador” exclusivo do comportamento dos preços no país gera tanta desconfiança sobre sua autonomia operacional que o resultado acaba sendo o pior. Isto é, mais alta de juro. “As sucessivas ações tomadas pelo governo na tentativa de domar a inflação não contribuem em nada para ancorar as expectativas. Na verdade, acabam produzindo um efeito contrário. Ao tomar uma série de medidas para conter pressões de preços que pesam no IPCA, a mensagem que chega ao mercado é que o BC não tem autonomia para o fazer o mais correto e simples dentro de um regime de metas de inflação: subir os juros”, comenta um economista com experiência dentro e fora do governo. -
Blog 06/02/2013 às 08h44 1
Governo parte para cima da inflação
A medida ainda está no papel, mas a decisão está tomada. O governo pretende sim atacar de frente a inflação com a desoneração total da cesta básica ainda no primeiro semestre. A ação do governo tem endereço e motivo: o mercado financeiro e a coordenação de expectativas. Só com as expectativas sob controle será possível sustentar a defesa do crescimento sustentado – prioridade do governo Dilma Rousseff. Quebrar a resistência das expectativas inflacionárias deixou de ser tarefa exclusiva do Banco Central (BC). E é fato que o impacto positivo da redução da conta de luz acabou sendo diluído com o temor provocado pela possibilidade de racionamento de energia e, em seguida, pelo reajuste dos combustíveis. Essa cadeia de eventos acabou neutralizando as expectativas favoráveis à redução das pressões inflacionárias que simplesmente persistem e se sobrepõem a qualquer outro objetivo do governo. -
Blog 05/02/2013 às 17h15 0
Cesta básica – sai da gaveta desoneração para “muitos”
A perspectiva de desoneração da cesta básica catalisada no mercado de juros nesta manhã está há um tempão no elenco de medidas que podem ser tomadas pelo governo para conter o pique da inflação. Poderia ter sido anunciada no ano passado, mas foi vetada. Esse veto foi criticado pela Fiesp que via na desoneração da cesta básica um benefício e tanto para muitos brasileiros que utilizam mais de 30% da sua renda para a compra de alimentos. Esse grupo, segundo a Fiesp, representa 70% das famílias brasileiras. -
Blog 05/02/2013 às 08h47 2
Mantega volta à linha de frente. E com apoio de peso
Hoje é o dia de sorte do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que inicia em São Paulo a primeira etapa do circuito de palestras “Infraestrutura e Energia no Brasil: Projetos, financiamentos e oportunidades”, embalado por um elogio raro. De peso. Partiu do ex-ministro Antonio Delfim Netto o reconhecimento de que Mantega fez bem em lembrar, na semana passada, durante evento em Brasília, que a política fiscal é anticíclica, mas responsável; a taxa Selic não está engessada; a escolha dos instrumentos para o controle da meta inflacionária é tarefa do Banco Central e, por fim, mas não menos importante; a taxa de câmbio não é instrumento para baixar preços. Delfim, em coluna antecipada ontem no Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, destacou que as declarações feitas por Mantega eram necessárias para reduzir o ruído que se estabeleceu sobre a política econômica nas últimas semanas. Em contraponto, o ex-ministro disparou contra o BC. Apontou a recente intervenção da autoridade monetária no mercado cambial como a causa de um estresse nos exportadores, que acreditam na política do governo e tomara o risco de voltar a procurar seus clientes. -
Blog 04/02/2013 às 16h29 0
Muito barulho por nada
Subiu tanto a temperatura da discussão que envolveu câmbio, Selic, Banco Central e Ministério da Fazenda na semana passada que seria natural esperar uma alteração substantiva pelo menos das projeções desses indicadores na pesquisa Focus divulgada hoje. Isso não aconteceu. A percepção de que o BC e a Fazenda estavam em conflito aberto por sustentarem posições distintas a respeito da política cambial – com o BC defendendo maior apreciação do real frente ao dólar e, a Fazenda, maior desvalorização – elevou a tensão nas mesas de operações de câmbio, derivativos e renda fixa. Mas não foi além disso. -
Blog 04/02/2013 às 09h47 0
PMDB domina Congresso e acelera agenda do Planalto
O novo presidente da Câmara dos Deputados será eleito hoje e o favorito a levar o segundo cargo na linha de sucessão presidencial do país é o deputado Henrique Eduardo Alves. Na sexta-feira, o senador Renan Calheiros levou a presidência do Senado. Câmara e Senado possivelmente estarão sob custódia do PMDB por dois anos – por coincidência os últimos da gestão Dilma Rousseff . A presidente vem ajustando o seu papel e sua rotina a esse calendário exigente em resultados e decisivo para a continuidade do projeto político do PT. Esse projeto corre o risco de desmantelamento se for reduzido a apenas duas décadas no poder, entendem analistas políticos que, em conversa com o blog, alertam para a ansiedade que move a oposição – leia-se PSDB – no sentido de retomar o comando do país e livrar a política econômica do excesso de ativismo imposto pelo PT. -
Blog 01/02/2013 às 16h00 0
Bons ventos?
Nem tudo está perdido. Depois do 0 X 0 da produção industrial em dezembro, o setor pode acertar o pé em janeiro. Os dados para esse período monitorados pelo IBGE, instituto de pesquisas do governo brasileiro, serão conhecidos daqui a várias semanas. Mas o HSBC Brasil divulgou nesta sexta-feira o Índice Gerente de Compras (HSBC/Markit) que mostrou impulso no início do ano. A produção aumentou no melhor ritmo em 23 meses. E, pela primeira vez em quase um ano, as empresas contrataram funcionários. Nesse embalo positivo, as indústrias ampliaram as compras de matérias primas. Também os insumos tiveram elevação de preços. Detalhe negativo da retomada, parte da alta de custos de produção foi transferida aos clientes. Não chegará aos consumidores? Só a inflação dirá. -
Blog 01/02/2013 às 08h24 2
Selic está na linha de frente contra inflação
A ata do Copom tentou aposentar temporariamente a Selic como instrumento poderoso de combate à inflação, mas o mercado não. Tesourarias e analistas de bancos e consultorias mantêm a Selic em destaque entre as alternativas para manter os preços sob controle e dão fôlego às projeções de contratos futuros de juros. Por ora, as estimativas apontam para alta de 0,50 ponto percentual da taxa Selic no segundo semestre. Confirmado o ajuste, o juro básico encerraria 2013 em 7,75% ao ano, mas pode chegar a 8% sem dificuldade, avalia um experiente interlocutor do Casa das Caldeiras. O esforço do Banco Central (BC) de sinalizar a manutenção prolongada da taxa como a estratégia mais adequada para a convergência da inflação à meta de 4,5% ainda não é a tese vencedora. O fato de o dólar respeitar o teto de R$ 2 há três dias e o BC permanecer fora do mercado ontem, reforçando a ideia de que o câmbio será usado sim pelo governo como arma contra a inflação, não mudou em nada as expectativas do mercado que seguem sombrias e salgadas. -
Blog 31/01/2013 às 14h52 0
Trabalho dobrado
A economia brasileira ainda não está dando um show de bola, o governo está preocupado e faz bem. Mas os brasileiros estão bem ocupados e a renda continua crescendo. Isso é ótimo, mas tem consequências. Não há registro de outro momento em que tantos trabalharam ao mesmo tempo no país. O nível de ocupação em dezembro alcançou 55,1% em dezembro, 1,1 ponto percentual a mais do que no mesmo mês do ano passado. Na média, o percentual das pessoas com dez anos ou mais de idade que estavam trabalhando alcançou 54,2% em 2012, alta de 0,5 ponto em relação ao ano anterior. -
Blog 31/01/2013 às 08h28 1
A utilidade de um bom jogo de forças
Nada como a perspectiva de uma boa crise para que a anterior seja sepultada. E o resultado melhora quando estão em cena autoridades que podem de fato mudar as regras de um jogo. E melhora ainda mais quando é possível estabelecer contrapontos entre um Banco Central armado e resoluto e um ministro da Fazenda eloquente e sistematicamente “demitido” por desafetos no governo e fora dele. Uma dupla desse porte catalisa necessariamente a atenção de operadores e analistas. E se exagerarem em ações ou discursos é certo que promoverão volatilidade dos ativos e profunda reflexão ou paralisia nos mercados. Isso aconteceu ontem. E não chega a negar mudanças nas prioridades do governo Dilma Rousseff, ainda que numa visão curtoprazista. Não se deve desprezar, porém, o fato de que nos últimos dois dias o BC e a Fazenda provocaram tanta distração que passou despercebida, ontem, a garantia dada pelo BC de que o setor público cumpriu a meta de superávit primário em 2012. O governo se livrou de um tremendo abacaxi e de um desgaste tão perigoso quanto desnecessário em sua credibilidade. -
Blog 30/01/2013 às 09h01 3
Inflação, de problema do BC a problema de governo
A inflação resiste, mas com tendência é flertar com o teto da meta em poucos meses. O uso do juro para combater essa resistência e pressão chegou ao limite. A expansão da oferta na economia, que poderia colaborar com o Banco Central na tarefa de controlar os preços não brota da noite para o dia. Mas o câmbio é um instrumento de efeito rápido que está à mão do BC que encontrou espaço e apoio dentro de casa para acionar esse instrumento. Numa ação coordenada pelo governo, o BC – órgão responsável pelas operações cambiais no país – acelerou a valorização do real, mantendo um olho na taxa de investimento e outro na inflação. Mas o espaço para ação existiu até pelo fato de a política de desvalorização mais intensa do real frente ao dólar ter mostrado efeito efêmero como antídoto contra a falta de competitividade da indústria brasileira. Hoje, às 10h30, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, faz um pronunciamento no Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas, em Brasília, e a expectativa do mercado é de uma manifestação do ministro, grande defensor do real desvalorizado frende ao dólar, sobre a opção feita pelo governo de manter a taxa de câmbio mais apreciada. Mantega deve chancelar a ação coordenada do governo que teve a presidente Dilma Rousseff na linha de frente. -
Blog 29/01/2013 às 14h56 1
O longo prazo nunca foi tão longo
Se alguém duvidava da possibilidade de o Banco Central (BC) convencer o mercado financeiro dos alvos que persegue para juro e câmbio, as premissas utilizadas pelo Bradesco nas demonstrações financeiras referentes ao último trimestre e a 2012 estão aí para confirmar que a autoridade monetária acertou a mão. No balanço do Bradesco, divulgado na segunda-feira, a perspectiva de manutenção da taxa Selic tornou-se mais que suficientemente prolongada, como vem recomendando a ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O Bradesco projeta estabilidade do juro básico em 7,25% ao ano até 2015. Quanto à taxa de câmbio, os valores nominais avançam ano a ano até 2015. No entanto, descontada a inflação, o real em relação ao dólar exibe valorização. Para dezembro de 2013, o Bradesco projeta taxa de câmbio a R$ 2,10; para 2014, R$ 2,15; e, para 2015, R$ 2,23. -
Blog 28/01/2013 às 16h20 0
Cada um no seu quadrado?
