• Blog 08h36 0

    As razões do BC e as razões do mercado

    O Banco Central mantém seu compromisso com o regime de metas para inflação que tem “centro” a ser perseguido e não “teto”;  renova sua disposição em combater a inflação; quer que se acelere o processo de transmissão de deflação dos preços no atacado para o varejo dos alimentos; pretende “ajudar” que esse processo aconteça de fato beneficiando o consumidor; e defende o duplo mandato da instituição – assegurar o poder de compra da moeda e cuidar da solidez do sistema financeiro nacional. Quase destaques de uma “carta de princípios” foram expostos em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso por  Alexandre Tombini, presidente da instituição, que reafirmou, ontem, que o BC vai agir com a devida “tempestividade” para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e assegurar que essa tendência persista em 2014. O discurso fez disparar os negócios com contratos de Depósitos Interfinanceiros DI com vencimento em julho, no pregão da BM&FBovespa. É confortável afirmar que os participantes do mercado futuro estão convencidos da motivação que empurra o BC para o exercício do seu mandato – cumprir a meta de inflação. Mas é arriscado.
  • Blog 21/05/2013 às 15h16 1

    Ressaca e expectativa

    Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, tem poder suficiente para imprimir nova orientação à curva de juros ou deixar  tudo como está. Sua participação em audiência pública na Comissão Mista do Orçamento, na Câmara dos Deputados, acontece neste início de tarde. Por ora, está claro que por vontade própria o mercado de juros mal se move. Em parte, porque as taxas embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros DI negociadas na BM&FBovespa tiveram firme alta por três dias seguidos e agora padecem de uma ressaca danada; em parte o mercado acusa lentidão porque prevalece um misto de expectativa e torcida para que Tombini dê corda à expectativa de aceleração  do ritmo de alta da taxa Selic na próxima reunião do Copom, na semana que vem. Não há certeza de que o presidente do BC seguirá nesta direção. A expectativa de ajuste mais forte da taxa básica brotou na semana passada, a partir da interpretação de declarações feitas pelo próprio presidente do BC, em tom mais duro contra a inflação durante o seminário de metas para inflação, no Rio.
  • Blog 21/05/2013 às 08h57 1

    Mercado interrompe apostas em Selic à espera de Tombini

    A audiência pública do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), na Câmara dos Deputados, é o evento mais aguardado pelo mercado nesta terça-feira. Analistas e operadores contarão minuto a minuto até às 15 horas – horário previsto para o início do  pronunciamento de Tombini a deputados e senadores. O mercado estará focado na confirmação de que o BC “está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre”. A reafirmação do sinal é dada como certa e explica a expansão veloz de contratos em aberto de Depósitos Interfinanceiros DI no pregão da BM&FBovespa  na quinta e na sexta-feira. Subitamente, ontem, bancos e grandes investidores interromperam a abertura de novas posições, ampliando apostas na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A fala de Tombini hoje poderá precipitar  alterações nas apostas sobre a Selic. De todo modo, os riscos estão elevados.
  • Blog 20/05/2013 às 16h41 2

    Aliados, pero no mucho

    O Banco Central (BC) tem nas empresas brasileiras um aliado de peso contra os efeitos da inflação alta e persistente, mas não exatamente um aliado a favor do aumento da taxa de juro, o que não deixa de ser um desafio imposto ao Copom no exercício da política monetária em suas próximas reuniões. A safra de balanços das companhias de capital aberto do primeiro trimestre confirmou o avanço de custos e despesas em ritmo acelerado a ponto de comprometer lucros e, portanto, o retorno aos acionistas. O lucro dessas empresas que já caiu acentuadamente em 2012, voltou a recuar no primeiro trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. O número de corporações que apresentou prejuízos no trimestre aumentou. E, pior, quem perdeu lá atrás, conseguiu perder ainda mais agora.
  • Blog 20/05/2013 às 08h51 2

    A aposta de Tombini

    O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, carregou o mercado financeiro para a aposta de aceleração do ritmo de ajuste da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 0,25 para 0,50 ponto percentual, na reunião marcada para o fim deste mês. Se essa não foi sua intenção, o impacto de suas declarações no mercado futuro de juros poderia e deveria ter sido sustado no dia seguinte – sexta-feira – quando o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, encerrou o XV Seminário Anual de Metas para Inflação. Não foi. O BC do B, como qualquer outro, não faz vista grossa para os movimentos dos mercados. Portanto, não passou despercebida, de quinta para sexta-feira, o salto da exposição de instituições financeiras e investidores estrangeiros em contratos de Depósitos Interfinanceiros DI, na BM&FBovespa. Não foi pouca coisa.
  • Blog 17/05/2013 às 17h31 0

    Nó em pingo d’água

    O ano de 2012 teve um dia a mais. Muita gente não casou. Não por falta de marido, falta de dinheiro ou medo da inflação. Essa nem contou no mundo da superstição que corre solta em ano bissexto – ruim pra casamento. Embora maiorzinho, com 366 dias, 2012 colecionou exatos 251 dias úteis – dois a menos do que teremos em 2013. No primeiro trimestre deste ano, faltaram dias de trabalho no calendário. Quase 5% a menos do que os contados, dedo a dedo, de janeiro a março do ano passado. E quase 3% menos do que os observados na média dos primeiros trimestres nos últimos dez anos. Mas do segundo ao quarto trimestre, 2013 dará ao Brasil um número maior de dias aproveitáveis, produtivos, rentáveis. Confuso?  Piora. Dias de “sobra”, descobrem economistas, sempre têm utilidade. Cada 1% a mais de dias úteis gera uma elevação de 0,68% da produção industrial.

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