Para Itamaraty, é prematuro falar em acordo comercial com a China
SÃO PAULO - Cogitar o início de negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e China é prematuro, diz Francisco Peçanha Cannabrava, chefe da Divisão de Negociações Extrarregionais do Mercosul II, do Itamaraty. Para ele, a aliança estratégica sinalizada pelo país asiático com o Brasil, a Argentina e o Uruguai não deve evoluir tão rapidamente para algum pacto de natureza comercial.
“A China é um parceiro muito importante para o Mercosul, mas a proposta de diálogo do governo chinês aconteceu há poucas semanas e existem vários elementos a serem analisados”, diz Cannabrava, que participou de evento da Câmara de Comércio Americana (Amcham).
Ele lembra que há forte preocupação das indústrias brasileiras em relação a algum acordo desse tipo, em razão da elevada importação nacional de manufaturados chineses. Para ele, a intensificação de relações com a China pode começar com acordos sem caráter comercial, como de cooperação técnica, por exemplo.
Para Cannabrava, a suspensão do Paraguai do Mercosul em razão do impeachment do ex-presidente Fernando Lugo não deve ser motivo para paralisar os trabalhos do bloco em relação a pactos já em discussão. Um exemplo, cita, é o acordo entre Mercosul e União Europeia.
Cannabrava diz, porém, que a troca de ofertas entre os dois blocos, necessária para um avanço das negociações, ainda não tem definição. Ele não quis comentar sobre a possibilidade de ser discutida a integração da Venezuela ao Mercosul enquanto a participação do Paraguai no bloco está suspensa.
O chefe da Divisão de Negociações Extrarregionais do Mercosul II do Itamaraty participa hoje de evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo, que discute o papel dos acordos comerciais no comércio exterior brasileiro.
(Marta Watanabe | Valor)