Preparados para tempos de análise das contas públicas com lupa, cara feia para inflação alta e percepção de que o setor privado estará atento às iniciativas do governo no sentido de renovar esforços para expandir o crescimento econômico, integrantes do governo Dilma Rousseff vêm afinando o discurso. De Davos, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disparou um tiro preciso. Informou que o custo da redução da conta do luz dos brasileiros não passa pelo banco que está sob o seu comando. O desembolso adicional de R$ 8,4 bilhões a ser feito pelo Tesouro para assegurar a redução da fatura de energia deve ser feito sem ajuda da instituição. O presidente do BC, Alexandre Tombini, também em Davos na semana passada, deu sua contribuição. Rebalanceou as prioridades do governo e não só as do BC do B. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, uma petista histórica, lembrou, há uma semana, que sem uma memorável decisão do Congresso brasileiro a taxa Selic não estaria em sua mínima histórica. Hoje, Ideli voltou à carga. Em encontro com prefeitos petistas, afirmou que a presidente terá que lidar com “vespeiros” – como redução do juro e do preço da energia – para manter “o crescimento com desenvolvimento”. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, bateu na mesma tecla que a colega. Disse que a redução de juros é fundamental para o crescimento sustentável. -
Blog 28/01/2013 às 12h11 0
Dados negativos pautam reação contra pessimismo
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, surpreendeu economistas que participavam do Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada. A ampla exposição de um Tombini falante e enfático não passou despercebida e foi apontada por interlocutores do Casa das Caldeiras como sinal de um esforço de coordenação de expectativas promovido pelo governo para evitar um clima de pessimismo que pode se instalar no mercado brasileiro nesta semana – a última de janeiro. Nos próximos dois dias, o Tesouro Nacional e o BC detalharão as contas públicas de 2012. E reside aqui um risco maior de repercussões negativas. É fato que a atividade cambaleante, o replay de desonerações e novas decisões tomadas em nome do incentivo à economia atingiram em cheio o resultado fiscal do país. O que o governo gostaria de evitar é o estresse, visto por antecipação em dezembro, quando tornou-se público o fato de o Tesouro ter apelado para operações pouco usuais (ou inesperadas) para fechar as contas no ano. O conhecimento dessas operações se deu pela necessidade de publicação de atos do governo ainda no exercício de 2012. Agora, quando o resultado oficial das contas públicas será apresentado, o governo sabe que estará sujeito a mais uma espiral de críticas a respeito da disciplina fiscal que persegue. E, principalmente, como persegue. -
Blog 28/01/2013 às 09h35 0
Copom – premissas da ata valem do começo ao fim
A ata do Copom divulgada na quinta-feira vale do começo ao fim. Todas as premissas ali colocadas estão de pé e levam em conta avaliações e indicadores disponíveis ao Banco Central (BC) até a reunião do colegiado em sua mais recente discussão e decisão sobre a política monetária e o juro básico do país – a taxa Selic. Isso quer dizer que a projeção de recuo de aproximadamente 11% na tarifa residencial de eletricidade, considerada na “avaliação prospectiva das tendências da inflação”, não será alterada. É exatamente esse o dado que o Copom contemplou em seus cálculos no primeiro encontro de 2013. Nesta sexta-feira, o BC anunciou que atualizará suas projeções para a variação da conta de luz neste ano. Mas isso não significa mudar o que está valendo e sim confirmar um procedimento usual. -
Blog 28/01/2013 às 08h31 0
BC puxa fila e governo se arma para ancorar expectativas
A inflação preocupa e a atividade branda também. O Comitê de Política Monetária disparou esse alerta no comunicado em que confirmou a manutenção da taxa Selic e bateu o martelo na ata divulgada na quinta-feira. O BC elevou o tom. Apontou o esgotamento do uso da taxa de juro para atenuar a inflação e avisou que a resistência é fruto do descompasso entre oferta e demanda. Esse descompasso pode ser neutralizado com investimentos. Na sexta-feira, de mercados fechados no Brasil, o Ministério da Fazenda alterou o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para permitir o financiamento de projetos de infraestrutura logística. O PSI – programa sob gestão do BNDES que há alguns meses é contratado com juro real negativo – ajudou a evitar o mergulho da economia brasileira na crise global de 2008/2009. E sua taxa de juro nem era tão baixa. Hoje, uma medida provisória chancela maior abrangência do PSI e reafirma o empenho do governo em patrocinar crescimento via investimento, inclusive, por que essa opção tem como colateral, indicado na ata do Copom, um alívio nos preços. Em tese. -
Blog 25/01/2013 às 14h23 1
Banco Central vive um “dia de Mantega”
O Banco Central vive mais um “dia de Mantega” – o ministro da Fazenda conhecido por cometer equívocos mesmo durante a divulgação de documentos oficiais e que exigem correções a torto e a direito para conter estragos. Há pouco, o BC divulgou uma nota para esclarecer que “procederá, como de praxe, a atualização de suas projeções para a variação dessas tarifas em 2013. Os novos números serão apresentados na Ata da próxima reunião do Copom”. Portanto, no dia 14 de março. Talvez o BC tenha de apressar a atualização dos dados. A providência seria de bom senso, para evitar especulação com as condições que o Copom estará trabalhando na gestão da política monetária nas próximas semanas. Especulação por 50 dias é muita coisa, mesmo quando prevalece no mercado a opinião que o BC manterá a taxa Selic inalterada pelo menos até o fim deste ano. -
Blog 25/01/2013 às 11h30 0
Filhotes da conta de luz
O aumento do percentual de redução da conta de luz anunciado pela presidente Dilma Rousseff há dois dias pode render pontos a mais em sua popularidade. Já a antecipação da vigência da decisão, que está valendo desde ontem, implica em um ganho coletivo aparentemente modesto, mas importante: a queda das projeções de inflação para janeiro. A revisão das estimativas para o IPCA do mês foi acelerada porque 20% de janeiro passou a comportar energia mais barata, com impacto no cálculo final da tarifa de energia. -
Blog 25/01/2013 às 08h58 0
Ata de mil e uma utilidades
Aniversário de São Paulo, o mercado financeiro está praticamente fechado nesta sexta-feira e a repercussão da ata do Copom está interrompida. O documento teve mil e uma utilidades, o que é raro. Numa primeira leitura, o documento serviu ao Banco Central, ao governo e ao mercado. O BC conseguiu empurrar para o governo parte da responsabilidade de a inflação seguir pressionada ou resistente, uma vez que a política monetária teria chegado ao limite da sua utilidade nas atuais condições de oferta desajustada em relação à demanda. Para o BC, o que vier é lucro mas em função de um afrouxamento monetário que já foi promovido e ainda tem o que entregar. O governo, assumindo ou não a parte da conta que recebe do BC, fica confortável. Afinal, parte da equipe econômica sempre apreciou estar encarregada de prover “oferta” [e demanda], defender investimentos e dar gás à atividade. O mercado, a partir da ata do Copom, tem a chance de acertar o pé e começou ontem ao corrigir projeções. -
Blog 24/01/2013 às 10h53 0
Política fiscal – Copom tem meta, mas não tem crítica?
