Brasil é boa opção para executivos abertos a mudanças

Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
Trina Gordon, CEO da Boyden, diz que líder deve ter bom histórico de realizações

Os executivos que procuram ou já ocupam cargos estratégicos em multinacionais estão hoje muito mais interessados e dispostos a mudar para países estrangeiros - especialmente para o Brasil. Isso porque, além da economia mais aquecida, as organizações daqui ainda estão em busca de talentos de diversos níveis para atuar em indústrias como a de tecnologia e as que lidam com recursos naturais como energia, óleo e gás. Não por acaso, uma das maiores demandas da empresa de recrutamento Boyden tem sido identificar essas oportunidades e orientar seus clientes a respeito delas.

A afirmação é de Trina Gordon, CEO global da companhia, que esteve recentemente no país para visitar o escritório local, um dos que mais cresceram nos últimos anos. "A crise ameaça empresas no mundo todo, mas elas não têm escolha. É preciso fazer o possível para continuar sendo relevante aos seus consumidores e se posicionar de forma estratégica no mercado."

Ela admite que esse cenário favorece a Boyden e as companhias de recrutamento e consultorias de maneira geral, mas, ao mesmo tempo, a cobrança aumenta. "Os clientes hoje nos contratam com expectativas muito mais altas. Elas precisam de soluções e temos que nos esforçar ao máximo para encontrá-las", diz.

No cenário turbulento, diz Trina, ganha força a procura por líderes capazes de transformar as organizações ou, simplesmente, de alavancar os negócios. Esse executivo deve saber escolher o caminho correto e demonstrar paixão ao assumir um desafio. "Isso vai trazer as pessoas para perto dele e inspirá-las a buscar um objetivo em comum", diz.

A capacidade de liderar, na opinião de Trina, pode ser traduzida em boa comunicação, saber ouvir e passar bastante tempo junto à equipe pensando em como fazer as coisas melhorarem. "Além disso, é fundamental que o profissional tenha integridade e um histórico consistente de realizações", ressalta.

Isso se aplica a ela mesma. Na cadeira de CEO da Boyden há pouco mais de um ano, Trina entrou na companhia em 1990 e integra o conselho desde 2001. "Passei muito tempo buscando executivos. Conheço nossa cultura e isso me dá uma visão abrangente de todo o setor", explica ela, que em 2008 entrou na lista dos 50 headhunters mais influentes do mundo da "Business Week".

Com isso, ela minimiza o fato de ser a primeira mulher a assumir o comando de uma grande empresa global de recrutamento. "Seria bom se eu pudesse me inspirar e tirar lições com a experiência de outras. Infelizmente, sou eu mesma quem está desbravando esse caminho", diverte-se.

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