Consumo de café no Brasil pode aumentar em função da queda dos preços

SÃO PAULO - O consumo de café no Brasil pode aumentar neste ano, depois que os preços do produto caíram, segundo pesquisa da P&A Marketing International. De acordo com o Valor Data, os preços dos contratos do grão arábica de segunda posição, normalmente os mais negociados, registraram queda de 28,22%  do começo do ano até o fechamento de ontem.

O crescimento da demanda brasileira pelo produto desacelerou de 4% em 2010 para 3,7% em 2011, segundo Carlos Brando, diretor da empresa de pesquisa, durante conferência hoje em Genebra. Ele afirmou que existe chance de a demanda se recuperar novamente este ano. “Se os preços altos eram um fator de limite do consumo, essa pressão diminuiu”, disse.

Brando acrescentou que o crescimento do consumo brasileiro de café,  sozinho, não será suficiente para estimular a maior produção. “Os preços terão que subir se o mercado quiser manter a indústria de café funcionando”, resumiu.

Ele também mencionou que os cafeicultores brasileiros podem não continuar investindo na cultura em função dos preços baixos. “Se o mundo precisa de mais café, os preços vão ter de subir para convencer os agricultores a aumentar a produção”, relatou.

Já Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), não acredita que os preços baixos impulsionem  o consumo de café. Segundo ele, a experiência brasileira dos últimos anos mostrou que as cotações em queda não contribuíram para a expansão do consumo. “O motor do consumo é a qualidade”, observou, referindo-se ao aumento de oferta de cafés especiais no mercado.

A Abic estima que o consumo deve crescer 3,5% neste ano, para 20,7 milhões de sacas ante 19,7 milhões em 2011. Segundo os acompanhamentos mensais da entidade, a meta deve ser atingida.

Herszkowicz afirmou também que, embora os preços tenham recuado, a situação da indústria ainda é sensível, depois do período de preços muito altos da matéria-prima que, segundo ele, não foram repassados para o consumidor final.

“A rentabilidade ainda é muito baixa. Na indústria tradicional não chega a 2% , 3%. Nesse sentido, muitas empresas estão apostando em novas formas de colocação do produto no mercado, por exemplo, lojas de conveniência, serviços de buffet, setor de hotelaria e restaurantes", disse.

(Carine Ferreira | Valor, com Bloomberg News)

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