Ao indicar que o governo brasileiro autorizou uma queda tão importante de receita no ano passado com recolhimento de tributos – para segurar a inflação devido ao reajuste dos preços dos combustíveis e incentivar a atividade –, o resultado da arrecadação federal de impostos nos leva a uma pergunta que trai decepção e preocupação. Porque não deu certo? Apesar do incentivo, a economia não deslanchou como o esperado. A inflação, embora distanciando-se das máximas alcançadas no terceiro trimestre, segue resistente. Resposta pronta para a frustração de resultados no campo do crescimento ou da inflação mais mansa dificilmente virá da ata do Copom. Dela se espera, porém, algum norte sobre a política fiscal do governo que sempre pode contribuir em alguma medida para desacertos. -
Blog 24/01/2013 às 10h33 0
Copom abandona política de “panos quentes”
A preocupação que o Comitê de Política Monetária (Copom) demonstrou com a inflação no comunicado divulgado há uma semana, quando divulgou a taxa Selic, foi café pequeno se comparado ao cenário traçado na ata da reunião divulgada nesta manhã. As projeções para a inflação em 2013 e 2014, data agregada na avaliação do Banco Central (BC), ultrapassam o centro da meta em todas as medidas. O documento deixa de atenuar o quadro inflacionário ao subtrair a possibilidade de repasse da acomodação dos preços no atacado para os preços ao consumidor. E amplifica o foco no comportamento dos preços ao destacar os riscos de descompasso entre oferta e demanda. Para a diretoria do BC, esse descompasso, ainda que observado em certos segmentos, foram intensificados. A ata não desperdiçou espaço com avaliações detalhadas sobre fragilidades do cenário externo e tampouco com interpretações variadas sobre as contas públicas. Considerando que o Orçamento de 2013 ainda não foi aprovado pelo Congresso, a ata mantém para o superávit primário como meta a ser alcançada o valor nominal que consta no projeto de lei (R$ 155,9 bilhões). Para 2014, a meta retorna, como hipótese de trabalho, aos 3,1% do PIB. -
Blog 24/01/2013 às 08h06 0
Ata do Copom ganha concorrentes
A ata do Copom será divulgada em minutos pelo Banco Central e é a protagonista do dia. Mas a presidente Dilma Rousseff colocou outros atores em cena e com poder de interferir nas expectativas inflacionárias. Para baixo. Detalhes antecipados do seu pronunciamento transmitido ontem à noite em cadeia nacional de TV, confirmando uma redução maior da conta de luz para todos os brasileiros desencadearam um processo de revisão de projeções para a inflação no mercado financeiro. E esse movimento pode ser aprofundado a partir da análise minuciosa da arrecadação federal de impostos em 2012. Também divulgada nesta quarta-feira, a arrecadação cresceu 0,7% acima da inflação, rompeu pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão. O importante desempenho confirmou o terceiro recorde consecutivo. Emblemático, porém, sobre o momento que o Brasil atravessa e revelador sobre as preocupações do governo é o quanto (com quais tributos) o governo deixou de arrecadar com novas desonerações no ano passado. -
Blog 23/01/2013 às 16h55 1
BC e Tesouro – vai dar pra combinar?
O superávit primário é a economia feita pelo setor público para o pagamento de juros de sua dívida. Três “contribuintes” devem juntar esse dinheiro, em proporções diferentes, para alcançar um total estipulado para o ano – os governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais. Se um deles falhar, os demais “pagam” a conta. Se tem algo que parece distante do cidadão comum é essa conversa e, ainda mais, esse assunto. Mas acaba pertinho do consumidor por um atalho. Esse superávit é faz parte de uma conta do governo que tem seu resultado aplicado a cálculos usados pelo Banco Central (BC) para decidir, em conjunto com outras variáveis, se a instituição deve cortar ou elevar a taxa Selic que influencia todas as outras taxas de juros da economia. E isso inclui as cobradas por bancos na concessão de crédito. -
Blog 23/01/2013 às 15h13 0
Tombini mostra Brasil em Davos
O CEO da Visa, Charles Scharf, está sendo recebido pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que chegou hoje cedo a Davos para participar do Fórum Econômico Mundial. Na corrida agenda de Tombini, que permanece por lá até a sexta-feira quando será um dos palestrantes no painel sobre a encruzilhada em que podem estar as economias emergentes, têm horário garantido ainda nesta quarta-feira o chairman do UBS, Axel Weber, ex-presidente do Bundesbank, e os presidentes do Lloyds Bank e do Goldman Sachs. Amanhã prosseguem os encontros onde a economia brasileira é tema central. E estarão na lista do “cafezinho” com o presidente do BC do Brasil, o comissariado da União Europeia, os presidentes do Standard and Chartered Bank, da Marsh, da Bolsa de Nova York e da agência de classificação de risco de crédito Standard and Poor’s. Na sexta-feira, último dia de trabalho na Suíça, Tombini recebe Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial e o chairman do HSBC Group. -
Blog 23/01/2013 às 11h23 0
Indústria – a pedra no sapato do governo
As mesmas estatísticas do BNDES que exibem uma vibrante disposição de potenciais tomadores de crédito em investir, sobretudo em infraestrutura, sugerem que o governo terá de se esforçar mais e mais para puxar a indústria, apesar das iniciativas que vêm sendo tomadas. E se tem algo que o governo não fez em relação à indústria foi economizar nas decisões. Agiu no câmbio, no crédito, na tributação e recorreu a incentivos setoriais. Ainda assim, o desalento persiste. A confiança do setor balança há três anos. E 2013 começou com menos otimismo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), monitorado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recuou 0,7 ponto em janeiro frente a dezembro, mês em que também declinou. E a percepção de piora da situação atual também se aplica ao futuro. -
Blog 23/01/2013 às 08h33 0
IPCA-15 pesado pode ser deixa para virada no discurso
O IPCA-15 de janeiro será divulgado daqui a pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e será visto, como sempre, como um sinalizador do IPCA – o índice referência para o regime de metas no país. Na média das projeções de dez consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, o IPCA-15 deve subir 0,81%. As estimativas variam de 0,75% a 0,85%. A marca de 1% em janeiro só não deve ser alcançada por conta do adiamento dos reajustes de transporte urbano em São Paulo e Rio de Janeiro. A aceleração dos preços dos alimentos é apontada como principal fator de pressão neste mês, informam economistas entrevistados por Francine De Lorenzo para o Valor PRO. Inflação forte é mais problema. No entanto, o fôlego excepcional do índice neste mês amplia a perspectiva de queda em fevereiro decorrente do impacto da conta de luz mais barata. A redução da tarifa começa a valer no dia 5. E, segundo analistas, isso independe de o governo reajustar o preço da gasolina nas próximas semanas. Fevereiro pode dar início a uma trajetória de variações mensais moderadas dos preços. -
Blog 22/01/2013 às 18h23 0
CDI – Cálculo alternativo de taxa é preventivo
Operações de curtíssimo prazo do mercado brasileiro têm a Selic e o CDI como taxas referenciais. A Selic garante repasses em títulos públicos. O CDI é o principal indicador do modesto universo de repasses interbancários. E sofrerá uma mudança no cálculo de sua taxa para evitar distorções que podem ocorrer em momentos em que o número de operações for pequeno a ponto de ser considerado insuficiente do ponto de vista estatístico. A Cetip – empresa privada responsável pelo registro das operações interbancárias e pelo cálculo da taxa do CDI – usará uma fórmula alternativa para definir essa taxa, a partir do histórico de correlação entre a taxa do CDI e da Selic no período de dois anos. Essa alteração ocorre na esteira de muita discussão provocada pelo descolamento incomum observado entre essas duas taxas referenciais. -
Blog 22/01/2013 às 10h50 0
Inflação – projeções mensais apontam descompressão
As expectativas do mercado apontam um tombo da inflação de janeiro para fevereiro, quando o IPCA pode recuar de 0,81% para 0,45%. A partir daí, a inflação tende a variações mensais moderadas, mostram as projeções mensais da pesquisa Focus para 2013. Apesar da descompressão observada no índice, por ora, essas projeções acumuladas em 12 meses não revelam em nenhum momento a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%. Em compensação, as taxas acumuladas, não chegam a romper o teto da meta como ocorreu no ano passado, e apontam para inflação em torno de 5,6% no ano. Confirmada, essa variação estaria ligeiramente abaixo do resultado de 2012, quando o IPCA avançou 5,82%. -
Blog 22/01/2013 às 08h35 0
Conta de luz menor e combustível estável derrubam inflação
A inflação pode mudar radicalmente de escala nas próximas semanas, quando a variação do IPCA pode cair à metade. A entrada em vigor da redução da conta de luz em 20,2% em média, a partir do dia 5 de fevereiro, é o principal gatilho para essa baixa que vai desidratar, e muito, o índice acumulado no primeiro trimestre do ano. As projeções para os índices de preços ao consumidor confirmam que bancos e consultorias dão como certo a queda da tarifa de energia. Inflação em queda, ainda mais quando acentuada, traz alegria geral mas que pode ter vida curta e por dois motivos. Primeiro, ainda não há uma definição, nas tampouco se descartou um reajuste dos preços dos combustíveis. Segundo, a 10 dias da estreia de fevereiro no calendário, ainda não foram executados procedimentos formais para colocar em prática o desconto que vai mexer com indicadores, expectativas e, principalmente, com o orçamento das famílias brasileiras. -
Blog 21/01/2013 às 15h55 0
Cresce o risco de instabilidade nos mercados
A negociação de contratos de juros futuros está devendo como indicativo de expectativas nesta segunda-feira, mas trocar o pé nesse mercado nos próximos dias é um risco a ser considerado. Perder ou ganhar dinheiro – alternativas constantes desse e de todos os outros mercados – estarão sob influência do imponderável. Em particular, do posicionamento que a diretoria do Banco Central (BC) explicitar na ata da reunião do Copom que sai na quinta-feira. Hoje, os juros futuros sofrem dupla influência. De um lado, arrastam uma alta de prêmios em função do reconhecimento apresentado pelo comunicado do Copom de que a inflação segue surpreendendo no curto prazo, a despeito da fraqueza da atividade. De outro, os juros estão sendo afetados pela realização de lucros no mercado secundário de títulos públicos indexados à inflação. O retorno das NTN-Bs atingiu níveis excessivos, passa por uma correção e contamina as demais taxas, explica a editora-assistente do Valor PRO, Lucinda Pinto. -
Blog 21/01/2013 às 10h53 0
Discurso proatividade fortalece e ata ganha peso
A volta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao trabalho nesta segunda-feira será uma mão na roda para a presidente Dilma Rousseff porque se tem algo que os dois compartilham é a defesa do crescimento econômico. E a presidente não desvia o discurso nem por distração, como demonstrou na sexta-feira. Durante evento em Teresina, Dilma foi taxativa. Assegurou que o país vai “buscar todas as oportunidades” possíveis para garantir o crescimento neste ano. Ninguém duvida disso e essa não é a questão. Mas a que custo? Mais inflação ou desequilíbrio fiscal? Analistas do mercado financeiro buscam resposta para a questão. O Banco Central (BC), que deve saber qual é, não vai contar. Mas o comunicado da reunião do Copom, a ser detalhado na ata que sai na quinta-feira, apontou: a atividade ainda não desperta comemoração, mas a inflação é preocupante. E mesmo sem a atividade nos trinques. No mínimo por efeito de compensatório, a dobradinha “atividade de menos e inflação demais” justificou manutenção da taxa Selic. Mas se a presidente não abre mão do crescimento, a dobradinha do BC ficará “mais atividade e mais inflação” ou “mais atividade e mais desequilíbrio fiscal”? -
Blog 21/01/2013 às 08h41 1
Mantega – polêmico e útil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, volta ao batente nesta segunda-feira, após um curto período de férias. O ministro não deixou o governo por um triz há poucas semanas, mas não retorna enfraquecido. Ao contrário. A possibilidade de vacância no posto mais elevado da equipe econômica rendeu vida mais longa ao titular da Fazenda. E não por ter apoio unânime de políticos, empresários ou acadêmicos dentro ou fora do governo, mas por ser o nome ideal para a função que ocupa há quase sete anos. Dá para afirmar que a política econômica em curso no Brasil espelha o ministro? Dificilmente. A política econômica tem a cara da presidente Dilma Rousseff. E, no limite, comporta uma pitada do braço direito de Mantega, Nelson Barbosa, secretário-executivo da Fazenda. Mantega, conhecido por trapalhadas verbais cometidas a torto e a direito, teria despertado alarmes no PT por prometer resultados demais em 2012 para uma economia que entregou menos, fornecendo assim combustível para críticas da oposição. Mas ministro conta pontos a favor (ou evita perdas) para a presidente, para o Partido dos Trabalhadores e até para o mercado financeiro – craque em tirar proveito do que o ministro diz e do que não diz e sabe que a previsibilidade pode ser rentável. -
Blog 18/01/2013 às 11h26 0
Sem rastro de crise, compulsórios têm nova função
Em 2012 a injeção de dinheiro que migrou dos depósitos compulsórios bancários para o sistema financeiro foi tão expressiva quanto a que ocorreu entre 2008 e 2009. Cerca de R$ 100 bilhões foram movimentados lá e cá por razões diferentes. E isso é relevante. Lá, em 2008, após a quebra do Lehman Brothers que colocou o mundo financeiro de pernas para o ar e travou subitamente as operações interbancárias internacionais, o BC do Brasil promoveu uma sequência de alterações na legislação vigente na época com um objetivo preciso: prover liquidez em reais para o sistema bancário doméstico. A primeira mudança, anunciada em 3 de outubro de 2008, resume a história. Ao modificar o recolhimento de compulsório sobre depósitos a prazo em títulos públicos federais, o BC explicou sua intenção – melhorar a distribuição de recursos no sistema, em função da restrição de liquidez externa. Aí teve início um longo período de ações voltadas especialmente para compra de carteiras de crédito de instituições menores e mais dependentes, naquele momento, de linhas externas de financiamento – as que secaram. -
Blog 18/01/2013 às 08h30 0
Mercado mira Selic, mas BC já exerce opção por atividade
A economia ainda não vai bem, mas pode melhorar. A inflação ainda está elevada, mas pode piorar. O Banco Central, conservador por dever de ofício, demorou, mas confessou que a reação da atividade não é bem a esperada. Na mesma tacada, atestou, também com delay em relação aos brasileiros em geral e ao mercado financeiro em particular, que a inflação inspira cuidados. Diante de uma atividade decepcionante e de uma inflação surpreendente, o Copom ficou quieto. Manteve a taxa Selic onde estava e decidiu informar o que enxerga. O mercado de juros se assanhou. O comunicado do Copom foi a senha para movimentar posições no mercado futuro, e refazer apostas em elevação da Selic para conter pressões inflacionárias. O BC está atento, mas sempre está. E é alta a probabilidade de minar extravagâncias sobre a inflação. Mas isso não significa dizer que desistiu de contribuir para animar a atividade. Inclusive, vem exercendo há meses a opção de participar do projeto do governo, do qual faz parte. A redução da Selic está contabilizada. No ciclo passado. A liberação de compulsórios bancários é outra parte do pacote. E não necessariamente encerrada. -
Blog 17/01/2013 às 16h54 0
CDI, “Forma o preço quem tem bala”
A resistência dos investidores em aplicar recursos em prazos mais longos em meados da década de 1980, quando a inflação brasileira, quase hiper, não alimentava perspectivas de ganho e ainda ameaçava tragar o principal aplicado no mercado financeiro, explica a criação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – instrumento de troca de reservas entre instituições financeiras. Mas a vida longa desse ativo, foco de debate entre operadores por estar cotado bem abaixo da taxa Selic, o que é uma distorção de mercado, tem uma justificativa mais sofisticada – o uso de sua taxa de juro como indexador. Uma prática que o tempo cristalizou. Lançado há quase três décadas, o CDI chegou a movimentar mais de R$ 12 bilhões ao dia em meados de 1990. Mas teve sua liquidez severamente comprimida nos anos seguintes de inflação sob controle, após inúmeras tentativas de estabilização monetária que tiveram no Plano Real um marco. Hoje, esse giro ronda R$ 2 bilhões. -
Blog 17/01/2013 às 12h54 0
Selic, CDI, dinheiro de sobra e o “Plano B” do BC
O Copom fez o seu trabalho. Divulgou a taxa Selic e comunicou ao mercado uma breve avaliação sobre inflação, atividade e cenário externo. A mesa de operações de mercado aberto do Banco Central (BC) seguiu o script usual. Abriu o dia seguinte à decisão do Copom ratificando o juro básico de 7,25% com intervenções que sugaram dos bancos R$ 339 bilhões. Assim estava previsto, assim aconteceu. Essas atuações confirmaram que existe, sim, sob as asas do BC, um estoque gigantesco de dinheiro. Estima-se que esse estoque totaliza nesta quinta-feira cerca de R$ 664 bilhões. Um dinheirão que vai e vem, mas acaba aplicado em títulos federais na carteira do BC que vende os papéis e garante que recomprará tudo de volta no futuro. Desta forma são montadas as operações compromissadas do BC com o mercado. Para os incrédulos, o registro desse tipo de transação é a evidência de que há, sim, liquidez abundante no sistema financeiro doméstico. É arriscado afirmar, porém, que o BC é leniente no uso desse tipo de operação como instrumento de gestão monetária para, deliberadamente, derrubar taxas do mercado interbancário, onde o lastro é o CDI - um título privado. -
Blog 17/01/2013 às 09h27 0
Sinal do Copom - reação da atividade não virá de juro baixo
O Comitê de Política Monetária (Copom) renovou sua disposição de defender o regime de inflação, mas não alterou a taxa de juro que ficou em 7,25% e nem sinalizou mudança. Para o Copom o cenário para a inflação no curto prazo piorou. Mas o colegiado do BC pode ter comprado nesta primeira reunião do ano sobre política monetária um risco (dos bons) e que pode vir a exigir em caráter de urgência uma afiada comunicação com o mercado. A instituição reconheceu em seu comunicado que a recuperação da atividade doméstica é “menos intensa do que o esperado”. Para o mercado, nada de novo. Vinda do BC, essa avaliação realista, mas sombria se comparada aos anseios do governo, soa como novidade. Mas o BC ganha pontos, até porque não reconheceu ou apontou essa fragilidade na reunião do Copom em novembro. No entanto, ao compartilhar essa informação, o Copom aumentou a rigidez da receita que vem apontado desde outubro como a mais adequada para que a inflação decline em direção à meta. Isto é, a manutenção das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado. Mas diante da economia emperrada, a perspectiva de cristalização da taxa Selic já vinha sendo questionada pelo mercado, incluindo aí, alguns dos maiores bancos do país. O sinal ou compromisso do BC é claro: a atividade econômica não deve ser impulsionada por mais afrouxamento monetário. Fica a pergunta: quais são as alternativas à taxa de juro que o governo poderá usar para puxar a economia? -
Blog 16/01/2013 às 16h11 0
Sem esfolar reservas, BC freou câmbio e bancou dólares
Disposto a evitar qualquer aperto no sistema bancário brasileiro por escassez de dólares, recorrente nas últimas semanas do ano, ou por interesse em evitar valorização mais intensa da moeda americana em relação ao real – e assim conter eventuais pressões inflacionárias adicionais –, o Banco Central atuou intensamente no câmbio em dezembro. Injetou pouco mais de US$ 5 bilhões no mercado sem esfolar o estoque de reservas e minou o fôlego do dólar que recuou 4,04% no mês, abandonando o patamar de R$ 2,13, o maior desde 2009, abrindo o ano novo rondando R$ 2,04 – por onde anda nesta quarta-feira. -
Blog 16/01/2013 às 10h30 8
“Ingleses” cercam Brasil, mas FT merece resposta calculada
Há pouco mais de um mês, a revista The Economist recomendou à presidente Dilma Rousseff demitir o ministro da Fazenda Guido Mantega. De ontem para hoje, o também inglês Financial Times disparou críticas contra o comando da economia brasileira, mirando especificamente o ministro Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Não é tarefa de veículos internacionais de informação dizer à presidente da República do Brasil como deve cuidar do seu governo e de sua equipe econômica. Ao atrevimento da The Economist a presidente Dilma respondeu prontamente e avisou que no seu governo quem manda é ela. O ministro fica. Sai se quiser. Mas Dilma deve ter cuidado com a resposta, se é que haverá alguma resposta, às afirmações feitas pelo Financial Times. O jornal ironizou o “jeitinho brasileiro” aplicado aos temas monetários e fiscais. Fez uma gracinha. Mas ela parou por aí. E atrás do “jeitinho” estão operações ou comportamentos de mercado que vem trazendo inquietação também no Brasil. -
Blog 16/01/2013 às 08h48 1
Atividade frágil puxa Dilma para linha de frente
Tudo o que o governo deseja e precisa é de algo além de um sopro na atividade. Mas, por ora, os indicadores que estão no gatilho para divulgação não devem trazer boas novas. Mudanças, com sorte e muito empenho, só após a mudança do calendário que já ocorreu na prática, mas ainda não chegou ao universo das estatísticas. Enquanto os dados apresentados por institutos de pesquisa refletirem a economia em 2012, a presidente Dilma Rousseff não será poupada de aborrecimentos. Daqui a pouco, o Banco Central (BC) divulga o seu índice de atividade, o IBC-Br que replica o comportamento do Produto Interno Bruto do país. A leitura é de novembro e o resultado não deve alegrar a presidente e menos ainda a sua equipe econômica incentivada pela chefia a um esforço danado, mas sem produzir avanços que possam ser comemorados. Nem mesmo o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) que encerra hoje à noite a primeira reunião de 2013 parece ter condições de surpreender Dilma ou o mercado financeiro que, em bloco, aguarda a manutenção da taxa básica em 7,25%. E, talvez, por tempo prolongado. -
Blog 15/01/2013 às 17h29 0
Oops!
A primeira reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central de 2013 já começou. Amanhã, o colegiado composto pela diretoria da instituição deve anunciar a taxa Selic que deve valer até 6 de março. O Valor Data ouviu 31 economistas na semana passada sobre o futuro da taxa básica brasileira. Todos projetam manutenção da Selic em 7,25% na quarta-feira. Desse elenco, 24 esperam juro estável até dezembro; 4 veem alta da taxa que pode chegar a 9% e três trabalham com queda para até 6,25%. Para os baixistas, os cortes da Selic deverão ser retomados em março. -
Blog 15/01/2013 às 15h32 0
Riscos de um roteiro turbinado para o Tesouro
Embora foco de críticas do sistema financeiro privado e até de especialistas do governo, as manobras fiscais patrocinadas pelo Tesouro para cumprir a meta fiscal em 2012 são uma amostra do poder da instituição que chega a ser classificado como “assombroso” frente aos demais órgãos públicos – o que pode ser um exagero. O Tesouro é o caixa do país. E tem prerrogativas. Há o risco de fazer estripulias? Há. Mas tem tarefas claras e públicas. -
Blog 15/01/2013 às 11h21 0
Rodízio singular na Fazenda intriga mercado
A equipe econômica da presidente Dilma Rousseff passa por uma experiência singular: um rodízio no comando do Ministério da Fazenda. Render o ministro Guido Mantega em seu período de férias é evento anual, mas corriqueiro. Incomum é a substituição do interino. Sistematicamente, nos últimos anos, o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, substituiu o chefe. Neste ano, ocupou o cargo interinamente por uma semana e entrou em férias. Volta no fim do mês. Desde ontem, até a sexta-feira, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, ocupa o posto de Mantega. Essa mini dança das cadeiras passaria despercebida se o Tesouro não tivesse catalisado as atenções nos últimos vinte dias, quanto se tornou protagonista de um conjunto de operações contábeis que assegurou o cumprimento da meta fiscal de 2012. -
Blog 14/01/2013 às 16h48 0
Feliz coincidência
Se os cinco empresários do setor produtivo privado com quem a presidente Dilma Rousseff conversou individualmente na semana passada tiverem o mesmo (bom) senso de oportunidade, patriotismo ou adesão aos objetivos do governo para o país que o atribuído por interlocutores do blog ao presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, estaremos no melhor dos mundos. Os investimentos fluirão e a atividade reagirá rapidamente sob condições que a governante encomendou à sua equipe – e, por garantia, pediu a Deus. O PIB tende a crescer 5% ao ano ou mais, o juro nominal e real não descolará da mínima histórica e a taxa de câmbio será a adequada para evitar tragédia na indústria e inflação descontrolada. O IPCA permanecerá orbitando 5,5% ao ano – variação considerada estrutural pelo BC e que já não provoca ranger de dentes no mercado. -
Blog 14/01/2013 às 14h26 0
Efeito de atividade fraca na inflação segura juro
Apesar dos dissidentes, a maioria dos analistas de mercado espera manutenção da taxa Selic em 7,25% até o fim do ano. Pesquisa Valor Data com 31 instituições sobre o rumo da taxa básica brasileira confirma essa indicação. E o boletim Focus divulgado nesta manhã aponta o mesmo cenário, embora mostre aumento da Selic a 8,25% em dezembro de 2014. Em oposição a essa sinalização mais longa, os juros futuros – termômetro de expectativas para a Selic –, abriram a semana sob cautela ante a piora do cenário de inflação e PIB. Hoje, em particular, os juros declinam adicionalmente em função de um ajuste técnico necessário para evitar distorções nos negócios com títulos públicos indexados à inflação, as NTN-B, escreve Lucinda Pinto, especialista em taxas de juros do Valor PRO. -
Blog 14/01/2013 às 10h57 1
Selic – estabilidade prolongada pode encolher
A frustrada expectativa de reação da atividade no último trimestre do ano, escancarada nos dados da indústria de novembro e sobretudo na revisão das informações de outubro pelo IBGE, passou a fazer vítimas pelo caminho. O discurso sustentado pelo Planalto e pela Fazenda de que a economia estaria engrenada no início de 2013 fracassou. E a ameaça de uma crise energética, mesmo afastada pelo governo, recomenda por ora evitar a tentação de bancar que em poucos meses o país estará bombando. Tudo somado, às vésperas da primeira reunião do Copom do ano, a principal dica dada pelo BC para a taxa Selic entra em xeque. A “manutenção das condições monetárias por prolongado período de tempo”, que entrou em cena em outubro, é questionada. A Selic pode sofrer mudanças. Em breve. A maioria do mercado está com o BC – nada muda até dezembro. Mas o elenco de dissidentes cresce. E desordenado. -
Blog 14/01/2013 às 08h30 0
Copom “pré-PIB” impõe ao BC ajuste de comunicado
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é o evento mais previsível da semana. Pode ser o mais importante, mas isso não é certo. Depende de quanto ruído produzido em segundos o Banco Central é capaz de gerenciar em uma semana, até a apresentação da ata do encontro com avaliações detalhadas sobre atividade e política fiscal. Inflação interessa, mas, neste momento, tem uma estrela a menos na escala de prioridades do governo. A estreia da agenda de 2013 pelo Copom pode ganhar relevância em outra condição, dependendo de quantas palavras sua diretoria pretende usar no comunicado que acompanha o anúncio da Selic na quarta-feira. Para o mercado, a taxa fica onde está, em 7,25% e ponto. É possível que o comunicado seja a senha para as coordenadas da política de juros e da política econômica do governo Dilma Rousseff nos próximos meses. O BC pode resistir a ajustar seu discurso, mas algo terá de ser feito. Mas algo terá de ser feito porque a decepcionante expansão do PIB – 0,6% no terceiro trimestre ou equivalente à metade do esperado pelo ministro Guido Mantega – foi anunciada em 30 de novembro. E essa data importa porque instala na fase “pré-PIB” as últimas duas decisões do Copom. A partir desse PIB nem tudo, ou quase nada, está valendo. -
Blog 11/01/2013 às 15h58 0
No coração do brasileiro, luz mais barata e bronca em banco
A redução da conta de luz em cerca de 20% neste ano entusiasmou os brasileiros na virada do terceiro para o quarto trimestre do ano passado. A novidade, rara inclusive pela dimensão do corte, não passou em branco. Foi registrada na pesquisa de opinião sobre o governo da presidente Dilma Rousseff realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope em setembro do ano passado como um tema de destaque nos noticiários. Teve cartaz semelhante, na pesquisa de junho, o combate do governo Dilma às elevadas taxas de juros cobradas pelos bancos aos tomadores de crédito. O apreço da população por essas notícias faz sentido. Repercutem pra valer no orçamento das famílias. Interferem nas decisões de consumo. -
Blog 11/01/2013 às 10h46 2
O cafezinho da Dilma
A cabeça da presidente Dilma Rousseff está na recuperação do crescimento do país. E, para quem duvida, sua agenda confirma. O passeio que a presidente decidiu dar pelos diversos setores da economia teve início ontem, quando recebeu três empresários, e prossegue nesta manhã. Desse cafezinho não participam os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel – donos da bola quando o campo é a Economia. A dupla está de férias. O saldo dos encontros no Planalto é certamente um importante balizador de expectativas para Dilma. Muito importante, mas também reveladora para os empresários, é a reserva dessas conversas. Interlocutores da presidente no setor privado reconhecem a necessidade e a capacidade de Dilma construir as suas próprias avaliações e exercer questionamentos. Essa observação foi feita recentemente ao blog por dois executivos que aguardavam para este início de ano uma reaproximação com o Planalto – informação antecipada por Claudia Safatle em sua coluna no Valor antes das Festas de fim de ano. -
Blog 11/01/2013 às 08h43 1
Lobão tem razão?
O ministro de Minas e Energia não chega a ser simpático, tem um sobrenome de arrepiar, mas convence. Com um punhado de declarações positivas, Edison Lobão fez desaparecer por completo, de um dia para o outro, o nervosismo que dominou o mercado financeiro desde o início da semana, quando um turbilhão de informações tornou plausível, quase imediata, a possibilidade de o governo brasileiro apelar para o racionamento de energia elétrica. -
Blog 10/01/2013 às 12h35 0
No bolero do BC – dois pra lá, dois pra cá
A inflação brasileira em 2012 ficou mais salgada que o esperado, mas desacelerou em relação ao ano anterior. O IPCA do ano avançou 5,84%. Em 2011, o indicador colou no teto da banda de flutuação reconhecido pelo regime de metas no país. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou, em nota, que a meta foi cumprida em 2012 pelo nono ano consecutivo. Beleza. Isso quer dizer o seguinte: de 2004 a 2012, a inflação ficou dentro do intervalo previsto pela legislação em vigor. Em 2004 e 2005, esse intervalo era de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo da meta central definida pelo Conselho Monetário Nacional. De 2006 a 2012, a banda caiu a 2 pontos. Nesse longo período de nove anos de cumprimento do regime citado por Tombini, o teto da meta de inflação caiu de 8% para 7% e, na maior parte do tempo até hoje, ficou em 6,5%. Também há muito tempo (desde 2005) a meta central é de 4,5%. Em nove anos de missão cumprida no quesito meta de inflação, o IPCA avançou 5,37% em média – nem pertinho do alvo nem arranhando o teto. -
Blog 10/01/2013 às 08h40 1
Inflação sai do teto
As indicações são de que a inflação brasileira encolheu em 2012. Se afastou do teto de 6,50% onde encostou no ano anterior, mas está bem distante do alvo de 4,50% que o Banco Central (BC) jura que acertará entre julho e setembro. Poucos acreditam, mas quem sabe dá? Os participantes da pesquisa Focus monitorada pelo BC são céticos quanto a essa possibilidade. A projeção mediana para o IPCA de 2013 é de 5,49%. Mas existe esperança. A estimativa mínima lançada na pesquisa pelos contribuidores é de 4,30% em dezembro. A máxima é de 6,70%. Como o ano mal começou e os problemas também, o BC terá tempo para tomar a melhor decisão – ajustar sua política monetária ou seu discurso. As perspectivas para a inflação, que até poucas semanas atrás pareciam condicionadas basicamente ao ritmo da atividade e à inércia de preços administrados, receberam um impulso surpreendente para muitos analistas – o risco de um encarecimento inesperado da energia elétrica. -
Blog 09/01/2013 às 10h35 0
Cobra coral
A reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), nesta tarde, muda de figura com a presença da presidente Dilma Rousseff que participará das discussões sobre o abastecimento de energia e a expansão das obras em curso no país. O encontro cresce com Dilma presente porque ela é a presidente e também porque é reconhecida especialista no assunto. Colecionou cargos de altíssima relevância representando o setor. Por obrigação e temperamento, a presidente Dilma não deve sair deixar retornar ao Planalto sem esclarecimentos sobre os riscos efetivos que o país sofre de enfrentar um racionamento de energia elétrica. A capacidade das hidrelétricas está no osso. Para suprir a demanda de consumo, todas as termelétricas estão em funcionamento. E esse tipo de geração aproxima-se do limite. O governo ainda conta com 1 mil MW de termelétricas emergenciais que podem ser acionados, informou ontem o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, que considera muito precipitado falar em racionamento de energia. E avisa: "As chuvas estão por vir. Elas estão atrasadas, mas estão por vir.” -
Blog 09/01/2013 às 08h38 0
Sem chuva, sobram riscos
O governo reúne a cúpula do setor elétrico para discutir no início da tarde se o país corre o risco de ficar sem energia. O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, garante que a reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) é de rotina. Pode ser. Mas escassez de energia não deveria ser rotina no país pelo menos durante um governo que defende taxa anual de crescimento econômico de 5% ou mais. Sem energia, não dá. Também não deveria ser rotina a informação de que o país pode sofrer racionamento de energia elétrica, possibilidade alardeada no mercado financeiro nos últimos dois dias, desvalorizando ações das empresas do setor, pressionando projeções de inflação, de juros e abatendo as perspectivas para a expansão da atividade. -
Blog 08/01/2013 às 15h25 0
Juro baixo incentiva captações e troca de dívida
As empresas brasileiras captaram volume inédito de recursos com títulos de renda fixa no ano passado. Aqui e lá fora. Para frustração do governo, dinheiro dentro de casa não garante investimentos na produção. Mas isso não quer dizer que as companhias estão deixando de fazer bom uso dos recursos captados junto a investidores. As empresas estão aproveitando muito bem a maré de juros baixos para melhorar o perfil de endividamento, o que futuramente pode abrir brechas no orçamento para investir de fato na própria atividade. -
Blog 08/01/2013 às 11h14 0
BC alonga prazo de “compromissada” em até 6 meses
Alongamento de prazos de operações financeiras não é fácil, não é rápido e não é simples em economias com histórico de hiperinflação como a brasileira. Mas a mudança do perfil das operações é possível e a dívida brasileira é prova disso na última década. A indexação da dívida à taxa Selic despencou, a parcela prefixada avançou e a atrelada a índices de preços conquistou investidores. A gestão da dívida pública pelo Tesouro ganhou eficiência e a previsibilidade de gastos do governo aumentou. Essa dívida soma R$ 1,752 trilhão. O dado é de novembro. As operações compromissadas do BC junto ao mercado são uma espécie de dívida pública, mas “paralela”. Não implicam em emissão de novos títulos pelo Tesouro, mas rendem juro equivalente à Selic, tendo, portanto, custo fiscal. Envolvem, atualmente, cerca de R$ 640 bilhões – montante de recursos nada desprezível e que até pouco tempo atrás estava encastelado basicamente no curtíssimo prazo. -
Blog 08/01/2013 às 08h39 0
Selic histórica traz “dividendo” para política monetária
O cumprimento da meta fiscal de 2012 provocou muito ruído. Mas a defesa da legalidade das manobras contábeis adotadas pelo Tesouro no fim do ano, com direito a replay no Ministério da Fazenda na segunda-feira, sugere que essa página está virada. Isso não vale, porém, para as perspectivas de 2013 sobretudo quando o Banco Central (BC) define as políticas de juro, câmbio e crédito, contando com superávit primário de 3,1% do PIB, sem que o ministro Guido Mantega veja tal resultado a caminho. A flagrante falta de sintonia vale mais que fofoca. Importa pelo risco de comprometer, e muito, a formação das expectativas sobre variáveis afetadas diretamente por ações do BC – caso do juro e do câmbio. E, por conseqüência, a inflação. -
Blog 07/01/2013 às 14h26 0
Manobra contábil não surpreende, mas ameaça à LRF sim
Descumprir a meta fiscal ou usar artifícios para fechar as contas públicas é ruim. Pega mal. Tem consequências. Mas, apesar da ampla repercussão, a antecipação de dividendos da Caixa e do BNDES para o Tesouro Nacional e o resgate de recursos do Fundo Soberano para garantir o cumprimento da meta fiscal de 2012 não são novidade. A capitalização da Petrobras feita em 2010, decisiva para o alcance da meta naquele ano, dá de dez a zero no expediente usado pelo governo na virada deste ano. Sem contar que a capitalização da Petrobras teve um significado ainda maior – a operação abriu as portas às intervenções destinadas a tapar os buracos da meta fiscal. O alerta vem dos economistas da MCM Consultores Associados. -
Blog 07/01/2013 às 11h09 0
Silêncio tucano evita óleo na fervura
É fato que a presidente Dilma Rousseff comprou um risco considerável ao chancelar a “contabilidade criativa” que – tudo indica – viabilizou o cumprimento da meta fiscal ajustada em 2012. É fato também que a oposição pode fazer uso político dessa “contabilidade” que acabou sugerindo que para o governo importam os fins e não os meios para atingir objetivos – o que é grave se prosperar a avaliação de que a equipe econômica pode intensificar ações imprevisíveis para assegurar “bons” resultados também na gestão da inflação, do juro e do câmbio. Mas o PSDB, observado por uma elite de executivos do mercado financeiro sobretudo neste momento de vulnerabilidade do governo quanto à opção adotada para fechar as contas públicas, pode evitar uma enxurrada de críticas à equipe econômica, por estar focado em uma agenda mais legislativa neste início de ano. Manifestações do PSDB – partido que tem em suas fileiras renomados formuladores de política econômica seriam equivalente a jogar óleo na fervura. -
Blog 07/01/2013 às 08h29 0
Estripulias contábeis subirão no palanque?
O IBGE fecha a inflação de 2012 nesta semana ao apresentar o IPCA de dezembro na quinta-feira. A aceleração mensal é certa e o índice deve encerrar o ano perto de 6%. O resultado - distante do centro da meta, mas abaixo do teto alcançado há um ano - dá ao governo em geral e ao BC em particular um pretexto para comemoração. Mas governo e BC terão plateia? Que a inflação não declinaria a 4,5% até a virada do ano estava na conta do mercado e do governo há muito tempo. Isso vale também para a esperança de que esse alvo seja atingido em 2013 “de forma não linear”. O desempenho pífio das contas públicas em 12 meses até novembro e a articulação da equipe econômica para evitar um desempenho fiscal ainda pior já foram transferidos (apenas) para a conta do governo – a mesma que contabiliza o fiasco da expansão do PIB brasileiro. A presidente Dilma Rousseff, que encerrou 2012 com o problema de dar um gás na economia, pisa em 2013 com outro talvez mais desafiador – evitar que as estripulias contábeis que marcaram as contas públicas há uma semana subam ao palanque. -
Blog 04/01/2013 às 13h21 0
No rastro do dinheiro
O ranking de emissores de títulos privados no Brasil é revelador sobre a evolução do nosso sistema bancário nos últimos anos e quanto à opção dos governos recentes por uma participação mais ativa dos bancos públicos no financiamento da atividade econômica e consumo. -
Blog 02/01/2013 às 12h25 0
O vício do resgate antecipado
O Brasil padece de escassez de financiamento de longo prazo. E essa verdade fala mais alto especialmente quando o governo mira taxas mais robustas de crescimento no embalo de novos investimentos em produção e infraestrutura. A União, controladora do capital do BNDES que banca os principais projetos que exigem injeção pesada de recursos, reclama da baixa cooperação das instituições financeiras privadas. -
Blog 28/12/2012 às 17h55 0
Recompensa
A Caixa Econômica Federal – dona de um exemplar desempenho no mercado brasileiro de crédito em 2012 – recebeu na marca do pênalti um aumento de capital. A presidente Dilma Rousseff, em edição extra do Diário Oficial da União desta sexta-feira, editou um decreto elevando o capital social da instituição em até R$ 5,4 bilhões. -
Blog 28/12/2012 às 11h46 3
BC muda compulsório para puxar investimento e juro menor
O Banco Central (BC) anunciou ontem à noite a liberação de depósito compulsório sobre depósitos à vista para bancos que realizarem operações de crédito que repliquem as condições estabelecidas pelo BNDES para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Com essa decisão o BC emite três sinais: os depósitos compulsórios no Brasil não devem ser vistos como dinheiro parado, mas um estoque de moeda que pode ser mobilizado como hedge em momentos de crises para garantir liquidez; a despeito do compromisso e da responsabilidade direta na gestão das políticas monetária e cambial, o BC está engajamento no esforço do governo de recorrer aos instrumentos disponíveis para estimular a atividade puxando os investimentos; no caso específico dessa última decisão, ao acenar com a liberação de compulsório que pode corresponder a uma injeção de R$ 15 bilhões na economia, o BC também abre caminho para a redução indireta das taxas de juros no crédito. -
Blog 28/12/2012 às 08h36 0
Primeiro o desejo, depois as contas
O desejo é que 2013 nos traga um “Pibão” com fartura de investimentos e inflação no centro da meta. E contas sob controle. Para o Banco Central, as contas do setor público devem chegar como manda o combinado. Na forma de superávit primário e equivalente a 3,1% do PIB. Mas isso vale para o ano que vem e adiante – talvez. Nesta sexta-feira, o governo, em dois lances, divulgará as contas públicas de novembro. Primeiro, o Tesouro faz o balanço do governo central que reúne receitas e despesas do próprio Tesouro, da Previdência Social e do BC. No final da manhã, o BC apresenta o resultado consolidado das contas públicas brasileiras também do mês passado. Em outubro, o superávit alcançou R$ 12,398 bilhões – resultado que a autoridade monetária o BC considerou sinal de “boa perspectiva” para os próximos meses. Hoje, portanto, último dia útil de 2012, o mercado financeiro poderá confirmar se as boas notícias estão de fato chegando, embora o governo já tenha decidido que neste ano descontará investimentos para cumprir a meta fiscal. -
Blog 27/12/2012 às 16h19 0
Juro negativo em gestão cautelosa no BNDES
Para um banco que vem trabalhando há alguns meses com juro real fortemente negativo aplicado a uma linha importante de financiamento de máquinas e equipamentos, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), as operações do BNDES não explodiram. Uma aceleração nos desembolsos chegou a ser cogitada quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou, há quatro meses, um corte de praticamente 50% na taxa nominal cobrada em determinadas operações da instituição com o objetivo de incentivar investimentos. Um salto no montante desses contratos pode até vir a ocorrer nos próximos meses, levando-se em conta o avanço nas consultas encaminhadas por potenciais tomadores de crédito. Mas o fato de o PSI responder por aproximadamente um quarto do desembolso total em 12 meses até novembro é uma ótima notícia. Para homens de fé, uma demonstração de cautela do governo na gestão de recursos que afetam o equilíbrio das contas públicas. -
Blog 27/12/2012 às 11h55 1
BC suaviza ação e ajuste no câmbio dribla inflação
Embora o Banco Central tenha promovido nesta manhã no mercado cambial uma intervenção menos impetuosa que a de ontem, o resultado da operação levou a mais uma baixa na cotação da moeda americana e manteve inalterada, em 0,5% ao mês, a projeção de ajuste do preço do dólar no primeiro bimestre do ano – bem abaixo da inflação esperada para o início do ano que ronda 0,80% também ao mês. Nos últimos dois dias, o BC realizou leilões de venda de dólar condicionados à recompra da moeda, respectivamente, em 1º de março e 1º de fevereiro de 2013. Com a colocação adicional , na quarta-feira, de swaps cambiais – instrumentos derivativos com efeito equivalente a venda futura de moeda estrangeira –, o dólar deslizou de R$ 2,07 para cerca de R$ 2,04 nos últimos dois dias de negócios, que evidenciaram o empenho do governo em evitar pressão do dólar e seu contágio à inflação. -
Blog 27/12/2012 às 10h16 2
Juro negativo, produto de distorções
Os títulos públicos com hedge contra a inflação caíram no gosto do investidor brasileiro. E dos estrangeiros também. Com giro importante no mercado secundário, a NTN-B de curto prazo chegou a ser negociada com juro real negativo na semana passada. Ótima notícia? Nem tanto. É precipitado considerar esse nível de taxa indicação de demanda desmedida por esse ativo ou confiança cega na ausência de risco. Na verdade, o juro negativo da NTN-B de curto prazo é uma distorção. Reflete um desbalanceamento entre expectativa para a inflação e para o juro no longo prazo.
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Blog 08h36 0
As razões do BC e as razões do mercado
O Banco Central mantém seu compromisso com o regime de metas para inflação que tem “centro” a ser perseguido e não “teto”; renova sua disposição em combater a inflação; quer que se acelere o processo de transmissão de deflação dos preços no atacado para o varejo dos alimentos; pretende “ajudar” que esse processo aconteça de fato beneficiando o consumidor; e defende o duplo mandato da instituição – assegurar o poder de compra da moeda e cuidar da solidez do sistema financeiro nacional. Quase destaques de uma “carta de princípios” foram expostos em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso por Alexandre Tombini, presidente da instituição, que reafirmou, ontem, que o BC vai agir com a devida “tempestividade” para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e assegurar que essa tendência persista em 2014. O discurso fez disparar os negócios com contratos de Depósitos Interfinanceiros DI com vencimento em julho, no pregão da BM&FBovespa. É confortável afirmar que os participantes do mercado futuro estão convencidos da motivação que empurra o BC para o exercício do seu mandato – cumprir a meta de inflação. Mas é arriscado. -
Blog 21/05/2013 às 15h16 1
Ressaca e expectativa
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, tem poder suficiente para imprimir nova orientação à curva de juros ou deixar tudo como está. Sua participação em audiência pública na Comissão Mista do Orçamento, na Câmara dos Deputados, acontece neste início de tarde. Por ora, está claro que por vontade própria o mercado de juros mal se move. Em parte, porque as taxas embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros DI negociadas na BM&FBovespa tiveram firme alta por três dias seguidos e agora padecem de uma ressaca danada; em parte o mercado acusa lentidão porque prevalece um misto de expectativa e torcida para que Tombini dê corda à expectativa de aceleração do ritmo de alta da taxa Selic na próxima reunião do Copom, na semana que vem. Não há certeza de que o presidente do BC seguirá nesta direção. A expectativa de ajuste mais forte da taxa básica brotou na semana passada, a partir da interpretação de declarações feitas pelo próprio presidente do BC, em tom mais duro contra a inflação durante o seminário de metas para inflação, no Rio. -
Blog 21/05/2013 às 08h57 1
Mercado interrompe apostas em Selic à espera de Tombini
A audiência pública do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), na Câmara dos Deputados, é o evento mais aguardado pelo mercado nesta terça-feira. Analistas e operadores contarão minuto a minuto até às 15 horas – horário previsto para o início do pronunciamento de Tombini a deputados e senadores. O mercado estará focado na confirmação de que o BC “está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre”. A reafirmação do sinal é dada como certa e explica a expansão veloz de contratos em aberto de Depósitos Interfinanceiros DI no pregão da BM&FBovespa na quinta e na sexta-feira. Subitamente, ontem, bancos e grandes investidores interromperam a abertura de novas posições, ampliando apostas na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A fala de Tombini hoje poderá precipitar alterações nas apostas sobre a Selic. De todo modo, os riscos estão elevados. -
Blog 20/05/2013 às 16h41 2
Aliados, pero no mucho
O Banco Central (BC) tem nas empresas brasileiras um aliado de peso contra os efeitos da inflação alta e persistente, mas não exatamente um aliado a favor do aumento da taxa de juro, o que não deixa de ser um desafio imposto ao Copom no exercício da política monetária em suas próximas reuniões. A safra de balanços das companhias de capital aberto do primeiro trimestre confirmou o avanço de custos e despesas em ritmo acelerado a ponto de comprometer lucros e, portanto, o retorno aos acionistas. O lucro dessas empresas que já caiu acentuadamente em 2012, voltou a recuar no primeiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. O número de corporações que apresentou prejuízos no trimestre aumentou. E, pior, quem perdeu lá atrás, conseguiu perder ainda mais agora. -
Blog 20/05/2013 às 08h51 2
A aposta de Tombini
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, carregou o mercado financeiro para a aposta de aceleração do ritmo de ajuste da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 0,25 para 0,50 ponto percentual, na reunião marcada para o fim deste mês. Se essa não foi sua intenção, o impacto de suas declarações no mercado futuro de juros poderia e deveria ter sido sustado no dia seguinte – sexta-feira – quando o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, encerrou o XV Seminário Anual de Metas para Inflação. Não foi. O BC do B, como qualquer outro, não faz vista grossa para os movimentos dos mercados. Portanto, não passou despercebida, de quinta para sexta-feira, o salto da exposição de instituições financeiras e investidores estrangeiros em contratos de Depósitos Interfinanceiros DI, na BM&FBovespa. Não foi pouca coisa. -
Blog 17/05/2013 às 17h31 0
Nó em pingo d’água
O ano de 2012 teve um dia a mais. Muita gente não casou. Não por falta de marido, falta de dinheiro ou medo da inflação. Essa nem contou no mundo da superstição que corre solta em ano bissexto – ruim pra casamento. Embora maiorzinho, com 366 dias, 2012 colecionou exatos 251 dias úteis – dois a menos do que teremos em 2013. No primeiro trimestre deste ano, faltaram dias de trabalho no calendário. Quase 5% a menos do que os contados, dedo a dedo, de janeiro a março do ano passado. E quase 3% menos do que os observados na média dos primeiros trimestres nos últimos dez anos. Mas do segundo ao quarto trimestre, 2013 dará ao Brasil um número maior de dias aproveitáveis, produtivos, rentáveis. Confuso? Piora. Dias de “sobra”, descobrem economistas, sempre têm utilidade. Cada 1% a mais de dias úteis gera uma elevação de 0,68% da produção industrial.

